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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Breve resumo de 2019 (consoante aquilo que me vou lembrando e não cronologicamente)


 



 



Comecei o ano com duas tendinites de Aquiles, uma em cada tornozelo. Caminhei 3 meses a fazer uma espécie break dance, descobri que a paciência é efetivamente uma virtude e que o melhor é mesmo curar de vez.



Sem conseguir caminhar 3 metros seguidos, a dar cabo da cabeça à fisioterapeuta todos os dias com a pergunta "e correr? Já posso correr?", increvi-me numa meia maratona.



Aprendi que o gelo é muito importante em lesões e não o calor, como a alminha gosmenta fez o favor de colocar.



Ajudei malta a não passar o dia dos namorados sozinha e tentei ensinar ao tótós o que é o plágio.



Entretevistei mais de uma dezena de pessoas para o FitFinição e cada uma delas me acrescentou alguma coisa positiva: fosse a simpatia, a identificação pessoal, a preserverança, a resiliência ou as gargalhadas. Foram mais de duas horas de vídeo, em que cada conversa se torna única e onde o lado humano sobressai sempre. Pelo menos, tento que assim seja. Em todas as conversas, senti várias vezes a pequenez de que sou feita. Não é fácil falar para uma câmara, muitas vezes com uma estranha a disparar perguntas e a tentar que não se desvie a resposta, mas continuo a acreditar: toda a gente tem alguma importante a dizer. E é isso que faz com valha a pena.



Em março, depois de meses sem correr, percorri os primeiros 10kms do ano. Tinha apenas dois treinos no lombo, demorei duas vidas e três quartos, mas soube a ginja em copo de chocolate. Só valorizamos o que as pernas conseguem quando não temos aptas para o que nos habituaram.



Diverti-me a magotes num trail próximo, não vou fazer publicidade e dizer que foi o dos Pernetas e que a "subida muito fodida" me ficou gravada a ferros nos presuntos durante uma semana, e onde consegui pôr o homem plantado à espera, na meta, durante uma hora e meia. Quando casamos esperou só três minutos, se isto não é amor, então não sei o que será. 

Percorri os 21km da meia maratona, com os pés a arder a partir do quilómetro 8, distribui grande parte dos cubos de marmelada que levei pelo pessoal que me pareceu pior que eu e dei duas de letra com meia dúzia de pessoas ao longo do percurso. Há quem corra para comer, eu corro para conviver. Prioridades. 

Tive meia dúzia de ideias brilhantes, cada uma mais parva que a outra, que apontei para mais tarde. 

Escrevi mais sobre sociedade e política, numa tentativa vã de sair da parvoíce habitual. Não sei se resultou ou não, mas sei que continuo parva. Há coisas que nunca mudam. 

Descobri que estava grávida. 

Não, antes disso ainda fiz duas provas de 10km, uma de obstáculos - o Bravos e Bravitas, divertida como caraças, a propósito - e uma de estrada - a Milionária. 

Percebi que estava gorda e inchada, por isso resolvi fazer uma semana de low carb para perder perímetro abdominal. Não resultou e descobri que estava grávida. 

Passei cinco meses e meio enjoada e por pouco não esgotei o stock nacional de nauseffe. Também tive vontade de matar pessoas a torto e a direito. Os enjoos já foram, as vontades de homicídio qualificado nem por isso. 

Entrei em vários grupos de mães no Facebook, raramente comento, mas quando o faço fico sempre à espera do bilhete de saída. Ainda não aconteceu. 

Inscrevi-me no campeonato de escrita criativa do Chagas Freitas e desisti ao fim de meia dúzia de jornadas, não por me achar espetacular, que não acho, mas por considerar que nenhum vencedor também o fosse. Não consigo ser xoninhas e pirosa o suficiente, só consigo ser parva e por isso desisti. Não me arrependo e aprendi bastante com isso. A manter expectativas baixas, sobretudo. 

Voltei ao caderno de ideias geniais e lancei para o ar da gaiola habitual o "e se criassemos um desafio de escrita criativa"? A mais velha disse amén, os outros rezaram de joelhos mas ninguém disse que não e começou o "Desafio dos Pássaros". Grande parte dos temas ficou a meu encargo, diverti-me comó caraças e a seguir temi pela vida. Sobretudo quando meti Hitler e Deus ao barulho. Com o segundo ainda se pode brincar, com o primeiro nem tanto. 

Fiz 31 anos e o homem organizou uma festa surpresa. Vão dizer- vos que lacrimejei, mas na realidade estava com um cisco nos olhos. Acontece muita vez. 

Abri novamente o caderno das ideias brilhantes e peguei na ideia de fazer uma entrega de prémios aos membros do staff do ginásio. Idealizei a coisa, criei um grupo e fiquei à espera de um "Passaste-te?! Isso é demasiado insano!". Não aconteceu. As categorias foram as abertas e as votações começaram. Terminamos a entregar bíblias, chaves de fendas, fósforos, CDs do Rui Veloso, pacotes de açúcar branco e mais uns quantos prémios parvos. Foi bonito, mas temi pela vida. Outra vez. Gosto mesmo de viver no fio da navalha.  

O ano terminou mais depressa do que o julguei ser possível e não concluí, novamente, o "E se a Imaculada Concepção fosse hoje". Vou tentar para os reis, afinal o natal é quando o homem quiser, certo? 

Termino este 31 de dezembro com mais 9 kgs no lombo, sem conseguir cruzar as pernas decentemente, constantemente a ser soqueada nas costelas e no fígado, com a paciência a descer para níveis negativos, mas com a certeza que 2020 vai ser um ano do caraças. E se  não for, a gente dá-lhe a volta e prova que quem manda no nosso humor ainda somos nós. 

Um grande beijinho a todos que estão aí desse lado e muito obrigada pela presença constante. 

Um brinde a todos nós, que somos todos espetacularmente atrofiados da mioleira. (Aos sãos dá-se água, para ver se aquilo enferruja e ganham juízo)

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