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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Pássaros em Debandada

Há anos - não sei precisar quantos,  mas estou em crer que desde sempre - há anos, dizia eu, que falo, ou escrevo, vá, diariamente com a Magda, a Alexandra, a Mula, a Just, o Silent Man, a Fatia, a Drama e a Cunhada. Nunca os vi fisicamente, mas são tão parte dos meus dias como o café com gengibre para acordar. 

Já devem ter ouvido falar na gente: somos a Passarada. Porquê? Perguntem à Magda, não se m'alembram todos os detalhes. 

Se há anos que falamos todos os dias, numa caixa de mensagens que roça o caos, correm os mesmo dias desde que prometemos jantar todos juntos. 

Nunca se proporcionou. Ora porque um não podia, ora porque outro trabalhava, ora porque estamos geograficamente longe, ora porque alguém se cortava (culpada!), um sem fim de cenas que levaram ao não ajuntamento da malta. 

Há dias, recebi uma mensagem do Silent Man dizendo que viria ao Porto, por isso queria jantar comigo. Siga, tudo muito bem. 

O jantar entre famílias - eu assumi que traria a dele, já que o meu homem e o Caracolinho também iam - ficou combinado para as 20:30, o que me dava tempo para arrumar a casa. 

Ora, o que é que me deu para fazer? Dar sete voltas e meia à roupa do puto, revirando caixas e sacos, vendo o que ainda é grande, o que já está peqeuno, o que deve ficar mais à mão e assim por aí a adiante. 

O que é que isto deu? Num caos desde o corredor até ao quarto do miúdo. 

O que é que eu detesto? Casa desarrumada quando recebo visitas. 

Quem é me bate à porta quando eu estava prontinha a despachar as Testemunhas de Jeová da volta das 17?  A Magda, o Silent Man e a Alexandra. 

Ia tendo um enfarte do miocárdio, três AVC's e nem sequer tinha queijo, nem fiambre, para o lache. Vá lá, pelo menos tinha manteiga. Sendo que a Alexandra é vegetariana... Também tinha manteiga de amêndoa. Menos mal. Até porque vieram mais carregaos que o burro dos meus vizinhos quando regressa da feira. 

Quem ficou numa excitação foi o Caracolinho, que adora conhecer gente nova e não lhes largou mais as asas, sobretudo da Alexandra. 

Ainda tentei convencer aqueça malta que podíamos perfeitamente jantar lá em casa. Eu fazia o jantar, na boa e era excusado irmos para um restaurante. 

Não levei a melhor, claro. E ouvi meia dúzia de vezes "Queres sentar-te aqui ao pé de nós?", o que m'enervou um bocado, porque além de eu estar quieta, é À NOSSA BEIRA que se diz. enfim, malta de Lisboa que não percebe nada, para eles é tudo "MAGNÍÍÍFICO", com vários acentos do Í, em vez do bom e velho MARABILHOZO. Sotaques à parte, lá fomos jantar. 

Ora, quem mais estava para a jantar? 

'Xatamente, a Just e a Mula. 

De repente, em menos de duas horas, passamos de um jantar entre dois bloggers, com respectivas famílias, para um jantar a 4 bloggers que rapidamente se transformaram em 6, mais as respectivas famílias. 

E foi... Espetacular! Somos muito bons mas palavras, mas somos ainda melhores nas conversas e parvoíce ao vivo. Foi um peso saber que, no fundo, somos todos tão compatívelmente malucos ao vivo coml aparentamos no virtual. 

Não sei como a Alexandra, a Magda e o Silent conseguiram organizar uma surpresa semelhante, sozinhos e sem se enganarem nas caixas de mensagens. Devem ter sido uns dias bastante aflitivos... 🙄

Ficaram a faltar a Fatia e a Drama, que não conseguiram estar presentes. Contudo, estiveram sempre, mesmo não estando presencialmente. Já a Cunhada, que também não esteve, não se livrou de uma vista à médico no domingo seguinte pela fresca. Depois de me assegurar que os Pássaros do centro e sul tinham um bom pequeno almoço e reforços para a viagem, que eu bem sei que em Lisboa e Coimbra não há cacetes nem regueifa doces como aqui. 

Faltaram os espinafres, mas isso... Fica para uma próxima. 

Atletas Anónimos - Tiago

 

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Tiago, segundo mais velho num total de 8 irmãos, encontrou no desporto o escape para uma família conturbada e a força necessária para ultrapassar algumas fases menos boas que a vida lhe deu. Um entrevista que se revelou mais pessoal e atribulada do que as desportivas que costumam aparecer por aqui, mas que vale (muito!) a pena ler. 

Apertem os cordões e sentem aqui ao pé de nós:

Desde que me conheço faço desporto. Era uma forma de fugir dos meus problemas em casa – a minha mãe era ex alcoólica e isso trazia muitos problemas para casa.

Imaginava o desporto como um trampolim, sonhando ser um jogador de topo. E pensava assim poder ajudar meus irmãos.

Fale-nos um bocadinho sobre essa época no futebol.

