urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol A Caracol Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo LiveJournal / SAPO Blogs acaracol 2019-04-15T22:16:11Z urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:209424 A Caracol 2019-04-15T23:14:00 Sempre ao som de Norte Dame 2019-04-15T22:16:11Z 2019-04-15T22:16:11Z <p>Fogo, vocês já viram o que aconteceu à Catedral de Norte Dame? <br />Muito triste passar assim de uma catedral centenária e Histórica a um edifício QuasIModo. <br />Nada digno caramba, nada digno. </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:209276 A Caracol 2019-04-15T10:57:00 Devolvam-me a realidade, por favor 2019-04-15T09:58:49Z 2019-04-15T09:58:49Z <p>Se há coisa que eu adoro nesta vida - além de papas de aveia - é a literalidade. <br />Há lá coisa mais bonita do que um mundo sem piadas e sem ofensa em cada esquina? Um mundo puro e casto, com floreiras de tulipas no inverno e rosas sempre em botão? Sem esta malta armada em engraçadinha e sempre a mandar bitaites sobre tudo e sobre nada. Isto não é humor. Humor eram os Malucos de Riso que gozavam com esterióripos, mas como tinham o Camacho Costa a malta não levava a peito. <br />Agora é só humoristas de trazer por casa e comediantes de caixas de comentários a notícias espalhafatosas. <br />E eu não gosto disso. Porque é que não podem dar opinião sem gozar? E depois nós é que não temos poder de encaixe! Como se fossemos nós o défice da equação, como se o problema fosse mesmo nosso, dos literais, a quem tudo ofende. <br />Chamam-nos virgens ofendidas. Não porquê: nem sequer há virgens nestes tempos. Isto enerva-me! Não podem ser concretos um bocado e falar a sério? Sem ironia, sem escárnio e sem sarcasmo? Custa assim tanto utilizar metáforas bonitas e que não aleijem muito o nosso ego? Já não chega envelhecer, as articulações a ceder, a confiança pessoal entrar em colapso e ainda temos que levar com piadas de algibeira? Todos os dias? A todas as horas? Não dá! <br />Quero a minha literalidade de volta, quero sentir outra vez o peso das dores onde insistem em alegar que o humor atenua, quero viver livre, feliz e contente na minha verdade. Agora, calem-me essa gente das piadas. Já ninguém as suporta. <br />E viva o 25 de abril! Apesar de eu achar qu'isto no tempo do Salazar é que era bom e que agora há liberdade a mais. Mas pronto, viva o 25 de abril porque aquilo ainda deu trabalho e com trabalho não se brinca. Nem com dinheiro, também não se brinca com dinheiro. Aliás brincar só com bonecas. De plástico, que as de porcelana quebram e depois alguém tem que limpar.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:208899 A Caracol 2019-04-04T21:33:00 Querido Sr Pedro 2019-04-04T20:34:34Z 2019-04-04T20:34:34Z <p> </p> <p>Tentei ligar-te ontem, mas a linha aí para cima estava ocupada. Deduzo que o Osíris estivesse a tentar a sorte dele contigo antes de partir outro telemóvel, por isso vou tentar a via mais tradicional. Pode ser que o Wi-Fi aí já funcione e estejas ligado à rede. <br />Olha, tu sabes que eu te curto. Eu tenho esta mania de dizer que não acredito e que não faz sentido e que o inferno é que é bom, mas tu sabes, bem lá no fundo, que são só balelas. É só para ser fixe e sentir que mando alguma coisa, quando na realidade não mando nada. Enfim, humanos. Tu percebes, certo Sr. Pedro? <br />Mas hoje não é por mim que quero falar contigo. É o seguinte: dizem os senhores da meteorologia que amanhã chove a potes. Ora, até aí tudo bem não há grande problema, mas achas que, eventualmente, podes fazer aí uma pausa nisso a partir da madrugada de sábado? É só umas horitas, 8 a 10 no máximo. Passo a explicar: uns amigos vão