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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

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Aquiles - a história de uma inflamação

Era uma vez um tendão chamado Aquiles. Vivia pacificamente a sua vida, convivendo alegremente os vizinhos de cima - os gémeos- e conversando por horas infinitas com o calcanhar. Aquiles tinha uma vida boa, não se podia queixar, não sofria com impactos bruscos e a sua patroa era boa moça - embora um nadita apressada e gosto pelo desporto. 

Um dia, Aquiles acordou ligeiramente nauseado numa das fibras. Não sabia bem o que sentia, continuava capaz de executar as suas tarefas diárias, sem perder a vivacidade de um tendão, mas não se sentia bem. Foi picando a sua Patroa, mas a rapariga endiabrada pouco cartão lhe passou. 

Os dias foram passando e Aquiles continuou febril. Tentou pedir gelo à Patroa, pressionou os gémeos para o ajudarem, mas os vizinhos estavam ocupados a trabalhar e a suportar a pressão do tacão baixo da patroa aliado ao seu passo ligeiro - sem falar no peso extra do treino ao almoço. Aquiles foi elevando mais a voz, num clamor mais constante e a Patroa, finalmente, ouviu-o. 

Ah, o alívio! Ah, finalmente! O fresco e o cheiro da menta! Ah....! O CALOR! Aquiles viu-se preso numa sauna. Como era possível?! Ainda há uns segundos respirava normalmente e agora o oxigénio escasseava como tivesse escalado ao cume do Evereste. 

O fogo durou por três longos dias. Aquiles aguentou estoicamente as labaredas que consumiam e como um mártir caiu ao quarto dia. 

Sentiu a reanimação aos poucos. Uns pequenos choques eléctricos que lhe aliviaram a pressão das fibras maçadas e pesadas. Uma pequena massagem que o fez urrar de dor, mas que lhe libertou as amarras que o prendiam à rigidez de movimento. Deixou-se inundar pelo alívio que o anti-inflamatório lhe proporcionou e como alguém que esteve encarcerado demasiado tempo, Aquiles fechou os olhos, inspirou profundamente e sentiu cada fibra do seu ser renovar-se com uma sensação nova e há muito esperada: GELO. 

Aquiles acreditou, com cada filamento que o compunha, que recuperaria e que tudo ficaria bem dali em diante. Recebeu cada bolsa de gelo com a alegria de uma criança na manhã de Natal, engolia avidamente cada resquício de pomada anti-inflamatória  e até já mantinha pequenas conversas com os vizinhos de cima e com o vizinho de baixo. A vida dele regressava lentamente à normalidade, mesmo com uma Patroa que inventava o que fazer, quando podia vaguear pela Netflix. 

No entanto, a vida de Aquiles estava longe de melhorar e a sua Patroa ainda lhe ia dar muitas dores de cabeça. Mas isso, fica para o próximo capítulo. ;)

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