A minha primeira época num clube de futebol foi em 2003/2004, no Futebol Clube Cesarence e começou apenas porque o pai de uma amiga me ofereceu boleia: o filho dele jogava lá e ele ofereceu se para me levar.

Acabei de por conseguir ficar porque os treinadores gostaram de mim.

Antes disto, do futebol, fiz ainda uma época de atletismo, onde ganhei alguns troféus e um corta-mato escolar. Era capaz de jogar futebol à segunda, à quarta e à sexta feira. Treinos de atletismo à terça e quinta feira. Jogar futebol com amigos sábado à tarde e jogar pela minha equipa ao domingo.

Tudo para fugir de casa, mas sempre me preocupei com meus irmãos mais novos: levando-os à escola e cuidando deles.

Neste momento, faço em média três treinos semanais.

 

O que mais o marcou durante essa época?

 

O momento que mais me marcou na vida, foi aos 14 anos, no mesmo ano da morte do Feher, senti-me mal a jogar futebol com amigos. Estaríamos no mês de Outubro de 2004, um sábado.

Sendo eu uma pessoa um pouco cismática, comecei alimentar um medo de ter algo e começou uma longa caminhada contra uma depressão, onde também se juntou a ansiedade que me fazia ir parar ao hospital 2 a 3 vezes por semana. Nunca me foi detectado nada, mas o medo de me acontecer alguma coisa estava sempre ao virar da esquina.

Lá consegui fazer mais 2 épocas, lutando contra meus medos, porque tinha o medo maior de deixar os meus irmãos sozinhos.

 

Quando terminou o futebol, o que seguiu?

 

Aos 17 anos, optei por deixar o futebol. Tinha começado a trabalhar para ajudar em casa, não tinha transporte para os treinos… Mas sei que, lá no fundo, foram os meus medos que ganharam sobre mim.

Mais tarde, devido a problemas em casa, acabei por ir viver com a minha avó, até que o meu pai adoeceu com tuberculose.

Senti que tinha de fazer algo por ele visto ter deixado a minha casa, pelo que, durante 3meses, todos os dias, fui ao hospital visitá-lo. Falhei 1dia…

Isso fez- me não pensar tanto na ausência do futebol.

Graças a Deus, ele ainda é vivo hoje.

Entretanto, passei a viver sozinho arrendando uma casa, trabalhando na restauração em part-time e numa fábrica a full-time.

Sem tempo para pensar nos meus medos.

Até que em 2014 me foi diagnosticada tuberculose.

Fui forte e superei. Só aí comecei a ver o quanto tinha sido irracional em relação aos meus medos. Só me apetecia sair dali e voltar a correr.

 

Conseguiu voltar ao desporto?

 

Sim, graças a Deus. Apesar de na recuperação ter feito 4 pneumotorax, tendo inclusive que ser operado.

Passado algum tempo, retomei uns jogos de futebol com amigos.

Numa semana de férias, fiz uma corrida que surgiu por brincadeira.

O vício voltou e então decidi mudar de vida. Deixei a restauração, que me ocupava algum tempo, arranjei um emprego que me permitisse fins de semana livres para fazer algumas provas, como por exemplo: uma meia maratona em 1h36 e um terceiro lugar nos Trilhos Termais em Espinho, na distância de 15km, em junho deste ano. Acho que, no final, quem luta sempre alcança.

Por fim, pedia-lhe que classifica-se o desporto numa só palavra e justificasse a resposta.

 

Resiliência - porque tenho superado algumas pequenas batalhas. A maior contra mim próprio as vezes.

 

                                                                *      *     *     *     * 

 

Muito obrigada ao Tiago pelo tempo que dedicou a contar-nos um pouco da sua história. 

Se quiserem partilhar as vossas histórias desportivas e participar nesta rubrica, podem enviar e-mail para: accaracol@sapo.pt

Plágio para totós

Hoje, quis a minha dor de garganta que ficasse pelo sofá à hora de almoço, em vez do habitual treino. Como tal, passou-me pelos olhos a publicação de Sei lá eu ser mãe, sobre a bebé Matilde e os mais recentes sururus. 
Li, gostei a fui à minha vida. 
Ora, qual não é o meu pequeno espanto, quando vejo o mesmo texto replicado num grupo de mães a que pertenço. 
Não partilhado, mas copiado e colado, sem qualquer crédito ao autor original. 
Cúmulo: mesmo depois de vários alertas sobre a autoria do texto a pessoa diz que "ah e tal, não é meu, mas como estamos num grupo não faz mal". 
Ai foda-se, pró caralho, que até falo mal. 
Alguém acrescenta a cereja "credo! Até parece que o texto vai ganhar um Nobel". 
Ai foda-se pró caralho, que até falo mal. 
Eu acredito, mas acredito mesmo, que grande parte dos copiar/colar não sejam maldade. Acredito que a pessoa não veja mal nenhum, que não tenha pensado, de todo, que está literalmente a gamar. Por isso, no mínimo, o que eu gostava mesmo muito que acontecesse nesses casos seria:

Bárbara:

- Olhe, o texto de facto é muito bonito, mas esqueceu-se do autor. 