fazer uma caminhada até uma amiga tua (a amizade deve valer alguma coisa aí em cima, não?) e já é duro o suficiente levantarem-se às 3 e tal da madrugada para percorrer 40 e tal quilómetros. Tu já viste o desmoralizante que é se ainda por cima lhes cair o céu em cima sob forma de água? É desumano. Dá para dares aí um jeito a isso? Podemos trocar, se quiseres: tenciono ir correr amanhã à noite, podes largar tudo em cima de mim que eu tenho bom lombo e posso com isso (mas só em cima de, ok? Arranja aí uma nuvem como a Elsa arranjou para o Olaf, pergunta-lhe como é que ela fez que ela é boa moça e de certeza que te ajuda). Desde que deixes ali umas horas de tréguas, por mim tudo bem. A propósito, das 18:30 às 20:00 o homem - e mais uns amigos - têm um trail. Vê lá isso também, por favor. Já é muito? Hmmm, e se eu deixar três estendais de roupa quase seca à tua mercê e não reclamar nadinha? Temos acordo? <br />Repensa lá isso, por favorzinho. Lembra-te que nem sequer reclamei da tua febre que quase nos cozeu vivos dia 24 de março, hã? Não custa nada agora dares aí este jeitinho. Pensa nisso, com todo o teu carinho.</p> <p>Tua eterna devota,</p> <p>Caracol</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:208880 A Caracol 2019-04-01T10:23:00 Escolhe a mentira 2019-04-01T09:24:01Z 2019-04-01T09:24:01Z <p>Limpei o interior de um carro com lixívia pura e tive de andar três dias com os vidros abertos. Paguei combustível e saí da bomba sem abastecer. Caí de uma passadeira em andamento. Atropelaram-me o pé e eu fugi porque achei que a culpa era minha. Tive ideia para um passatempo supimpa que abre daqui a pouco. Tive um acidente, fui culpada, chamei a polícia e não tinha inspeção no carro. Retoquei a pintura de um carro com tinta preta, a pincel. Alinhavei o me<span class="text_exposed_show">u último texto. Fiquei fechada na mala do meu próprio carro, por azelhice. Perdi a lâmina da chave do carro. Deixei cair uma toalha em cima de um foco de luz ligado e por um triz não incendiei o ginásio todo. Acertei sem querer com a bola de 6kg no professor na última aula de PT, semana passada.</span></p> <div class="text_exposed_show"> <p>E agora? Onde estou a aldabrar?</p> </div> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:208393 A Caracol 2019-03-28T19:19:00 As pessoas não percebem 2019-03-28T19:20:08Z 2019-03-28T19:20:08Z <p>As pessoas não percebem que se guardem dores para mais tarde. Não percebem que se fale, elogie e homenageie alguém sem chorar, sem apelar à lágrima e sem vitimizações. <br />As pessoas não percebem que não se queira partilhar a dor mas que ao mesmo tempo se queira partilhar a vida que foi, os momentos que passaram, o ciclo que se fecha. <br />As pessoas esperam ansiosamente pelas lágrimas em cascata, pelos gritos agonizantes, pelo delírio de dor. As pessoas querem que se continue, mas estipulam um prazo para o (re)fazer. <br />As pessoas não entendem que a ausência de lágrimas em cascata, esconde uma ferida de peito aberto que não vai sarar nunca, não vai ganhar couraça e vai sempre moer. <br />As pessoas querem sempre muito bem e muita luz e muita paz, mas não sabem respeitar o silêncio e ouvir apenas a história que se pretende partilhar. <br />Saber quando estender um lenço de papel é tão importante como saber escutar. E escutar é ouvir aquilo que nem sempre nos mata a curiosidade e alimenta a sede de lágrimas. É ouvir o que foram risos e gargalhadas, sem esperar que a dor fique visível. E não fingir que não dói, apenas ouvir e respeitar a dor que prefere ser sentida em silêncio e sozinha. <br />As pessoas não entendem isto. <br />E isso é mais triste e desumano que todas as dores que possam estar escondidas no âmago de alguém.