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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Desafio dos Pássaros 2.2

É que isso de médicos, nunca fiando

Mamas, 

Vim agora do hospital e o médico disse que tenho uma virose. Chamou-lhe ele "Burro-parvo-virose". Disse que passava com tempo e abstenção de grupos de mamas. Ainda falei no 'tibiótico, mas ele disse que não precisava, que passava se deixasse de vir aqui ler comentários de mamas com mestrado no Google. Eu acho que precisava mesmo de um 'tibiótico. E também acho que o médico foi grande parvo e mal encarado na minha consulta. Estava sempre a olhar para o relógio, a meio disse ao coleguinha "vai ver como está a senhora que eu já subo". Quando o confrontei sobre isso, que eu assim muito frontal não guardo cá nada dentro, disse que tinha uma senhora com um parto complicado e que precisava de acompanhamento. Passei-me! Atão, eu que estava carregadinha de comichões até ao umbigo, olhem que só eu sei como passei a noite, sempre num coça coça que quase fui buscar o piaçaba para ajudar na lombar, eu que lhe pago o ordenado com os meus descontos, nem todos, porque faço uns extra com unhas de gel que não entram no rendimento, mas pronto cada um safa-se como pode, eu que estou com gravidez de risco desde as 4 semanas, porque é muito perigoso inserir facturas no computador, e o médico de família nem me queria passar, tive que armar barracada e fazer valer os meus direitos, mas já me perdi... Ah! Eu que estava ali mesmo aflita, praticamente com o mindinho do pé no cemitério e outro no portão ao pé do S. Pedro, tive que levar com uma rapidinha do médico. Olhem que o sacana mal para o livro de grávida olhou, caramba! 

Bom, queria saber as vossas opiniões: não acham que me devia ter passado uma penincinlina? Já li que comichões no umbigo podem ser bacterianas e podem levar a partos prematuros... É que isto de médicos nunca fiando. 

Estou com 5s+4d+10h+32m+5seg 

Blogs com gente dentro

O carteiro, sacaninha, hoje deixou uma encomenda que me entupiu o canal lacrimal com poeira.

Já não se pode confiar nos serviços dos CTT, entregam tudo cheio de pó e não há olhos que aguentem.

Obrigada à Magda, à Mula, à Fatia Mor,  à Alexandra,  à Cunhada,  à DramaQueen,  ao Coiso, à Just, à Maria das Palavras,   à Mamã Paleo e à Maria Araújo.

Gostei mesmo muito e tenho a certeza que a pequena Inês vai adorar! ❤️

O Mano logo já vai estrear as histórias. E amanhã a camisola vai passear até ao gabinete da sôtora a quem pago para me chamar gorda. 

 

 

sapo.jpg

 

E se me perguntarem porque raio têm estes nomes esquisitos... Dou o vosso mailito. ;P 

 

Desafio dos Pássaros 2.1

Acho que a coisa não vai correr bem

Passo a vida a dizer isto. Não muito alto, não quero que outros ouçam a minha insegurança, mas digo-o silenciosamente, para mim. 

Digo-o quando desço as escadas molhadas em direção à lavandaria, sabendo de antemão o perigo de escorregar. 

Digo-o quando subo a uma cadeira para chegar a uma prateleira mais alta. 

Digo-o quando forço um bocadinho e sinto a lombar a picar. 

Digo-o todos os dias, quando olho para o meu filho mais velho adormecido: acho que a coisa não vai correr bem. 

Tenho medo. Muito medo. 

Medo que a rapariga se antecipe e conheça o mundo antes do tempo. 

Medo que fique internada dias a fio e eu sem saber se me vire para a mais nova se para o mais velho. 

Medo da ansiedade que a minha estadia no hospital vá provocar em casa. 

Medo de precisar de mais dias do que os dois com que fervorosamente acredito precisar. 

Medo que a primeira reação não seja a melhor. 

Medo de não estar à altura de dois filhos tão pequenos. 

Medo de a coisa não corra bem e não segure todas as pontas, como sempre me habituei a fazer. 

Medo de lhes falhar, de não conseguir estar lá para eles, da mesma forma e com a mesma plenitude que para um. 

Mas depois... Depois, lembro-me que isto é, no fundo, a única melhor coisa que poderia acontecer. 

Lembro-me como vai ser giro voltar a ter um bebé, apesar do que tudo isso implica.

Lembro-me que tudo aquilo que o Caracolinho sempre pediu foi uma mana e, mesmo passando pela inevitável adaptação e possível rejeição à rapariga, vai adorar ter alguém para ler histórias e brincar ao faz de conta. 

Lembro-me o quanto odiei ser filha única, o quão pesadas são as cargas quando só existe um para equilibrar com a barra. 

E por isso, mesmo sabendo que haverá dias que a coisa não vai correr bem, guardo o medo no bolso pequenino das calças de ganga que agora não servem, para me lembrar dele quando as coisas correrem bem. 

 

Publicação muito urgente

Esta conversa existiu mesmo, sem o mínimo de vergonha, pudor ou que quer seja classifique este tipo de atitude.

Passou-se num grupo de mães, do facebook, mas podia perfeitamente passar-se na tasca da D. Albertina.