Gertrudes:

- Oh, cabeça a minha! nem pensei nisso, vou já editar e colocar os créditos.

E ambas seguiam felizes e contentes, facebook fora. 
Claro que o mais fácil e prático seria a partilha, mas enfim a malta gosta de ir a Braga para dar um salto a Lisboa e pela-se por mais trabalho. O Markito é que pensou mal quando criou aquele botão. Na realidade aquilo é só um bibelot do facebook, um pequeno mono de estimação.

Mas não é isso que acontece. A malta não faz por mal, é alertada, assume e não corrige. 
Jamais entenderei as pessoas.

Por isso, e porque fiquei deveras com possuída pelo deus da honestidade e dos bons costumes, elaborei um pequeno guia para saber o que é plágio e porque não o devem fazer:

1) Pegarias numa peça de uma vizinho, coloca-la-ias na tua casa só por ser bonita, sem dizer que era o do Miguel do 3o esquerdo? Não, pois não? É a mesma coisa. Só que aqui o vizinho não vê que lhe gamaste a peça, portanto, não pode reclamar.

2) O teu filho/a escreve um texto numa folha em branco. Um colega surrupia e entrega a um professor como sendo seu. Bonito, não é? É exatamente a mesma coisa.

3) Escrever DÁ TRABALHO, porra! Muitas vezes é mesmo só isso dá: trabalho. E outras tantas vezes, a única coisa que o autor recebe é o reconhecimento, que ainda não paga contas, que eu saiba, mas que é sempre bem-vindo.

4) Lá porque há textos bons, não quer dizer que ganhamos todos o prémio Nobel. Usar esse argumento para copiar/colar é só estúpido. (Este é uma espinha no meu esófago, foda-se que lata! )

5) A honestidade, os bons valores, a boa moral e a integridade ainda cabem no Facebook.

6) A Gertrudes copiou, sem maldade. A Esmeralda copiou, sem maldade. A Genoveva copiou, sem maldade. A Rosa copiou, sem maldade. A Antonieta copiou, sem maldade. Até o Abel copiou, sem maldade, mas agora não se sabe de quem é o texto, quem é que queimou os neurónios à procura de sinónimos e palavras e até a Tia Aurora agora diz que é dela.

7) Não faças do botão PARTILHAR um bibelot.

Sê responsável, partilha as publicações. Diz não ao plágio.

E agora?

Foi impulsivo, assumo, deveria ter pensado melhor, delineado uma estratégia, mas... não há uma lei qualquer da vida que diz que devemos esquecer os planos de vez em quando? Que devemos ser espontâneos, em vez de certinhos? 
É, não é? Então pronto, fiz a coisa certa: limpei o carro. 
Até aqui nada de mal. O problema é que ele agora cheira a pinho. E eu faço alergia ao pinho. E não o sinto como meu. Já olhei três ou quatro vezes para o interior das portas e nem um lenço de papel usado à vista. Nem uma embalagem de bolachas vazia. NA-DA. 
E o chão? Sabiam que o chão do meu carro é preto? Também não me lembrava. Já há muito tempo que me habituara ao camel da areia. E pedras? Nem um calhauzinho debaixo do tapete. Nem uma pequena rocha no assento do passageiro. Nem... Nem um pedaço de granito ao pé da manete das mudanças. Está tudo limpo e imaculado e cheira a pinho. Já disse que cheirava a pinho? 
O problema, para além de ter sido estúpida o suficiente para aspirar areia e não a vender para as obras ilegais, é que estou com problemas de ligação ao bólide. Sinto que lhe fiz um bem maior, mas já não me sinto ligada a ele. Não o sinto como meu. E isso dói, bem lá no fundo, ao pé dos calcanhares. Ah, não, espera, isso é só o tapete que ficou dobrado debaixo do acelerador. Bom, mas dói e temo que a nossa relação não possa vir a ser a mesma de antes. Temo que agora me dê máximos, cada vez que não sacudo os pés do miúdo quando voltamos da praia (e os meus também...). E se me buzina aos ouvidos quando enfardar pipocas lá dentro? Ou batatas fritas. Pior: se lhe dá uma síncope quando sentir o caroço de uma ameixa, embrulhado às três pancadas num lenço de papel, abandonado sabe-se lá até quando no interior da porta. 
E se... E se... Se o meu carro, de repente, se transformar no meu homem? 
Pronto, está decido. Vou obrigar o miúdo a brincar com terra na mala. Só manter um certo nível de charme naquele carro. 

Experiências #16

Vazio, escuro e sem fim à vista. Mais uma mentira da humanidade: prometem-nos que a morte é branca, serena e luminosa, como uma sala que recebe o amanhecer todos os dias, a todas as horas. Ninguém fala do negro, da tormenta e da culpa. Talvez por ser mais fácil assumir que vamos para o nosso melhor local e não para o nosso pior buraco. Não é assim em vida? Porque haveria a morte de ser diferente?