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:208288 A Caracol 2019-03-25T08:41:00 Fiz a Petrus Run pela terceira vez e sobrevivi 2019-03-25T08:46:31Z 2019-03-25T08:46:31Z <p><strong>1km</strong></p> <p> </p> <p>Vamos lá, isto hoje vai ser sempr'andar. Siga. Foco no final. Alguém atrás de mim diz motivadoramente "Vamos lá qu'isto agora até aos Carvalhos é sempre a subir". Como se eu não soubesse e fosse a primeira vez que ali ia. Respira. Não penses. Corre.</p> <p> </p> <p><strong>2km</strong></p> <p> </p> <p>Faltam 8. O relógio que Cravei ao homem vibra no meu pulso, leio a mensagem "Fantástico! Objetivo cumprido!" e percebo que em vez de colocar aquilo em cronometro, coloquei em objetivo para 2km. 🤦</p> <p> </p> <p><strong>3km</strong></p> <p> </p> <p>Está um calor que não se pode. Apetece-me mesmo caminhar. Resisto à tentação do diabo e continuo a subir o inferno.</p> <p> </p> <p><strong>4km</strong></p> <p> </p> <p>Já disse que é sempre a subir? Ainda não? Pronto, é sempre a subir. E estava um calor do cacete. Os lábios rachados, os pulmões colados, o ar rarefeito e as pernas pesadas. A subida dos impropérios é aqui. E odeio-a.</p> <p> </p> <p><strong>5km</strong></p> <p> </p> <p>ÁGUA! H2O! <br />Ao abrir a garrafa, perdi a tampa. Bebi dois goles e pensei em guardar o resto, correndo (agora a descer) com ela aberta muito direitinha na mão. Obviamente não resultou, pelo que encharquei a T shirt, pelo menos tinha proveito no desperdício.</p> <p> </p> <p><strong>6km</strong></p> <p> </p> <p>Estamos em agosto, às 2 da tarde. Ou isso ou no inferno. Não sei o que me dói mais: se a falta de água, se as pernas, se o pó que aloja nas vias respiratórias e faz comichão no palato, se o arrependimento de estar aqui outra vez. A última, definitivamente, por isso autoflagelo-me em mais uma pequena subida que dói como mil brasas incandescentes em todo o lado.</p> <p> </p> <p><strong>7km</strong></p> <p> </p> <p>Mais uma subida. Curta e grossa. Apetece-me fazê-la a rastejar, mas contento-me com uma passada ligeira. O sol é implacável e dou comigo a pensar que se aplicar um golpe à Van Dame na nuca da moça que vai à minha frente talvez lhe consiga sacar a garrafa da água.</p> <p> </p> <p><strong>8km</strong></p> <p> </p> <p>Dou um rim por água. A sério, não preciso de dois, sobrevivo bem só com um. Corro pelo passeio para tentar apanhar o máximo de sombra, não dou conta de paralelo mal colocado e calco-o em força. O tendão queixa-se, eu continuo.</p> <p> </p> <p><strong>9km</strong></p> <p> </p> <p>Quero morrer. Agora. <br />O tendão continua a ganir baixinho.</p> <p> </p> <p><strong>9.5km</strong></p> <p> </p> <p>As solas parecem feitas de uma goma que derrete e cola ao chão, mas está quase e só quero mesmo que acabe.</p> <p> </p> <p><strong>9.700km</strong></p> <p> </p> <p>A pista é ENORME. NUNCA MAIS ACABA. <br />O quê?! Olha-me agora esta caramela a querer passar-me à frente. É que nem penses minha menina. Não andei eu a chegar até como carne desitratada para agora me passares a perna. Era só o que mais faltava. Entraste comigo no estádio, por isso só tens soluções: ou acabas comigo ou ficas para trás. Agora despacha-me esse rabo! (Esta última já foi de mim para mim).