Publicação:

"Bom dias mamãs, vocês têem sido a minha salvação, nessas palavras de conforto e força.
Estou de 6 semanas e vou fazer a primeira eco sexta feira à conta pessoal, pois o médico disse que chegava bem só fazer às 13 semanas e não me quis passar (outra). Parece que enquanto não ouvir o coraçãozinho ou vir alguma coisa só ando ansiosa e nervosa :(
E com maus pensamentos.
Alguma das mamãs que descobriu cedo, conseguiu ver ou ouvir o coração? (Sei que corro o risco de não ouvir nem ver)."

Não vamos dissertar sobre isto, a rapariga está ansiosa, todas nós sabemos que aquela idade gestacional é uma grande seca, não se sabe nada, não se vê nada, não se sente nada, é só esperar. E esperar é a última coisa que podem pedir a uma grávida ansiosa. A rapariga decidiu fazer uma ecografia a nível particular, óptimo. Vai com certeza descansar melhor. Não lhe vamos agora estar com miudezas.
Sigamos para a troca de comentários.

Admnistrador 1 :

Bom dia, eu descobri as 5 semanas. Não vai conseguir ver nem ouvir. Só a partir das 9 semanas, os médicos têm o aparelho para se ouvir o coração. Andei em pânico até o ouvir :p pode sempre dizer que tem dores e ir ao hospital e ver o que dizem :)

(sim, a admnistração do grupo respondeu isto. Não é espetacular?)

Uma mamã não se ficou e continuou:

Portanto, ir à urgência, sem necessidade, só para entupir mais um bocadinho o sistema. Grande conselho. 👍👌

(já usavas menos ironia, mas pronto, desta vez passa)

Administrador 1:

Desculpe??? Que comentário mais estúpido... Abstenha-se de comentar os meus comentários.... Você é que devia entupir a boca antes de falar!

(Logo aqui percebemos que a discussão morreu e que não vale a pena. Alguém que usa tantos pontos de interrogação só pode ter problemas de compreensão e afirmação. Não falando na agressividade logo assim à grande, mesmo à "baixa a bolinha que o cão é rasteirinho e EU SOU A PATROA cá do burgo." A-DO-RO! Vão buscar pipocas qu'isto promete)

Mamã:

Portanto, a sua recomendação de "pode sempre dizer que tem dores e ir ao hospital e ver o que dizem" é perfeitamente válida e nada estúpida. Está muito certo.

(Vais de vela, vais de vela... Tásabusar rica filha)

Administrador1:

Não, é melhor a senhora andar stressada e preocupada. Aliás a médica que me indicou fazer o mesmo quando não me queriam fazer o CTG, devia ser despedida... Aconselhou-me a entupir o sistema 😏

(Alguém falhou a aula de português onde se aprendeu a utilizar ironia. E vírgulas.)

A senhora [ da publicação ] diz que vai fazer ecografia a nível particular. Acho muito bem, eu fiz o mesmo quando engravidei, ficamos mais descansadas. Nada contra.
Mas isso é diferente de recorrer a uma urgência sem ser necessário e sem haver, efetivamente, urgência.
Quanto ao seu caso... CTG, por norma, já é numa fase mais avançada da gravidez e não sei o porquê de lhe terem recomendado ou não, tampouco se quem lho recomendou era ou não médico/enfermeiro. 🤷 Situações diferentes, creio eu. 😉

( ui! Agora, contradizer a urgência dela?! Já nem buscar pipocas. Já foste. Namastê! 🙏)

Eu não recomendei ir às urgências. Apenas disse sempre pode ir ao hospital... Acho que é diferente. Mas pronto 😘

(Ah... Hmmm... Ah... Hmmm... Não é o mesmo? Sempre a aprender, sempre a aprender.)

Administradora 2:

Na sua cabeça é melhor desvalorizar estes sentimentos e nao entupir o sistema que andamos a pagar impostos pra ter, e arriscar ficar com uma depressão ou ansiedade?
A mamã qie vá as urgencias SIM. Porque andamos a pagar impostos para ter um serviço destes no nosso pais, porque não é normal ter de pagar um exame para saber se o seu filho esta bem e relaxar a sua ansiedade. VA A URGENCIA SIM. E não precisa de dizer dores, o psicológico tambem afeta, diga a verdade e queira auxilio que e para isso que pagamos impostos. Para sermos auxiliadas! Era o que mais faltava.