Perdida no gigante corredor escuro, Carolina tentou, uma e outra vez encontrar o caminho de regresso. Não havia. Era como se estivesse a mergulhar no mar alto, atingindo aquele ponto em que já não se sabe se se nada em direcção à superfície, se pelo contrário, se vai afundando devagarinho. Caminhou mais um pouco no chão vazio de cor, suspensa no nada, até que um pequeno ponto luminoso, como um pequeno e tímido pirilampo, tremeluziu à frente. Correu na sua direcção, num sprint que rapidamente lhe tirou o fôlego. Outro pontinho minúsculo de luz juntou-se ao primeiro. Carolina lançou-se novamente para a frente numa corrida desenfreada. Não lhe parecera tão longe da primeira vez. Talvez no inferno as pessoas ganhassem mais acuidade visual, uma espécie de superpoder para atormentar, ainda mais, as almas em desespero.

Não sabia o que fizera para ter semelhante fado. Tentara sempre fazer o seu melhor, escolhendo a menos má das hipóteses. Não prejudicara ninguém, não atropelara ninguém para chegar ao topo. Todos os meses contribuíra para causas solidárias, umas ezes mais outras menos. Não se metera em vidas que não eram da sua conta. Onde errara? O que fizera para merecer este lugar? Se todas as suas escolhas foram feitas com consciência, se todas as noites conseguiu adormecer sem peso na alma, se sempre fora boa pessoa… Porque veio aqui parar?

Tomás.

Não, não podia ser. Fez tudo o que podia por ele. Aguentou o casamento até onde pôde, mesmo quando já não havia qualquer relação e ambos se odiavam: ela porque ele se recusava a seguir o tratamento, ele porque estava em crer que ela o manipulava. Terminou o casamento, porque já não suportava mais uma relação tão conflituosa e tão cheia de rancor. Ninguém a podia culpar por isso.

A não ser ela própria.

E, sendo completamente sincera consigo, havia uma pontinha de culpa a querer pular do lugar recôndito onde permanecia guardada? Não a culpa de querer uma mudança  segura numa vida sem norte. Não a culpa de ter agido em prol da sanidade mental dela e da filha. A culpa não fora de Carolina, a doença e consequente decadência Tomás, não eram culpa sua. 

Mas o depois talvez fosse. 

Quantas chamadas por dia recebia do ex-marido? 

Quantas atendia? 

A quantas mensagens respondeu? 

Quando fora a última vez que se dignara a falar com ele? 

Ele tinha-a magoado. Muito. Garantira que estava mudado, que as coisas estavam finalmente a encarreirar, que até tinha arranjado um emprego. Tomás dissera-lhe isso numa mensagem, depois de ter tentado uns quantos telefonemas em vão. Carolina nunca respondeu. Ou pelo menos, não a esse assunto em concreto, talvez lhe tenha enviado uma mensagem, uns dias mais tarde, informado o dia e a hora a que poderia estar com Maria. 

Era essa a culpa que sentia: de não lhe ter dado uma segunda oportunidade, de não ter acreditado que era possível mudar, de não estar lá para ele, para comemorar um emprego simples num supermercado ou para assistir ao seu esforço de retomar o fio à vida que deixara suspensa. Toda a gente merece uma segunda oportunidade, não era isso que apregoava aos sete ventos, nas suas reportagens? 

Determinada a esquecer a culpa por momentos, Carolina focou novamente os dois pontinhos de luz na escuridão que a circundava. Já não eram só dois pirilampos. Eram vários, encaixados entre si, formando um pequeno foco luminoso. Correu para a luz, sem perceber que não se movia do lugar. As pernas rolavam, uma atrás da outra, numa passada ofegante e desesperada. A escuridão parecia passar a alta velocidade, mas a pequena lanterna manteve-se sempre no mesmo lugar, sempre à mesma distância. 

Cansada, Carolina deixou-se cair no chão de nada, tentando conter as lágrimas que se formavam. 

Lá longe, na pequena lanterna, outros pontos de luz juntavam-se aos anteriores. Como um retrato que se iluminava pixel a pixel.

Ao cabo de uns minutos, já não havia uma lanterna, mas um retrato iluminado de um rosto pequeno e redondo. 

Sem o seu consentimento, as lágrimas rolaram cara abaixo e o peito abriu-se num grito mudo. 

Fitou o rosto da moldura, murmurando um sem número de desculpas, entre uma nova torrente de lágrimas. 

Correu novamente para ele. Novamente, não saiu do lugar. 

Lá longe, o rosto sorridente e alegre parecia fazer troça do seu esforço. 

Carolina percebeu então que o mais a amargurava, não era a culpa, n as ações, nem o que de pior tinha feito na vida. 

O que realmente lhe rasgava o peito de dor, era nunca mais conseguir alcançar aquele rosto, nunca mais o ver ao vivo, sentir a pele suava debaixo da sua mão. Ver o brilho no olhar quando ria de entusiasmo. Eram tudo prazeres que já não lhe estavam destinados. 