</p> <p> </p> <p><strong>10km</strong></p> <p> </p> <p>Passamos juntas e posso jurar que lhe ouvi um obrigada. Não percebi, porque na minha cabeça todos os rostos tinham a forma de uma garrafa de água. <br />Uma hora e seis minutos depois da partida, cheguei finalmente ao fim. Se foi um bom tempo? Eh, podia ser melhor. Mas também podia ser pior. É a terceira vez que faço a Petrus e de todos, este foi o pior tempo. Mas também foi aquela que fiz com menos preparação, tendo em conta que só recomecei a correr há pouco mais de um mês e que foram quase dois praticamente parada. Se estou frustrada? Nem pensar! Foi espetacular! Tenho 30 anos e 30 km de Petrus nas pernas, hã? Respeitinho. <br />No final disto, descobri aos 30 que afinal gosto de papas de sarrabulho. Era quem me batesse por todas as vezes que lhes torci o nariz. </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:207952 A Caracol 2019-03-22T15:26:00 Os verdadeiros benefícios da corrida 2019-03-22T15:34:30Z 2019-03-22T15:34:39Z <p> </p> <p style="text-align: center;"><img src="https://www.torcedores.com/content/uploads/2016/08/CqHPbCPXgAUxSWR.jpg" alt="Image result for memes de corrida de rua" /></p> <p>Toda a gente nos tenta vender a ideia de que correr é fixe, que quem corre é muito mais feliz e que ganhamos anos de vida por cada quilómetro percorrido.</p> <p>Uma treta se querem saber.</p> <p><br />O que vale é que existem pessoas como eu, que vivem para contar a verdade sem medo de represálias – até porque ninguém leva a opinião do alcatrão a sério.</p> <p>Apertem lá os atacadores (fictícios, obviamente) e venham comigo dar uma voltinha pelos verdadeiros benefícios da corrida.</p> <p> </p> <ol> <li><strong> Promove a valorização das pequenas coisas da vida. </strong></li> </ol> <p>Como o oxigénio, por exemplo.</p> <ol start="2"> <li><strong> Aumenta o vocabulário.</strong></li> </ol> <p>No que toca a impropérios, claro. Desde o “cê” ao “pê”, passando pelos “efes” todos. Vale tudo.</p> <ol start="3"> <li><strong> Reconhece a importância do tempo.</strong></li> </ol> <p>Tanto que há alturas em que só nos apetece partir a porcaria do relógio porque o estuporzinho se recusa a acompanhar a nossa velocidade de passada imaginária.</p> <ol start="4"> <li><strong> Adia o estado de falecimento. </strong></li> </ol> <p>Até porque para morrer é necessário estar vivo, portanto…</p> <ol start="5"> <li><strong> Erradica medos irracionais. </strong></li> </ol> <p>Têm medo do escuro? Do apocalipse zombie? De bruxas? Isso é para meninos. Já viram alguém vivo a correr? Eu já. É assustador.</p> <ol start="6"> <li><strong> Aumenta a consciência corporal.</strong></li> </ol> <p> Sobretudo ao nível dos gémeos. E das coxas.</p> <ol start="7"> <li><strong> Catalisa a criatividade para frases motivacionais.</strong></li> </ol> <p> O que sobe também desce. O que alcatrão percorrido já passou. Só falta acabar. ESTÁ QUASE!</p> <ol start="8"> <li><strong> Melhora o funcionamento cárdio-tóraxico</strong></li> </ol> <p>O meu está tão bem afinado que às vezes parece até funciona fora do corpo. Sobretudo nas subidas. Perdão, nas P*&amp;@S das subidas.</p> <ol start="9"> <li><strong> Aumenta o humor </strong></li> </ol> <p>O negro, sobretudo. Rir das desgraças também nunca matou ninguém, já correr…</p> <ol start="10"> <li><strong> Promove a economia </strong></li> </ol> <p>Já viram o preço de umas boas sapatilhas? E sabem quanto tempo é que elas duram? E as <em>leggins</em>? Não falemos sequer em meias de compressão às bolinhas cor de rosa*.</p> <p> </p> <p>Como vêem eu não minto. <span style="text-decoration: line-through;">Morrer</span> correr faz muitíssimo bem e acarreta imensos benefícios. Agora vou só ali preparar a mente para não panicar nos 10km <span style="text-decoration: line-through;">do demo</span> fáceis deste domingo, esquecer que o gráfico de altimetria<span style="text-decoration: line-through;"> parece um CTG de uma grávida em trabalho de parto</span> é mesmo animador e beber um <span style="text-decoration: line-through;">gin</span> chá. Ou dois.