(Mas... Mas... E os acentos? E as vírgulas?! Então e... Mas... Ir à urgência só para relaxar? Mas aquilo é o quê? Um SPA? Pipocas, vou buscar pipocas)

Mamã:

* GIF facepalm Ryan Reynolds *

(Ainda não foste? Ui! Com este gifezinho já tens a corda ao pescoço. Até parece que ouço a tua cervical a estalar, filha)

Administrador 1:

Pois eu desisti porque estar a insistir com uma pessoa que não aceita mais opiniões nem vale a pena... Esta senhora nunca deve ter ido ao hospital ou urgência para ficar descansada com algo. Olha fui entupir as urgências porque o meu filho tem eczema e eu n sabia o que havia de colocar... Sou terrível, usar o que pago 🤣 enfim

(Ah... E vírgulas, não? Pronto, tá bem, mas assim uma pessoa fica com dificuldades respiratórias. Olha, uma boa urgência, esta)

Mamã:

Bom, eu já tinha desistido, na realidade.
Sucede que estou grávida e não me apetece ir agora entupir a urgência apenas porque fiquei ansiosa e a matutar neste comentário por escrever. O máximo que fariam era dar-me pulseira verde, vejam lá bem!, e ainda esperava um bom par de horas para nem oxigénio de me darem. Enfim, é para o que uma pessoa paga impostos.
Já recorri à urgência, várias vezes, sobretudo com o meu filho, não por ter febre há 5 minutos ou por ter espirrado umas oitavas acima do normal.
Não vos ia explicar o porquê de recorrer à urgência pediátrica quando o miúdo vomitou, aquando o episódio de varicela, mas vou explicar na mesma: o miúdo tinha varicela e vomitou, algo que a médica de família referenciou ser anormal e caso de urgência. Dirigi-me, portanto, à urgência hospitalar. Entre espera, análises e outros que tais, chegou o diagnóstico: outra virose, além da varicela. Foi marcada consulta de pediatria para a semana seguinte. E depois, para o mês seguinte. E ainda para o mês seguinte, onde teve alta.
É para isto que pagam impostos: para que o SNS seja usado e rentabilizado quando realmente é preciso.
Não me parece, de todo, que a senhora da publicação sofra de ansiedade diagnosticada - acho que está mesmo só ansiosa e preocupada, como todas nós já estivemos com aquele tempo gestacional (a propósito: espero que a sua gravidez corra pelo melhor 😉). Recomendar uma ida à urgência (que, a propósito, é exatamente o mesmo que recomendar uma "ida ao hospital"), exagerar na dor (que é inexistente) ou só para "saber se está tudo bem", com base no argumento de 'eu pago impostos, eu posso' é, além de imoral e pouco ético, estúpido e completamente descabido.
E porque o comentário já vai mais longo do que o desejado para as vossas retinas, espero apenas que reflitam sobre a palavra urgência. Se não conseguirem, lamentem também os impostos que andam a pagar na área da educação e não só da saúde.
Um bom dia, com poucas urgências verdadeiramente urgentes.

(Adeus, até um dia. Tenho pena, mas não podes mais ficar. Adeus, até um dia, pode ser que nos voltemos a encontrar 👋👋).

A troca ainda continua, mas eu já não tenho pipocas. 🙄 Já chapadas, pronto, se fizessem muita questão... 👌

#Pessoas ❤️ 

Gajas vs Gajos a marcar um jantar, num grupo de mensagens

 

GAJOS

Gajo 1: Meus, e se fôessemos jantar?

Gajo 2: Boa!

Gajo 3: 'Bora!

Gajo 4: Data?

Gajo 5: Digam coisas....

Gajo 1: 25 janeiro, sabádo. Todos podem?

Gajo 2: 👍

Gajo 3: 👍

Gajo 4: Não posso. Vou na próxima. Divirtam-se!

Gajo 5: Vou.

Gajo 6: 👍

Gajo 7: Siga!

Gajo 1: Está combinado. 25 janeiro, ao jantar. Vou fazer reserva.

Dois dias depois:

Gajo 1: Reserva feita. Vemo-nos lá.
Restantes gajos: 👍👍👍👍👍👍👍👍👍👍

GAJAS

Gaja 1: Meninas vamos almoçar?

Gaja 2: vamos!

Gaja 3: 'Bora!

Gaja 4: Fiesta!

Gaja 5: YEAH!

Gaja 1: quando podem?

Gaja 6: É para fazer o quê?

Gaja 7: A Gaja 1 quer marcar um almoço.

Gaja 6: Ah! Boa!

Gaja 8: Este mês?

Gaja 9: Este mês nem pensar!

Gaja 3: E tem que ser almoço? Não pode ser jantar?

Gaja 10: Já há data?

Gaja 1: 25 janeiro. Todas podem?

Gaja 2: Eu posso.

Gaja 4: Fiesta!

Gaja 3: Tenho que ver...

Gaja 5: I'm in!

Gaja 6: Tenho que fazer contas. Janeiro é enorme.

Gaja 7: Mas onde? Não se esqueçam de quem é de longe...

+ 945 mensagens nas duas semanas seguintes

Gaja 6: Gente, não vou poder ir ao almoço, mas passo para o café.

Gaja 3: Não era jantar?

Gaja 4: Fiesta!

Gaja 5: E vens de propósito?

Gaja 6: Então não era almoço? Não era já ali em baixo?

Gaja 10: Para ti é sempre já ali...🤦‍♀‍

Gaja 7: São 40km de onde estás.

Gaja 6: Ah.

Gaja 9: E preços?

Gaja 11: Foi a @12 que tratou...

Gaja 2: Meninas, alguém tem cartas do Lidl? Precisava da 17,27,45.

Gaja10: Tenho a 27.

Gaja 1: Devíamos fazer mais perto.

Gaja 6: Devíamos fazer jantar.

