Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

O estranho caso das pipocas

Andava eu a passear por essa blogosfera fora, quando reparo na quantidade de pipocas que lá moram.

É a mais doce, que também tem mais dois, a mais picante, e a arrumadinha. Ah, e porque à que agradar ao palato de todo o freguês, ainda há o mais salgado (é verdade, parece que também há pipocos... E eu a pensar que o milho não tinha género! Santa igorância!)

Caramba, isto é que é auto-estima! Podiam ser só doces, salgadas ou picantes, mas não, são mais qualquer coisa. Aqui só mesmo a arrumadinha mantém a modéstia e não se intitula de mais arrumada. É só arrumadinha, pronto. Gosta de ver ali tudo certinho e tal, mas nada de exageros, nada de ser a mais arrumadinha, que isso de lides domésticas dá muito trabalho e com certeza que a sua casinha (a real, não a blogosférica) já lhe dá que fazer nesse sentido. Ou então, pode ser a pipoca da vergonha, aquela que fica sempre para o fim, arrumada na taça e ninguém lhe toca, mas na realidade estão todos mortinhos por lhe pôr o dentinho. 

Tanta pipoca, fez-me lembrar o Snoopy. Na minha rua, quando era mais nova, havia tanto Snoopy (ou Snupe, como diziam os velhinhos) que cheguei a equacionar hipótese de se tratar de uma epidemia. Digam-me, foi assim que surgiu tanto milho estalado? Foi uma epidemia? Um vírus? Foi moda que pegou, assim como as popas nos anos 80? Hmmm, talvez. Ainda assim, e no meio de tanta pipoca-mais-qualquer-coisa, saliento que faltam: a mais rápida, a mais lenta, a mais saltitante, a mais caramelizada, a mais amanteigada e a mais achocolatada. Quem diria que haveria tanta qualidade de pipoca! Estou, deveras, surpreendida!

 

Pequena nota:  este texto refere-se única e exclusivamente aos nomes dos blogues e não ao seu conteúdo.

 

 

 

 

Então, mas não se vê mesmo nada?

Senhora minha sogra foi operada. Calma, não se apoquentem, que a coisa, além de simples, correu pelo melhor.

Mas, dizia eu, a mãe do homem fez uma cirurgia ao pé direito. Durante a visita, quis saber detalhes (sim, sou um bocadinho curiosa com estas coisas), nomeadamente se lhe tinham espetado com anestesia geral, coisa que a mim me faz muita espécie.

 

- Não miga (tão fofinha a minha sogra! :), foi aquelas das grávidas, que nos dão nas costas. Como era pouca coisa não havia necessidade de levar a geral.

- Ah, mas isso assim é muito fixe! Então e falou muito lá com o pessoal no bloco? Como é que aquilo é? É muito frio? E eles falam muito? E estão sempre a falar da vida deles, como na Anatomia de Grey? - sim, tenho uma imaginação muito fértil e uma infinidade de "porquês" assim ao nível de uma criança de 5 anos.

- Não miga (já disse como é fofinha?:), eles põem uns calmantes no soro e vamos assim meios a dormir, meios acordados.

 

Oi? Como é que é? Então não se vê nada? Não se fala com ninguém? Não podemos perguntar o que estão a fazer e como estão a fazer?

É só para informar, senhores doutores cirurgiões e anestesistas, que se algum dia eu levar esta anestesia - para outros efeitos que não o parto - quero ir para o bloco acordadinha! Quero ver tudo e saber das vossas vidas enquanto lá estou a ser retalhada e costurada por vós. E quero um espelho no tecto, virado para a minha pessoa, para ir perguntando: "E o que estão a fazer agora?", "E isso para que serve?". Não vou alvitrar sobre o vosso trabalho, apenas pretendo ir satisfazendo a minha curiosidade. E não se preocupem, não sou pessoa de impressionar facilmente com sangue e assim. Aliás, a única vez que fui suturada, teria aí uns 6 anos e abri a testa ao bater contra uma sanita (um dia conto-vos esta aventura), fartei-me de pedir um espelho ao médico para ver o que me era feito. Claro que vi o meu pedido recusado e, como se não bastasse, ainda me colocou um pano verde por cima da cara - suponho que para me calar. Não resultou, porque eu, esperta como sou, fartei-me de resmungar que estava a sufocar.