Como se a tivesse escutado, o rosto mudou de expressão para uma gargalhada muda. Era a personificação da felicidade em estado puro e tudo o que de melhor o mundo pode ter. 

Era Maria. A sua Maria. 

 

 

 

"Não podes dizer que correste meia maratona"

Disseram-me. 

E eu, distraída por natureza e pessoa esquecida, voltei atrás e reli o texto que suscitou este comentário. 

E li, reli, voltei a ler, li mais uma vez e não encontrei, em parte nenhuma, algo que dissesse isso: corri uma meia maratona do início ao fim. 

Expliquei isso mesmo: "Olha, mas eu nunca disse que corri os 21.5km. Aliás, há uma parte que diz 'ora a correr, ora a caminhar'. 

"Sim, mas o que eu quero dizer é que não podes dizer que fizeste meia maratona". 

Okayyyyy... Voltei atrás no tempo e parei no domingo. Não me lembro - e eu sei que sou distraída - de ter dito, mencionado, frisado ou escrito que FIZ meia maratona. Tentar, participar, correr, caminhar foram os verbos que mais utilizei. 

"Sim, mas o que tu fizeste foi uma caminhada. Para isso, não ias."

Ahhhhhhhhhhhhhhhh! Então o problema desta pessoa, não é eu não escrito que corri ou que fiz uma meia maratona. O problema desta pessoa é tão simplesmente eu ter-me metido nesta aventura, sem experiência, sem certeza de acabar e sabendo, de antemão, que não iria conseguir correr todo o percurso.

O problema desta pessoa, deduzo, é a incapacidade de se limitar a ficar feliz por alguém que se aventurou, tentou e conseguiu chegar ao fim. Sem elogiar a corrida que não houve, sem o mérito de terminar num tempo reduzido. Ficar feliz só porque sim, só pela pequena vitória do outro. 

E isto acontece não só nisto, que é banal, corriqueiro e completamente irrelevante para alguém que não eu, obviamente, mas também em situações exponencialmente maiores e em pessoas cuja confiança tem valores negativos e que, muito provavelmente, desistiriam de voltar a tentar, de se meterem em novas aventuras, de aceitarem desafios que as façam sentir capazes e lhes devolvam a crença em si próprios. 

Não partilho isto para que me digam que a pessoa tem razão e que eu não corri, efetivamente, os 21.5km. Eu sei disso. também não o faço para que me digam para ignorar ou para não ligar e quem ganhou fui eu. Também sei disso e, acreditem, eu ignorei a partir do segundo comentário. Só queria mesmo perguntar:

quando foi mesmo que a humanidade se perdeu e a empatia ficou pelo caminho? 

Quão pequenos nos tornámos, quando somos incapazes de partlhar a felicidade de alguém? 

 

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Recuerdo desta prova. Tal como todas as outras, faz parte do stock de medalha do Caracolinho, que fica todo contente por ter mais uma medalha para brincar. 

 

 

 

 