+ 1234 mensagens nas semanas seguintes

Gaja 1: Faltam duas semanas para o nosso jantar. 😀

Gaja 3: Yeah!

Gaja 4: Fiesta!

Gaja 6: Não era almoço?

Gaja 8: Mudamos para jantar. Não viste?

Gaja 9: Quando é?

Gaja 10: Vou chegar mais tarde.

Gaja 7: Sempre vamos ao Z?

Gaja 6: Então não era no Y?

Gaja 8: Era mais caro e mais longe. Mudamos para o Y.

Gaja 6: Então se calhar também vou. Vou ver.

Gaja 2: Vou ver se consigo ir. Depende dos câmbios.

Gaja 1: Preciso de confirmações até ao fim da semana.

+ 2345 mensagens na semana seguinte

Gaja 6: Quanto ao jantar… Afinal sempre vou.
Sempre é no Z?

Gaja 8: Sim.

Gaja 1: Somos quantos?

Gaja 6: Só consigo dizer mais no final da semana.

Gaja 5: Treino feito!

Gaja 7: Tu és maluca… com este frio?

Gaja 1: Quantos somos, afinal?

Gaja 5: Tem que ser. Parar é morrer!

Gaja 10: Pontos do Pingo Doce, alguém tem?

Gaja 2: Não tenho. Também queria.

Gaja 6: Isso são pontos? Pensei que eram só autocolantes… deitei montes fora, ontem.

Gaja 2: 🤦🤦🤦🤦

+ 3567 mensagens nos dias seguintes

Gaja 1: Amanhã vou passar no Z para marcar mesa. 😁

Gaja 4: Fiesta!

Gaja 3: Tá quase!

Gaja 6: oh yeah!

Gaja 10: Dá para manter o foco, nesse restaurante?

Gaja 5: Em princípio também vou.

Gaja 8: *Clip de voz*

Gaja 2: Não consigo ouvir aqui.

Gaja 7: Ohhhh. Que pena. Mas compreendo.

Gaja 1: O restaurante não aceita reservas ao sábado à noite. Vou lá passar amanhã para falar melhor.

Gaja 3: Vamos a outro?

Gaja 12: Não muito mais longe, por favor.

Gaja 6: Conheço um muito fixe, em Freixo de Espada À Cinta, ali perto onde Judas perdeu as botas.

Gaja 10: Isso é longe.

Gaja 6: É já ali. E a comida é mesmo boa.

Gaja 1: Fico com pena que não vás @Gaja8, mas compreendo.

Gaja 6: A @Gaja8 não vai?

Gaja 2: Afinal também vou.
Gaja 3: E alternativas?

Gaja 6: Em Macedo de Cavaleiros também se come bem.

Gaja 3: Meninas, não dispersem…

Gaja 8: Pode ser que a @Gaja1 consiga no Z.

Gaja 7: Meninas, alguém tem a receita de muffins de chocolate?

3 horas e 345 mensagens depois

Gaja 1: Olhem meninas, nada feito. Não fazem reserva e é tipo fábrica: entras, comes e sais. Não dá para nós.

Gaja 3: Então e agora?

Gaja 6: Podemos sempre ir ao centro ao comercial. Mesas não faltam…

Gaja 7: Achas?! No Centro Comercial? Ao sábado às noite? Com miúdos? És louca…

Gaja 2: Então e se fôssemos ao Y?

Gaja 5: Isso não é longe para a @Gaja12?

Gaja 6: Devia ser um sítio perto para todas…

Gaja 10: Eu moro a 100km daí…

Gaja 6: Queria dizer central. Pronto, olha, cada uma traz uma coisa e fazemos um piquenique ao pé do rio, debaixo da ponte.

Gaja 3: E pela zona da Mealhada?

Gaja 1: Tive uma ideia!

Gaja 6: oh céus…

Gaja 1: E se fôssemos ao XPTO?

Gaja 5: Isso não é caro?

Gaja 7: E onde é que isso fica?

Gaja 10: Dá para manter o foco?

Gaja 6: As sobremesas são boas?

Gaja 8: Caraças, tenho mesmo pena de não ir.

Gaja 12: Pode ser.

Gaja 3: Então e ali no D?

Gaja 9: Esquece, está sempre cheio.

Gaja 6: Centro Comercial?

Gaja 4: Fiesta!

Gaja 11: Onde é que é afinal? Eu gostei do D.

Gaja 6: Mas o D é longe para a @12 e @10. E não sei se tem reserve de hoje para amanhã. É pequeno. Mas os gelados são muito bons!

Gaja 3: Babei pelo bacalhau…

Dia 25 às 7 da manhã

Gaja 1: Estive até às 5 da manhã a ver restaurantes. Estou enjoada.

Gaja 3: Eu também.

Gaja 6: Onde vamos jantar?

Gaja 8: Bom dia!

Gaja 3: Olhem, lembrei-me do ABC. Será que dá?

Gaja 7: Moro a 5 minutos. Querem que veja?

Gaja 3: Afinal se calhar também vem a @gaja 11.

Gaja 7: Ligo?

Gaja 2: E os preços?

Gaja 3: Se não bebemos muito, não devem variar do Z.

Gaja 7: Vou ligar. Quantos somos?

