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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

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Desafio - Uma paixão chamada livros #4

O livro que me desiludiu

 

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Tive um pressentimento quando foi lançado, pelo que não o comprei logo. Peguei várias vezes nele, mas acabei sempre por deixa-lo na prateleira. Durante imensos anos, Sparks foi um dos meus autores preferidos, consumia tudo o que lançava com voracidade, mas este... Havia ali qualquer coisa na sinopse que me fazia torcer o nariz. Um gajo que percorre um continente a pé por causa de um fotografia de uma gaja que nem sequer conhece? Hmmm... O gajo considera a foto um amuleto? Hmmmmmmm...

Mas um dia... Um dia, o Big Boss da Sonae fez um bruto desconto e eu achei que não o podia deixar ali, com aquele preço. Afinal, o que poderia correr mal? Era Sparks, só podia ser fixolas. Assim como assim, quando sou fiel ao autor, gosto de ter as obras todas...

Burra! Burra! Burra! Pessoas, ouçam o que vos digo: nunca ignorem os vossos feelings literários.

A única coisa que não me desiludiu neste livro foi o cão. Mas esses, já se sabe, nunca desiludem ninguém. =)

Assinala-se hoje o dia mundial da luta contra o cancro

E eu continuo a perguntar: como raio vamos lutar contra algo que vive dentro nós? Algo que nós geramos? Como vamos asfixiar um tumor, se continuamos a respirar? Como o vamos matar à fome, se precisamos de nos manter bem nutridos? Como vamos aniquilá-lo sem ficarmos exangues? Como? Com tóxicos, com radiações? Mas como, se eles próprios geram novos cancros? Não há uma resposta efetiva, real, capaz de nos satisfazer. Não há cura, há um adiamento, um tratamento, algo que nos prolonga a existência. Mas não há, ainda, cura efetiva.

Dizemos muitas vezes que é uma luta desigual, mas não será uma luta entre semelhantes? Um mano a mano de células que partilham o mesmo habitat, o mesmo ADN, o mesmo sangue?

Siddharttha refere no seu brilhante "Imperador de todos os Males": Não será um cientista sozinho, fechado no seu laboratório, confinado ao seu microscópio, a descobrir a cura. Será uma equipa multidisciplinar. Serão oncologistas, investigadores, farmacêuticos, geneticistas, imunologistas, doentes, todos terão um papel importante nesta demanda. É preciso que hajam menos entraves aos investigadores, mas também é preciso que estejam dispostos a partilhar os louros, a saber escutar colegas de outras áreas, mas é preciso, acima de tudo, é muito preciso, que se veja o doente. Que não seja mais um, que não seja um cancro, um sarcoma ou uma leucemia. Que seja o Sr. António, a D.Augusta. Que tenha acompanhamento psicológico desde o princípio (não venham com merdas, é um balde de água gelada que nos cai pela cabeça abaixo, é preciso, sim), que haja uma equipa multidisciplinar, aqui incluo a medicina paliativa, que se fale com o doente, que se escute quem sofre, que não se lhe esconda nada, mas também não se lhe tire o tapete do chão. Que se permita que o doente tenha voz durante esta jornada. Que se permita ter quem mais se quer por perto, que se permita uma sobrevivência digna.

É pedir demais, eu sei, mas é esta luta que julgo ter que existir. E é nesta luta que TODOS podemos batalhar. Dando sangue. Dando plaquetas. Dando tempo. Escutando. Vendo. Partilhando. Abraçando. Chorando. Rindo. Beijando. Amando.

 

A propósito deste dia e em jeito de conclusão, não percam esta fantástica entrevista.

 

Mário report

O Mário é levado da breca. A sério, aquele moço vai tingir-me o cabelo de brancas. Até há uma semana, chorava para ir para o banho, agora chora quando é para sair; detesta vestir-se, ou despir-se, ou tudo o que implique ficar sem poder mexer as mãozinhas durante 30 segundos, é um rapaz muito ocupado, não gosta de perder tempo com ninharias; continua dramático na arte da manipulação, mas agora descobriu que é muito mais fixe bater com os pés no chão (dai-me paciência!); adora abrir gavetas, mas já sabe que não deve  deixa-las despojadas (aleluia irmãos!); deixou de chorar quando fica na creche e já houve dias que me deixou ali sozinha, na entrada, enquanto caminhava alegremente para a sua sala (tão pequenino e já me voa o fedelho!); dá beijinhos, que dizer abre a boca e encosta-a à nossa bochecha, às vezes também se sai com uma lambidela, acho que deve ter aprendido com o Cusco; leva as mãos à cabeça quando lhe dizem "ai a minha vida!"; faz olhinhos (outra habilidade que aprendeu claramente com os canídeos) e desvia a conversa quando percebe que sabemos que está a praticar o asneiranço; acorda pelas 5:30 da madrugada com o claro intuito de vir para a minha cama (e eu importada com isso); espeta o indicador pequenito para apontar o que quer e dá-nos uma sapatadita com a outra mão se falhamos o alvo; continua um fofinho e faz-nos mais felizes a cada dia que passa.