Tentei meia maratona e sobrevivi para contar a história

Ontem, foi dia de EDP Meia Maratona do Douro Vinhateiro, uma forma engraçada de atrair a malta e dar cabo do canastro ao pessoal num dia tórrido de calor e ao longo de uns extensos 21.5km. 
Começo por dizer que quando me inscrevi não dava um passo. Literalmente. Inscrevi-me no auge das tendinites de Aquiles e não conseguia sequer caminhar dois metros sem me sentar e sem parecer fazer breack dance. E porque me inscrevi? Porque, na verdade, desde que corri os primeiros 10km, que ficou o "e se?". Os "e ses" são lixados. São o vinho na marinada das decisões e quando vemos uma hipótese, por muito disparatada e louca que nos possa parecer, deixamos que vença, mesmo com excelente e fácil desculpa para não o fazer, mesmo com os 678 arrependimentos posteriores, mesmo com as dúvidas, os medos e as ansiedades que o "sim" acarreta. 
Como correu? Foi correndo. Uns metros a correr, outros a caminhar. 
Estava um calor infernal, toda a água me parecia pouca e os 10km pareciam inalcançáveis. Aos 8km, com os pés a arder - literalmente - caminhei o primeiro pedaço. Soube pela vida, mas retomei pouco tempo depois, para mal dos pecados das minhas coxas. 
Esgotei com os "foda-se!" todos entre o quilómetro 10 e o quilómetro 11. Depois, percebi que não me adiantavam grande coisa, além do poder libertador e da sensação de que ainda mando na minha própria morte e, portanto, posso manda-la abaixo de Braga as vezes que me apetecer. 
Foi maizomenos por aqui que encontrei a Ana. 
A Ana é maratonista e corre comó caraças. A Ana correu num ritmo que não era o dela, para acompanhar uma amiga naquilo que, para ela, seria apenas um mais um treino. A Ana puxou por mim, várias vezes, ao longo de 5km. Sem parecer frustrada, melindrada e sempre com uma energia invejável. A Ana é leitora aqui do bagulho e merece as vossas ovações nos comentários, tal como a Vânia, a amiga que ia a acompanhar e que foi uma valente até ao final. Parabéns Vânia! 
Depois da Ana, percorri mais alguns metros com uma miúda de Lisboa que penava por não ter treinado mais, por se baldar aos treinos nos últimos dias e pelas dores que sentia. Amiga, tamo junta. Treinos longos? Nem vê-los. Últimos 10km seguidos? Março. Baldas a treinos? Digamos que fui a rainha das baldas injustificadas estas últimas duas semanas. 
Ao quilómetro 16 esbarrei com um grupo castiço e barulhento. Não sei como conseguiam fazer tanto barulho, quando eu só me esforçava por respirar em condições. Valentes! 
Toda a gente com quem cruzamos caminho nos diz que "está quase". À maior parte, respondemos a sorrir, quando na realidade estamos a pensar se os mandamos dar uma curva. Depois, pagamos caro e dizemos o mesmo a outra pessoa. O karma é lixado e até numa meia maratona isso se percebe. 
Nos últimos quatro quilómetros dei comigo a imaginar como seria se não tivesse vindo. Provavelmente, não teria feito meia dúzia de graçolas para animar o rapaz que caminhou uns metros comigo, gozando um bocado com o nosso estado insano. Provavelmente, o senhor agarrado ao gémeo não teria recebido dois quadrados de marmelada de uma estranha que não fazia porra de ideia no que se estava a meter. Provavelmente, não teria dito a uma moça "tenho aqui açúcar que gamei do café. Queres? É do bom, branquinho como a neve." Acima de tudo, provavelmente, não me teria superado. E não falo só pelos quilómetros nas pernas ou pelo sprint final, falo por tudo aquilo que não se vê: o ânimo, o humor e a relativização de problemas que uma prova deste calibre traz. 
Sim, fui com medo. Sim, fui com pouca preparação. Sim, caminhei muitas vezes. Não, nunca, nem por uma única vez, tive vontade de desistir. Mesmo com todos os 'foda-se!', com os todos os "valham-me os deuses", com todos os "não dá". Porque dá sempre. Se não vais tão depressa, vai mais devagar. Se alguém te diz que está quase, a seguir fazes o mesmo a outro, se alguém te incentiva, tu fazes o mesmo. Uma e outra vez. Os quilómetros passam, a paisagem muda e quando dás por ti estás na ponte e já está mesmo quase. Calam-se os tendões, as bolhas, os pulmões e segue-se como se pode. 
Ainda caminhei um bocado nesta fase - podia jurar que o asfalto se cravava na planta do pé - por cada metro percorrido sentia que recuava três. Sucumbi ao meu lado nerd e dei comigo a repetir mentalmente "Not today" até encontrar a Nelma. Ou ela me encontrar, vá. Quase que a abracei, felizmente contive-me a tempo. Correu comigo os derradeiros metros, mesmo já tendo terminado a prova dela. Obrigada Nelma, aqueles dois dedos de conversa souberam melhor que três pacotes de marmelada. 
Duas horas e quarenta e cinco minutos depois, cheguei ao fim. Não sabia se queria rir, chorar, vomitar ou comer. Tudo ao mesmo tempo, num embrulhanço de emoções que não têm palavras para ser descritas. 
Já agradeci a várias pessoas, ao longo deste enorme texto, mas faltam algumas: à compincha Carla Beça que me acordou com um safanão "não paniques agora!" e tentou por tudo manter-me a correr até aos 10km. És a maior Carlinha! À Carla Chaves, à Irma, ao Nuno, ao Pedro, ao Tiago, ao Zé e ao Soares que no meio do seu próprio sofrimento tiraram dois fôlegos para a dar energia extra a quem ainda não tinha dado a volta. 
Por fim, mas não no fim, à enorme Cátia a quem fui incapaz de dizer "nem penses! És louca?!" no dia em que propôs isto. Porque sim, sempre quis tentar, mas também sim, com ela fez toda a diferença. E eu juro, Catiazinha, que corria mais cada vez que te imaginava a gritar "é pra correeeeeerrrrrr!"

O texto já vai demasiado longo, mas quero relembrar: não corri até meados de fevereiro. Não dava dois passos seguidos quando me inscrevi. Não treinei o suficiente. Mesmo assim, terminei 15 minutos antes o estipulado. Se isto não é ser a maior da rua, então eu não percebo nada disto. 

(Mas não me meto noutra. Ai não, não! 😬)

Ranking dos rabos de Game of Thrones

Game of Thrones acabou, estamos todos  muito tristes e inconsoláveis, por isso este ranking  faz todo o sentido, mais que não seja para lavar as vistas das lágrimas de saudade. 

Não foi uma escolha fácil, há muito e bom material para análise, mas tentei ser o mais rigorosa e idónea possível. 

Comecemos pelas menções de honra, porque há nádegas e nádegas e isto é como a corrida pelo trono de ferro: só um merecedor do ouro. 