Gaja 6: 23,5.

Gaja 2: Mas se a @gaja8 não vai, isso não dá menos pessoas?

Gaja 6: Quem reserva para 23 reserva para 22.

Gaja 7: Está marcado. Logo à noite, no ABC.

Gaja 6: Ufaaaaaaa!

Gaja 3: YES!

Gaja 1: 🙏🙏🙏

10 minutos depois

Gaja 11: Bom dia! Onde é para ir jantar, afinal?

Gaja 10: Ainda cabe mais um?

Indignações miudinhas

As mães, antes do orçamento de estado 2020:

"Não dá para ter filhos neste país. O Estado não quer saber da parentalidade, está-se a borrifar para as famílias com filhos. Devíamos ter mais ajudas. Os ciganos é que estão bem: têm tudo de borla. Esses e os do rendimento mínimo. Andámos nós a sustenta-los."

As mães, depois do governo anunciar a implementação de várias vacinas no PNV, como meta para 2020:

"É sempre a mesma coisa. Eu tive que pagar tudo e na altura ninguém me ajudou. E eu que já dei metade? Onde vou buscar o dinheiro que já investi? Os ciganos é que estão bem: têm tudo de borla. Esses e os do rendimento mínimo. Andámos nós a sustenta-los."

As mães, depois do governo anunciar as baixas por assistência aos filhos pagas a 100% até aos 12 anos:

"Isto agora é que vai ser um fartote! Vai tudo ficar em casa com os filhos. E eu, que nunca fiquei em casa com os meus porque aos 3 anos já tomavam paracetamol e ibuprofeno intercalado de 4 em 4 horas para a febre e já sabiam emborcar o antibiótico sozinhos, dizia eu, ando eu a trabalhar para estas sostras molengonas ficarem em casa com os filhos. É sempre a mesma coisa. Os ciganos é que estão bem: têm tudo de borla. Esses e os do rendimento mínimo. Andámos nós a sustenta-los. E agora também às mães que ficam de baixa com filhos doentes. Olh'agora..."

As mães, depois do governo anunciar que pondera (reparem: PONDERA) atribuir creches gratuitas às crianças do primeiro escalão de abono:

"O quê?! Como assim quem está em casa não paga nada?! Então e os outros? E os 'morcões que trabalham de sol a sol' têm direito a quê? É sempre a mesma coisa. Os ciganos é que estão bem: têm tudo de borla. Esses e os do rendimento mínimo. Andámos nós a sustenta-los. E agora também às mães que ficam de baixa com filhos doentes. E ainda com as creches dos que estão em casa a coçar a micose e têm o primeiro escalão de abono."

As mães, depois do governo anunciar que vai atribuir um cheque para apoio ao pagamento da creche, a partir do terceiro trimestre de 2020, para famílias com dois ou mais filhos e independente do rendimento do agregado:

"Deve ser uma esmola. Aposto que é uma esmola. Os ciganos é que estão bem: têm tudo de borla. Esses e os do rendimento mínimo. Andámos nós a sustenta-los. E agora também às mães que ficam de baixa com filhos doentes. E ainda com as creches dos que estão em casa a coçar a micose e têm o primeiro escalão de abono."

O facto de termos um deputado de extrema direita, cujos compinchas de partido têm ligações diretas a grupos nazis: detalhe.

O facto de pagarmos TODOS a dívida GIGANTE do BES, aquando o rombo do Salgado: detalhe.

O facto da esperteza de Berardo o ter levado a guardar a sua fortuna tão bem guardada que ele nem se lembra onde a pôs: detalhe.

O facto de Isabel dos Santos ter desviado e enfiado dinheiro no bolso pequenino das calças de ganga, num país que onde água potável é sinónimo de ostentação: detalhe.

O facto do Trump ter atacado o Irão e estar no poder há demasiado tempo: detalhe.

O facto de, em Portugal, a economia paralela ser um problema grave, mas continuarmos todos a enterrar a cabeça na areia e solicitarmos serviços sem fatura ou 'ao amigo': detalhe.

O facto de, em Portugal, haver empresas com capital social que fazem chorar a rir o ceguinho: detalhe.

O facto de sermos um país idoso, muito perto do precipício para o estado social: detalhe.

O facto de termos uma das maiores e mais vergonhosas taxas de abstenção nas últimas eleições: detalhe.

Sermos, ou tentarmos ser, um estado social, onde quem ganha mais desconta mais, para que quem tem menos, tenha algum apoio: máxima importância.

Haver excepções abusadoras na fatia dos que recebem mais apoios do estado: Ultraje.

Mas os ciganos é que estão bem: têm tudo de borla. Esses e os do rendimento mínimo. Andámos nós a sustenta-los. E agora também às mães que ficam de baixa com filhos doentes. E ainda com as creches dos que estão em casa a coçar a micose e têm o primeiro escalão de abono.

Breve resumo de 2019 (consoante aquilo que me vou lembrando e não cronologicamente)


 



 



Comecei o ano com duas tendinites de Aquiles, uma em cada tornozelo. Caminhei 3 meses a fazer uma espécie break dance, descobri que a paciência é efetivamente uma virtude e que o melhor é mesmo curar de vez.