Agora imaginem senhores, se eu com 6 anos, fingia sufoco só para ver aquilo que me estavam a fazer, o que não serei capaz de representar aos 20 e poucos anos e depois de ter visto 9 temporadas de Anatomia de Grey.

Não estou a ameaçar, só a informar.

Volto Já

Mas, enquanto volto e volto, fui aqui assolada por uma dúvida que me inquietou: agora que sou 2 em 1 estou ao nível de quê? Um champô e condicionador? Um limpa vidros dupla acção? Um lava tudo desinfectante e e que dá mais brilho?

E porque raio só me lembro de 2 em 1 relacionados com limpezas ou equivalente? E quem é que inventou esta expressão?

Como disse, volto já, com mais dúvidas inquietantes.

Logo depois de um curto intervalo para jantar.

A prova que, de facto, aprendemos sempre qualquer coisa

 

Sou uma pessoa versátil, é sabido. Tenho pouca, ou nenhuma, destreza manual (excepção para as chocas), mas sou bastante conhecedora das mais variadas áreas.

 

Ora atentem lá e aprendam qualquer coisinha:

 

Seis amigos em conversa animada, após uma semana de árduo trabalho.

 

Nós dissertávamos sobre coisas de gaja, preocupações da humanidade e afins, eles sobre trolhice.

 

Ora, sucede que eu tenho um sentido bisbilhoteiro auditivo altamente apurado, estando uma das antenas ali, no mal que vai no mundo das gajas e outra na trolhice dos maridos.

 

Eis que capto o seguinte:

 

R: (cabisbaixo, derrotado)- Não sei como consertar a parede da minha dispensa... (soltando um suspiro de derrota) Tem ali umas ondas que não saem por nada... Já apliquei tudo o que sei... Não sei como vou resolver aquilo. (enfatiza a palavra aquilo, está visivelmente agastado pelo problema)

B: (colocando-lhe a mão no ombro em jeito de consolação) Tem calma, meu. Vais ver que vais resolver, tu consegues.

F: (marido aqui da je, que dos três foi o que nasceu menos abonado em habilidades manuais): Já experimentaste gesso?

 

R acena afirmativamente com a cabeça, beberricando mais um pouco do seu licor Beirão, quando EU lhes ensino o que se segue...

 

EU - Olha lá, ó R, já experimentaste gesso cartonado?

 

Cinco pares de olhos observam-me como se tivesse descoberto a teoria da relatividade. E, esposa de R, ainda desconsertada pelo meu vasto conhecimento na área da trolhice pergunta:

 

- E o que é isso?

 

EU (do alto da minha sabedoria) - Olha, não faço pequena ideia, mas vi no Querido Mudei a Casa! Havia lá uma parede assim torta, eles trouxeram gesso cartonado e aquilo ficou impecável! Lisinho! Muito fixe! Devem vender disso no Leroy, afinal é de lá que vêm os materiais para o programa...

 

Não percebi os abanares de cabeça dos homens, tendo em conta a minha fantástica ideia para resolução do problema, mas creio que estivessem em negação por desconhecerem tal produto. Os homens sofrem com estas coisas. Mexe-lhes com o ego.

 

Nos entretantos, o R explicou-me que gesso cartonado é igual a pladur e que o interior da casa deles é nesse material.

Pronto, também não faz mal nenhum, assim como assim, ficamos a saber que também não era solução... E já sabem, qualquer dúvida é só dizer!

 

 

 

 

Desabafo


A chuva, que já é demais, está a deixar-me louca.
De tal forma, que estou a reler isto (até tenho embaraço de o escrever!)... Pela enésima vez...



 
 
 
Por favor, digam-me que há cura. Que não sou um caso perdido.
Pelo sim, pelo não, vou procurar ajuda profissional.
Se não virem mais nenhuma publicação, é porque pirei de vez e fui internada.