 

12. Melisandre

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Melisandre’s bewitching bum

 

Nada mau para uma velhota de 310 anos. Obviamente, isto deve ter levado com um cadinho de bisturi aqui e ali, mas não é um mau nalguedo e tira fofinha da Ygritte deste ranking. (Só entre nós, Ygritte, mi amore do norte, agacha mais e faz menos braços, ok?)

11. Olyva

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Olyvar’s treacherous tush

Ora aqui um excelente exemplar de glúteos. Tão bem trabalhados que até fazem covinha na bochecha. Um bom trabalho muscular, sim senhora. Pena que o jovem jogue na equipa errada, mas enfim, não se pode ser perfeito.*

 

10. Ros

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Ros’s rear

A Ros era das minhas personagens favoritas e chorei a bandeiras despregadas com o fim que lhe destinaram. A par de  um excelente par de mamas, era também detentora de um rabinho perfeito e capaz de provocar torcicolos a torto e a direito. 

 

9. Jaimie Lannister

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Jaime Lannister’s king-slaying keister

Suponho que, além da cara muito parecida com o Encantado, do Shrek, a DreamWorks também lhe tenha desenhado as nádegas. Rabo Encantado, em nono lugar neste ranking espectacular.   

 

8 e 7. Robb e Talisa

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Robb Stark’s Kings in the “South”

Tive que ir buscar os lenços de papel para estes dois lugares. Não pela fraca qualidade da amostra, mas pelo Red Wedding. Uma pena que aquele embrião não tenha sobrevivido com genes deste gabarito, tinha tudo para nascer com o rabinho virado para a lua. 

 

6. Grey Worm

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Grey Worm’s unsullied cheeks

Lamento, mas não havia imagem menos promiscua. Na realidade, até nem lamento muito, assim sempre temos uma perspectiva do pacote completo. Podia ter ali um cadinho mais de curva, mas, no geral, não é um mau exemplar. Prova até que Deus quando nos tira uma coisa, acrescenta algo em dobro. 

5. Ramsey

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Ramsay Bolton’s bastard buns

O gajo é uma besta quadrada, mas tem rabo do caraças (e dorsal, já agora).  Um  óptimo espécimen de nalguedo para acompanhar a hastag #bumbumnanuca. Já o da fulana que o acompanha nesta imagem... Bem, miúda,  dá-lhe forte nos treinos que'isso 'tá quase no rés do chão.  

4.Khal Drogo 

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Khal Drogo’s moon

O homem até podia ser caladito, mas com um traseiro destes também não precisava de falar muito. 

 

Chegamos aos pódio. Não foi uma competição fácil, muitos ficaram pelo caminho e nem às menções honrosas chegaram, mas a vida às vezes até para os rabos é ingrata. 

 

Rabo de Cobre (3º lugar) - Daario Naharis

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Com direito a gif, para avaliarem melhor a qualidade superior desta bunda. Nada a apontar, nem uma febrinha fora do sítio, benzódeus. 

Rabo de Prata (2º lugar) - Brinne de Tarth 

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Brienne of Tarth’s knightly heinie

É de uma pessoa ficar verde d'inveja, que nem em posição de agachamento pró resto da vida, uma pessoa fica com um conjunto glúteo-montanhoso deste calibre. Não lhe chegava ser hábil com armas e dar muita coça a muito bom homem, ainda tinha que ter um rabo destes. Parvalhona. 

Rabo d'oiro (1º Lugar) - Jon Snow 

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Talvez tenha sido influenciada por aquela carinha em óleo sobre tela de Vermeer, mas Snow leva para casa o Rabo D'Oiro. E não é só por esta amostra, porque há todo uma panóplia de imagens deste bumbum ao longo da série. A oferta é tal, que o actor poderia muito criar um portfólio só do seu traseiro. Twelve points para este conjunto de nádegas, perfeitamente alinhadas com luas de Júpiter e em plena comunhão com as sinergias do universo. Para apreciarem melhor o pacote integral: 

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Quanto à Daenerys, que me desculpem os fãs mais afincados, mas daqui não leva nada. Teve os seus dragões, teve três bons rabos ao seu dispor ao longo da série, não precisa de destaque para o seu próprio conjunto de nádegas batidas em castelo firme. 

Está feito. Não foi um trabalho fácil, haviam muitos e bons candidatos ao pódio,  foram algumas horas do serão dispendidas em análise exaustiva de amostras, mas o que é que eu não faço por este blogue, não é verdade? 

Digam de vossa justiça, a minha apreciação final não é soberana e é apenas baseada nos mais altos padrões de avaliação ao glúteo. Concordam com o Rei dos Rabos? Ou preferiam outro Senhor das Nádegas para o lugar? Desclassifiquei alguém com bumbum imporante? Contem tudo, não escondam nada. 

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* Não me acusem de homofobia. É só mesmo uma piada. O mesmo se aplica ao Grey Worm. Já na Daenerys não posso dizer o mesmo. #Cabra 

 

 

Sobre os últimos momentos de GoT - sem spoilers

Vi ontem, de uma assentada, o penúltimo e o último episódio de Game of Thrones. Tecnicamente, vou na temporada 3, mas sou uma herege das séries e não me tira o sono não ver a história seguida. 