Sem conseguir caminhar 3 metros seguidos, a dar cabo da cabeça à fisioterapeuta todos os dias com a pergunta "e correr? Já posso correr?", increvi-me numa meia maratona.



Aprendi que o gelo é muito importante em lesões e não o calor, como a alminha gosmenta fez o favor de colocar.



Ajudei malta a não passar o dia dos namorados sozinha e tentei ensinar ao tótós o que é o plágio.



Entretevistei mais de uma dezena de pessoas para o FitFinição e cada uma delas me acrescentou alguma coisa positiva: fosse a simpatia, a identificação pessoal, a preserverança, a resiliência ou as gargalhadas. Foram mais de duas horas de vídeo, em que cada conversa se torna única e onde o lado humano sobressai sempre. Pelo menos, tento que assim seja. Em todas as conversas, senti várias vezes a pequenez de que sou feita. Não é fácil falar para uma câmara, muitas vezes com uma estranha a disparar perguntas e a tentar que não se desvie a resposta, mas continuo a acreditar: toda a gente tem alguma importante a dizer. E é isso que faz com valha a pena.



Em março, depois de meses sem correr, percorri os primeiros 10kms do ano. Tinha apenas dois treinos no lombo, demorei duas vidas e três quartos, mas soube a ginja em copo de chocolate. Só valorizamos o que as pernas conseguem quando não temos aptas para o que nos habituaram.



Diverti-me a magotes num trail próximo, não vou fazer publicidade e dizer que foi o dos Pernetas e que a "subida muito fodida" me ficou gravada a ferros nos presuntos durante uma semana, e onde consegui pôr o homem plantado à espera, na meta, durante uma hora e meia. Quando casamos esperou só três minutos, se isto não é amor, então não sei o que será. 

Percorri os 21km da meia maratona, com os pés a arder a partir do quilómetro 8, distribui grande parte dos cubos de marmelada que levei pelo pessoal que me pareceu pior que eu e dei duas de letra com meia dúzia de pessoas ao longo do percurso. Há quem corra para comer, eu corro para conviver. Prioridades. 

Tive meia dúzia de ideias brilhantes, cada uma mais parva que a outra, que apontei para mais tarde. 

Escrevi mais sobre sociedade e política, numa tentativa vã de sair da parvoíce habitual. Não sei se resultou ou não, mas sei que continuo parva. Há coisas que nunca mudam. 

Descobri que estava grávida. 

Não, antes disso ainda fiz duas provas de 10km, uma de obstáculos - o Bravos e Bravitas, divertida como caraças, a propósito - e uma de estrada - a Milionária. 

Percebi que estava gorda e inchada, por isso resolvi fazer uma semana de low carb para perder perímetro abdominal. Não resultou e descobri que estava grávida. 

Passei cinco meses e meio enjoada e por pouco não esgotei o stock nacional de nauseffe. Também tive vontade de matar pessoas a torto e a direito. Os enjoos já foram, as vontades de homicídio qualificado nem por isso. 

Entrei em vários grupos de mães no Facebook, raramente comento, mas quando o faço fico sempre à espera do bilhete de saída. Ainda não aconteceu. 

Inscrevi-me no campeonato de escrita criativa do Chagas Freitas e desisti ao fim de meia dúzia de jornadas, não por me achar espetacular, que não acho, mas por considerar que nenhum vencedor também o fosse. Não consigo ser xoninhas e pirosa o suficiente, só consigo ser parva e por isso desisti. Não me arrependo e aprendi bastante com isso. A manter expectativas baixas, sobretudo. 

Voltei ao caderno de ideias geniais e lancei para o ar da gaiola habitual o "e se criassemos um desafio de escrita criativa"? A mais velha disse amén, os outros rezaram de joelhos mas ninguém disse que não e começou o "Desafio dos Pássaros". Grande parte dos temas ficou a meu encargo, diverti-me comó caraças e a seguir temi pela vida. Sobretudo quando meti Hitler e Deus ao barulho. Com o segundo ainda se pode brincar, com o primeiro nem tanto. 

Fiz 31 anos e o homem organizou uma festa surpresa. Vão dizer- vos que lacrimejei, mas na realidade estava com um cisco nos olhos. Acontece muita vez. 

Abri novamente o caderno das ideias brilhantes e peguei na ideia de fazer uma entrega de prémios aos membros do staff do ginásio. Idealizei a coisa, criei um grupo e fiquei à espera de um "Passaste-te?! Isso é demasiado insano!". Não aconteceu. As categorias foram as abertas e as votações começaram. Terminamos a entregar bíblias, chaves de fendas, fósforos, CDs do Rui Veloso, pacotes de açúcar branco e mais uns quantos prémios parvos. Foi bonito, mas temi pela vida. Outra vez. Gosto mesmo de viver no fio da navalha.  

O ano terminou mais depressa do que o julguei ser possível e não concluí, novamente, o "E se a Imaculada Concepção fosse hoje". Vou tentar para os reis, afinal o natal é quando o homem quiser, certo? 

