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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

1º Uma histótia como tantas outras

Ano Novo, vida nova! Ou deverei dizer, blog novo?
Bem, entrei no novo ano ligeiramente mais pesadinha.... Bah, quem não come demais nestas consoadas?! Ah, certo, hoje também é dia de consoada! Venha de lá mais bacalhauzinho, faz favor! E bolo rei, já agora.
Consoadas à parte, o ano passado foram umas vésperas de festa a valer!... Adoro os preparativos, o cheiro a aletria acabadinha de fazer, o aroma do bacalhau, do azeite, do pão, do alho... Adoro a azáfama que antecede a ceia, com a sogra sempre a perguntar se é preciso ajuda, o cunhado a perguntar se já é meia-noite (o meu cunhado tem apenas 8 anos, tá?), o marido a tentar meter o dedo nos doces e o sogro à procura dos castiçais. Natal, para mim, é exactamente isso: azáfama, bagunça, loiça a amontoar, embrulhar presentes à última hora (este foram só 2 que ficaram para a última), empatar a canalha (e os adultos) até à meia -noite e depois.... Presentes! Claro, quem não gosta de presentes? Eu adoro receber prendinhas, se forem estilizadas melhor! :-D
Em vossa casa, não há sempre alguém que se dedica a apanhar os laçarotes das prendas para reutilizar? Lá em casa também, e não, não sou que faço isso.
Depois de todo o papel ter voado, de todos os cartuchos estarem gastos, chega enfim a nostalgia. Chega - se é que alguma vez chegou a partir, ou sequer a atenuar - a saudade. De quem não está e poderia, deveria ainda cá estar. Mas não estão. Conhecem aquele poema, do grandioso Camões, "Alma Minha Gentil, Que Te Partiste"? Sempre foi um dos meus poemas preferidos. Se não conhecem, permitam-me que vos apresente (e saliento que não têm outro remédio se quiserem acabar de ler o post;-))

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.



Não é belo? É um poema deveras magnifico, místifica a morte eternizando o espirito de quem parte. É tão puro, tão dolorosamente sentido, que chegamos a querer fazer parte da dor do poeta. Ainda bem que é nosso, é daquelas coisas que a troika ainda não nos pode tirar. Mas divago...
É um poema que me lembra os meus pais, que tão cedo partiram deste mundo.  Assim que vos contar a história deles, vão conseguir perceber o porquê.
Descansem, não é uma história fantasticamente mirabulante, com princesas e um principe encantado, é apenas, e somente, Uma História Como Tantas Outras.

Até ao próximo post.

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