Dizia eu, vi ontem os dois últimos episódios da série e, francamente, não percebo este sururu à volta do enredo. Tenho para mim que quem acha esta temporada má já se esqueceu da primeira, onde a ação acontece apenas no genérico e a intriga demora duas vidas a desenrolar.
Vi três episódios da 8a temporada (a batalha de winterfell e estes dois últimos) e nenhum deles me desiludiu, mesmo achando que a batalha aconteceu de forma muito rápida e pouco perceptível.
A história até pode não ter terminado como gostariam, pode até ter perdido um pouco do medo que parecia não ter, matando personagens, mudando a personalidade a outras e alterando destinos ao rumo da sua vontade.
A série perdeu a essência, dizem alguns, mas eu acreditei. Durante cerca de três horas, ontem, não estive no meu sofá: estive em Westeros, sobrevivi à queda do império, percorrido o caminho silencioso com Tyrion e chorei com ele, senti o tormento de Snow, sabendo o certo, mas desejando o errado. Porra, até o dragão me fez lacrimejar!
Se uma série que nos consegue fazer acreditar não é uma boa série... Então, eu não percebo nada disto.
Game of Thrones acabou, mas mesmo no fim, eu acreditei que aquele mundo paralelo e inventado existe e que hoje continuam as suas vidas, sob o comando de um novo rei dos sete reinos. Não acho, por um só momento, que tenha perdido a magia ou o encanto.
Se eu gostei do final? Eh. Assim, assim. Se eu acho que foi um mau episódio? Nem por sombras.
Pronto, era só isto. Agora vou voltar à terceira temporada. 😜

Eurovisão - uma espécie de review. Ou então não...

Ia só ver Portugal, mas acabei por ver tudo e não podia guardar tanto sofrimento só para mim. A minha dor é a vossa dor e temos que ser unjepojoutros, por isso aguentem e não chorem... Que foi o que eu fiz durante uma hora e meia.

A coisa começa com uma #wannabeMadonna que também ficou vidrada na indumentária lustrosa da Trinity (a do Matrix), vinda diretamente do Chipre.

Seguem-se os Excesso, que agora, além da música a escorrer mel de qualidade duvidosa, têm uma gaja como elemento principal. Chipre na vanguarda do revivalismo.

A Finlândia queria muito ter um Henrique Iglesias, mas não tinha capital.

Os polacos inovaram, vestiram-se de Cármen Miranda e cantaram em polaco. Não percebi um cacete, mas o que importa é atitude e eu também odeio estrangeirismos.  #tamojuntoPolónia 

Aos meninos queridos da Eslovénia (quer dizer eu só ouvi a moça, o rapaz fazia parte do cenário, com certeza) só tenho a dizer: filhos, se isto der errado, podem sempre dedicar-se a fazer vídeos promocionais a anti histamínicos. Aquele vídeo clip não engana: ali ninguém tem crises de rinite alérgica.

Os moços da República Checa copiaram-nos a ideia de inclusividade e utilizaram as cores da LGBT. Achei giro e pelo menos teve mais utilidade que a nossa ideia peregrina de pintar passadeiras. Ou alcatrão. Ou lá que raio queriam fazer.

A cachopa da Bielorrússia gostava muito de Britney Spears em adolescente e reencarnou a personagem com distinção.

Sérvia apresentou-nos uma Celine Dion constipada com dois ou três brufens no bucho e um nadita indecisa quanto à língua que assume. Ora a nativa, ora inglês, ora nativa, ora inglês.

Já Bélgica percebe-se que investiu bem nisto e traduziu a letra para código morse. Isso e na clonagem do Justin Bieber. (Igualzinho. Juro.)

Alto que chegou um religioso da Georgia. O país apostou na pregação e levou uma Testemunha de Jeová a palco. A sério, posso jurar que o moço disse 'Iavé' mais vezes do que aquelas que o nome divino aparece na bíblia. Até pode não ser, mas daqui parecia mesmo.

Finalmente uma apresentação que apresenta algum conteúdo atual e prespicaz: Austrália acabou de vez com a teoria dos terraplanistas e provou que a terra é redonda. Podiam era ter evitado os cogumelos, mas enfim, não se pode ter tudo.

A Estónia achou giro levar o Bradley Cooper. Esqueceu-se foi da Gaga (e do próprio...).

Ah, o nosso Portugal! Osíris subiu a fasquia e partiu os ecrãs todos. Claro que os reposteiros que envergavam são capazes de não ter ajudado, mas o que é isso comparado com as  penas de ganso usadas no primeiro espetáculo?

Na Grécia, percebemos que alguém assaltou o museu do traje e pelo caminhou levou um carro alegórico do carnaval de Torres Vedras.

Para a acabar em beleza: San Marino ou o Toy versão estrangeira. Nunca julguei ser possível. #Respect

Modos que foi isto. Só frisar que este texto não reflete a opinião sobre cada artista e é somente... Uma espécie de piada. Pode não ter é muita, mas isso já são outros quinhentos. 😜