Chocas, uma arte em vias de extinção


Desenganem-se aqueles que pensam que este será um texto dedicado às pessoas "chocas" (antipáticas ou assim-assim, para quem nunca ouviu o semelhante), não meus amigos, aqui a Caracol não é má língua!
Só se não puder... :-P
Hoje, venho dar-vos a conhecer aquela maravilhosa e ancestral arte de enrolar papeizitos.
Não sei porque razão, alguém da família decidiu batizar essa habilidade com este nome. Não compreendo mesmo, a razão de um nome tão depreciativo para uma tão digna aptidão! Não se trata somente de enrolar papeis para passar o tempo, ou ter as mãos entretidas, nada disso, há todo um saber em volta das Chocas. Saber esse que passo a partilhar convosco, para que compreendam, finalmente, o papel dos praticantes desta arte na nossa sociedade.
Para começar, é necessária destreza manual para conseguir enrolar o papel. Não é qualquer pessoa que pega num qualquer talão e desata a enrola-lo como se não houvesse amanhã! É preciso treino, prática e paciência para adquirir a perícia necessária. Neste momento, só conheço uma Choqueira-mor (o último grau da Choqueirice) consegue enrolar qualquer talão, independentemente do tamanho e em diversos formatos. Começou muito nova, aí por volta dos 3 anos, aos 12 já enrolava todo o papel que lhe viesse parar às mãos, um autêntico prodígio!
Depois de desenvolvida a perícia necessária, é possível enrolar quase todos os tipos de papéis: talões de compras, de multibanco - os mais espessos são mais difíceis!- etiquetas da roupa, tiras que protegem a cola dos envelopes... É só escolher!
Mas, perguntarão vocês, qual é o objectivo?
Regra geral estes papéis vão para o lixo numa bola amarrotada e sem graça. As chocas, podemos afirmar, embelezam e compactam o cesto do entulho. Por exemplo, no meu carro, esse antro de talões perdidos e esquecidos em qualquer canto, estão em cima do tablier 3 choca feitas com talões do pingo doce. Parecendo que não, é muito mais minimalista e estético do que 3 bolas amorfanhadas...
Além da função clara de limpeza estética de tudo quanto é cesto de papel, carteiras, carros e afins, as Chocas são muitíssimo apreciadas pela pequenada! O que comprova, logo à partida, a sua importância na vida atarefada dos pais.
Neste momento, somos poucos choqueiros, pelo que temo pelo futuro desta arte embelezadora de entulho e entristece-me que não se lhe dê o devido valor. É imperioso que mais pessoas se juntem a nós,  para que as Chocas  continuem a existir e encantar qualquer cantinho com um papel esquecido.
Não sei se há por aí mais Choqueiros, se os houver acusem-se e unamo-nos por um futuro, quiçá recompensado!, desta magnífica arte!

Ó senhores, por onde devo ir?????


Hoje, e porque o marido se esqueceu de tal no mês passado, tive que levar o carro à inspecção.
Ainda lamuriei, se não podia ir ele amanhã, ou para a semana, que nunca tinha feito tal coisa na vida e tal e cenas, mas não, porque tinha que ser hoje, porque já devia ter sido na semana passada, porque já tinha passado o prazo e teria de pagar multa,

- E antes a multa da inspecção, que a da policia se nos apanha sem ela! Olha que são 250€!... - argumentou.
 Nem foi preciso acrescentar mais nada! Chiça, que 250 eurinhos de multa foi mais que suficiente para parar com as lamurias, encher o peito de ar e pensar :"Afinal, deve ser só fazer o que o sujeito mandar, tipo ligar pisca, desligar pisca e por aí fora... Vamos lá!"
Pois, o que eu não sabia, é que é preciso quase um livro de instruções para se fazer aquilo!!! A sério, e não estou a complicar (talvez só um bocadinho, vá). Acho mesmo que se deveria fazer uma visita de estudo, durante as aulas de código, a um centro de inspecção automóvel, só para percebemos como a coisa funciona, a logística de todo esse processo complicadissímo e dessa forma ficarmos preparados. Fica a dica. ;-)

Ora vou então começar pelo principio: chegada ao local, tudo vazio, uma maravilha, o meu cérebro logo a magicar que seria rápido e ainda teria tempo para fazer as mil e uma coisas que faço durante a hora de almoço. Contentinha da vida, lá estacionei a viatura numa das linhas para o serviço. Assim mesmo, não estava ninguém, estavam as duas linhas livres e eu escolhi a segunda, mais à mão, claro está. E por lá fiquei, à espera que algum senhor simpático me viesse dizer o que fazer a seguir, dentro do carro, pois claro, que fazia uma corrente de ar desgraçada! E esperei, e esperei, à vontade 5 minutos, enquanto via os funcionários (três ao todo), reunidos a conversar ao fundo da garagem. Vai daí, como sou uma moça despachada e tinha mais que fazer, dirigi-me educadamente ao grupinho:

- Boa tarde. Desculpe lá, eu nunca fiz isto na vida, mas não é suposto vir alguém inspecionar o carro?
- Claro que sim menina, mas primeiro tem de fazer a inscrição, na recepção. - disse como se eu fosse um E.T.
IÔ-IÔ-IÔ ecoou o meu cérebro. Mandei-o calar, pedi desculpa ao sujeito e lá fui para a recepção, que já tinha visto e achado que seria para quem não percebesse nada do assunto... Pessoas, tipo, eu.
Adiante, depois da inscrição feita, pediram para aguardar lá fora. Obedeci e sentei-me de imediato na viatura, que fazia frio. Desta vez, veio quase logo um funcionário na minha direcção, sorrindo, simpático, fez-me ver que era necessário alinhar o carro com uma linha amarela (Ah, há uma linha amarela... Pois, não reparei, desculpe lá...). Depois de posicionado o carro - ao qual o senhor teve que dar uma ajudinha ao volante para ficar impéc - fui informada que viria outro inspector, já que aquele iria almoçar e só tinha mesmo feito o jeito, uma boa alma aquele senhor, foi provavelmente o único que conseguiu ler na minha expressão que percebia tanto daquilo como de chaminés. O seguinte, menos prestável e mais sisudo, perguntou-me se já me tinham chamado. Ao que prontamente respondi:
- Olhe eu não ouvi, mas acho que não disse o meu nome na recepção.
Não percebi de imediato o ponto de interrogação que se formou acima da cabeça do senhor, mas lá foi a uma máquina qualquer e 10 segundos depois ouvi um megafone gritar a minha matricula.
Ah, bom. Estava explicado o chamar e o ponto de interrogação na cabeça do homem... Novo pedido de desculpas-que-nunca-tinha-feito-aquilo-e-não-sabia-como-funcionava.
Início da inspecção.
Abre capô.
Verifica não sei o quê lá para dentro e fecha capô.
Liga pisca direito.
Liga pisca esquerdo.
Liga mínimos, médios e máximos.
Volta a fazer tudo, desta vez para os farolins traseiros.
Liga luzes de nevoeiro.
Liga luzes de nevoeiro.
Já ouvi senhor e já o fiz!, pensei.
Aproxima-se, e explica, como se eu fosse de novo um E.T.:
- Sabe que tem que  ligar os médios...
- Ah, pois, oh, desculpe lá, é o hábito de nunca ligar nada no carro, é tudo automático!
Iô-Iô-Iô. Cala-te cérebro, que isto agora vai ser sempre a andar!
E foi, até porque depois foi tudo feito pelo funcionário - graçá deus!
Bem, até à parte do poço, aí confesso que temi pela saúde dele, não fosse guinar demais o carro e atirá-lo para cima do homem!
Esta parte foi relativamente simples, já que antes de se sumir pelo buraco, o inspector, explicou-me o que esperava que fizesse a cada comando que fosse dado. É tudo tão mais fácil quando sabemos o que se espera que façamos! Até que... "Trave!" Prontamente, puxo o travão de mão. "Com o pé!"
Porque raio não disse antes?! Ai este pessoal não explica tudo e espera que se saiba tudo!
Aposto que ficou tremendamente aliviado quando anunciou "Pode sair!" E eu também, que esta parte faz uma chiadeira danada e parece que o carro se vai partir todo!
E pronto, agora já sei como se faz a inspecção ao veículo, embora tencione nunca mais lá pôr uma rodinha, continuando a deixar essa tarefa para o marido.
Já agora, senhores donos dos centros de inspecção, por favor, ponham placas e setas a indicar o percurso, seria bem mais fácil! ;-)
É verdade, o carrinho passou sem qualquer anomalia e só perdi 30 minutos, quando poderia ter perdido somente 10, mas prefiro não pensar nisso...