Termino este 31 de dezembro com mais 9 kgs no lombo, sem conseguir cruzar as pernas decentemente, constantemente a ser soqueada nas costelas e no fígado, com a paciência a descer para níveis negativos, mas com a certeza que 2020 vai ser um ano do caraças. E se  não for, a gente dá-lhe a volta e prova que quem manda no nosso humor ainda somos nós. 

Um grande beijinho a todos que estão aí desse lado e muito obrigada pela presença constante. 

Um brinde a todos nós, que somos todos espetacularmente atrofiados da mioleira. (Aos sãos dá-se água, para ver se aquilo enferruja e ganham juízo)

Desafio dos Pássaros #15

O Pai Natal decidiu reformar-se e as entrevistas começam esta semana. Descreve uma dessas entrevista

Rudolfo bufou, exasperado. 

Já tinha feito mais entrevistas de emprego do que os embrulhos de umas horas de trabalho de um Elfo. 

À sua frente já se tinham sentado: um Pai Natal bêbado depois do seu turno no centro comercial, Rita Ferro Rodrigues que lhe limpou a paciência para os próximos três anos com o politicamente correto, André Ventura que tentou ludibriá-lo com discursos utópicos e assertivos, mas dali não levou nada, que Rudolfo é só um antílope e não um peixe. Esteve três infinitas horas com Joacine, apenas para ela lhe dar os bons dias. Quando a conseguiu despachar, colocou o Radio GaGa em loop, só para descontrair. Trump também tentou a sorte, mas recuou quando Rudolfo frisou que "todas as crianças do mundo, incluem também as mexicanas." Seguiu-se Bolsonaro, que saiu chamando a rena de "animal", quando este lhe disse que teria de usar uma política mais sustentável. Até Greta apareceu, cheia de ideias inconcretizáveis e um punhado de embalagens recolhidas das Maldivas, com as quais pretendia embrulhar todos os presentes do mundo. Bonito, mas inconcebível num curto espaço de tempo. Numa das suas pausas para o lanche, ainda esbarrou com Marcelo Rebelo de Sousa, mas o homem só queria um selfie e não o cargo. Do mal o menos, sempre era mais publicidade para atrair mais candidatos ao cargo. 

A vida não era justa. Tinha pedido férias ao patrão e justamente nesta semana é que o sacana do velho anuncia a reforma. Engoliu o resto do almoço e bebeu o café de um trago só. O próximo entrevistado esperava-o e tinha grande fé neste candidato. 

- Então, diga-me: está disposto a deixar tudo para fazer as crianças mais felizes nesta quadra? 

- Eu já não tenho quase ninguém, sabe. A minha família apoia-me e vou sentir-lhes a falta, mas eu sei que ainda consigo fazer melhor e compensar, de alguma forma, os erros que cometi. 

- Tem experiência em cargos similares?

- Não com tanta responsabilidade, seguramente. Há uns anos largos, numa outra vida, fiz várias pessoas felizes com sorteios num programa de televisão. Era gratificante poder oferecer alguma coisa a alguém que, muitas vezes, não tinha nada. 

- Um programa de televisão, disse? 

- Sim, sim. Olhe, até tinha uma ajudante, quase como o Pai Natal o tem a si. 

- A Lenka? 

- Não, não... - assegurou o entrevistado por entre risos - a minha ajudante era mágica, criou todo um mundo de imaginação à sua volta, as pessoas sonhavam com ela e nem sequer tinha uma curvas tão atractivas como as da Lenka. Fazíamos uma boa parelha. Se conseguir o cargo, vou perguntar-lhe se está disponível para voltar a espalhar magia comigo. 

- Ajudas são sempre bem-vindas. E com magia, ainda melhor! E diga-me: crianças. Como se dá com elas? 

- Oh, as crianças...! O que gosto de crianças! E de as fazer felizes. São um profundo poço de aprendizagem, sabe? Valorizam as mais pequenas coisas e ensinam-nos que o que realmente vale a pena, o que realmente importa não são os presentes mais caros ou as marcas mais luxuosas: é o momento, o tempo e o carinho que lhes dedicamos. Adoro crianças! 

- Há muito tempo que não aparecia aqui alguém com um discurso tão entusiasta sobre a miudagem, sabe. Até deu gosto ouvir. Creio que temos contrato. Vamos só tratar das formalidades e começa... amanhã. Que me diz, senhor... Peço desculpa, relembre-me o nome, por favor? 

- Cruz, Carlos Cruz. 

 

Aprender dói

Há uma semana Caracolinho queixava-se de dores de barriga.
Calhou ser sempre em alturas de mais ansiedade: um dia antes do passeio da escola, na tarde em que havia aula de música de aberta aos pais... Pouco depois da actividade começar, as dores passavam.
Sábado, depois de uma manhã cansativa, adormeceu no carro.
Acordou a chorar que lhe doía muito a barriga.
Fomos ao médico, com vários cenários na cabeça: desde viroses a cancros vários.
Diagnóstico: nada.
Ou melhor: stress acumulado e ansiedade.
O meu filho tem 'apenas' duas actividades: música e natação. A primeira insere-se no horário escolar, a segunda é ao fim de semana.
Não tem actividades pós escola.
Não seria, portanto, excesso de carga de atividades.
Calha, contudo, ser mês de natal: jantares, lanches, festas, festa de aniversário, um corropio seguido, fim de semana sim, fim de semana sim.
Calha também ter uma mãe ligeiramente acelerada.
"E agora? Como raio vou eu gerir esta merda?! Se ainda fosse uma virose... Agora, stress?! Como é eu combato o stress?! Não há medicamento, não há xarope, não há porra nenhuma."
Ah, a sensação de incompetência, misturada com a sacana da culpa. Uma mistura mesmo fixe e explosiva para a cabeça de uma mãe.
Durou cinco minutos, claro, mas foi inevitável passar por ela.
Dicas úteis de uma prima que enerva de tanta tranquilidade que emana por cada poro:

- Menos ecrãs

- Mais atividades que incluam a interactividade (ver um filme não conta, já que a interactividade é inexistente)

- Ensinar respiração abdominal e não torácica para acalmar os nervos

- E... Chupeta, provavelmente.

Vou explicar melhor o último ponto:

Há umas semanas que o rapaz deixou a chupeta. Fazendo uma retrospectiva a frio, não o fez por vontade própria, mas sim por influência nossa e por, provavelmente, querer agradar. A chupeta era o calmante, funcionava na gestão de ansiedade ou de estados de espíritos menos calmos. Tirou-se um ansiolítico, mas não se ensinou uma alternativa, nem tampouco se pensou que seria demasiada informação: chupeta+irmã.
E a verdade é que, apesar do entusiasmo em relação às catraia, é de facto muita gestão emocional para um miúdo de 5 anos.
Assim, à pergunta "Achas que a chupeta te ajudava a passar as dores de barriga?", a resposta foi um rápido e assertivo: "Tenho a certeza! Posso?".
Autch.
Relativiza: preferes uma caixa de ansiolíticos ou uma chupeta? Preferes um miúdo seguro ou uma pilha de nervos?
A resposta foi óbvia, portanto, a segurança voltou. A par de tudo o resto que falei em cima, mas sobretudo como fonte de segurança e conforto. Pede apenas para dormir, mas honestamente, se pedir no meio de uma situação emocionalmente mais frágil, estou-me pouco borrifando. Não posso exigir-lhe que saiba acalmar-se sozinho já amanhã. É um processo em construção.
Modos que os planos para hoje passam por: zero tarefas domésticas para mim, porque são sem dúvida o meu catalisador de turbo e ninguém morre porque a casa de banho não é limpa há dois dias e mais jogos de tabuleiro, slime ou outra actividade que o puto queira fazer. Sempre com calma. (Oh, céus, quase que sinto o espírito do ioga a fluir em mim... 🤦).
Evitar locais com potencial fonte de stress: centros comerciais, locais muito fechados e outros que tais.
Aprender, também, a abrandar e a gerir melhor a correria inevitável do dia a dia.
Se daqui a uma semana não virar buda reencarnado, juro que meto um processo ao fulano. 
Façam aí duas ou três inspirações profundas e abdomais por nós, sim? 
E abrandem também, aprendam comigo: ommmmmmmmmmm.

Desafio dos Pássaros #14

Não nasci para isto

É a 265ª vez que lhes repito o mesmo: não nasci para isto. 

Os sacanas insistem: ninguém nasceu, trabalha-se e consegue-se. Depois, mandam-me para mais uma ronda. 

Não aguento mais. Já não sinto as pernas, falta-me o ar, sinto-me a colapsar de dentro para fora. Como é que eles não vêem? Como é que eles não percebem que, se continuar assim, vão acabar por me mandar para a morgue, ou pior para o hospital? Como é possível ignorar as dores de uma pessoa assim desta maneira tão vil? 

Como numa espiral de euforia que nos leva a loucura, a música continua. Grita aos nossos ouvidos, impelindo-nos mais um pouco para diante. Há sempre um olhar de compreensão que se troca com um colega, na impossibilidade de articular qualquer palavra. Estamos todos no barco, custa o mesmo a todos. Saber disso, mesmo não atenuando a nossa agonia, ajuda a suportar o peso com que nos carregam as costas. 

Olhamos em frente, em busca de novas ordens, exaustos, derreados e já a ver a luz ao fundo do túnel - não a da esperança, a outra que os moribundos alegam existir. 

- Não nasci para isto - repito novamente para mim. 

- Não desisssstteeeeeeeee! - é o grito que se ecoa pela sala, com um olhar reprovador sobre quem tem a audácia de respirar um bocado. 

- Mais oitoooooo! 

- Não nasci para isto - penso, enquanto conto o número de cobras, sem sentir os braços. 

Finalmente, termina. 

Como se sofrêssemos de amnésia, agradecemos ao nosso carrasco, elogiando o seu trabalho e prometendo voltar. É sempre assim: quanto maior o desafio, maior o vício. A mente sai leve, não sentimos nada e nem sequer sabemos como vamos descer escadas no dia seguinte. Nesse momento, temos a certeza: mesmo não nascendo para aquilo, é exactamente daquilo que precisamos. 

 

(texto inspirado numa qualquer aula de crosstraining. Ou Power. Ou Jump. Ou Fitness, no geral.)