</p> <p>(Alguém orienta aí um Victan? Ou Xanax? Então e Valiuns, não? Rico público… )</p> <p><span style="font-size: 10pt;">*Ainda não existem meias de compressão Às bolinhas cor de rosa. Uma terrível lacuna de mercado, se querem saber. </span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:207749 A Caracol 2019-03-19T18:08:00 Uma vez pai, para sempre pai 2019-03-19T18:09:33Z 2019-03-19T18:09:33Z <p>"Como é que consegues?" <br />É talvez a pergunta que mais me colocam. E a resposta, a mais sincera, será sempre: "Não sei". <br />Como é que aguentamos 2 minutos em agachamento? Como é que aguentamos 30 segundos em prancha? Como é que aguentamos colocar mais carga quando já as pernas são bigornas de ferro fundido? <br />Habituamo-nos. <br />A dor passa a ser uma constante, uma rotina e só tens duas soluções: ou te aguentas à bronca e lhe arranjas um quartinho no rés do chão ou enlouqueces e passas a vida fechada no quarto, vivendo a mesma dor uma e outra vez. <br />Há dias que não é assim tão simples. Que só apetece afogar as mágoas numa garrafa de gin puro e dois ou três Xanax. Há dias que não se consegue ser feliz pelos outros. Há dias em que não apetece agradecer e só queres amaldiçoar a vida. Contudo, como num agachamento isométrico que que dura tanto que faz as pilhas duracell parecerem do chinês, ao assumires que dói, habituas-te à dor e acabas por sentir menos. Dói um bocadinho, mas tive isto tudo com ele. Gostava de lhe poder contar que sou capaz de correr 10 km, mas ele viu-me a andar de bicicleta - e a cair. Montes de vezes. Seria o primeiro a chamar-me destrambelhada e a dizer-me que consigo mais e melhor. <br />Há dias que fazem um bocadinho mais de mossa, mas eu sei que tivemos um boa vida enquanto durou. <br />E isso basta. <br /><br /></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:207448 A Caracol 2019-03-11T22:18:00 Relato de um jantar de gajas 2019-03-11T22:19:42Z 2019-03-11T22:51:42Z <p>⚠️ Ler como se fosse um relato de futebol ⚠️</p> <p>21h do dia 8 de março e o mulherio de-li-ra faminto. Há um mês que apenas comem ervas aromáticas e o estômago vibra de antecipação.<br />O empregado indica as mesas que são imediatamente arrebatadas. <br />O buffet é declarado aberto. <br />É no vale tuddoooooooo! <br />Há um cheiro no ar. O que é aquilo, minha gente? O que é aquilo?! RISSÓIS! São RRRRIIISSÓÓISS! Acabadinhos de fritar! A fila ainda vai extensa, será que vão sobrar para a mulher de lantejoulas? Será? Oh meu Deus! Incumprimento na fila! Como é possível! E o árbitro não diz nada! E ela continua. Um rissol, dois rissóis. TRÊS RISSÓIS para o prato gigante! Aí que nervos! Será que vai ver o cartão vermelho? Vai ser expulsa com toda a certeza e ainda vai ter que deixar os rissóis para outra. <br />Que habilidade! <br />Que reviravolta fantástica!<br />Que chuto maravilhoso no âmago das invejosas pela gordura frita! <br />A mulher regressa à sua mesa com a maior descontração. <br />Que situação tão perigosa para o adversário! <br />Espera, espera, espera! <br />Mas o que é aquilo?! O que é aquilo?! É um remate do DJ! Ao lado! Caramba! Há homens aqui? Isso dá direito a expulsão direta! Mas ele continua, ele insiste, ele não desiste e finalmente...ah! Finalmente, muda a gravação apenas mulheres fazerem barulho. <br />Wowowowoowow! Nova reviravolta! Que grande twist! Que grande penalidade no pé de dança! É o Panda! O PANDA! <br />Ah, mas as mulheres não querem saber! Elas continuam. Elas põe a cabeça para trás. Os ombros para a frente. Os polegares para cima. É agora! É agora! É agora! <br />Tchu tchua tchu tchua tchu tchua ua <br />É a LOUCURA! <br />Há ali um burburinho ao fundo. Novo ataque de um grupo pouco silencioso. Alguém recita o alfabeto. As canetas estão prontas e os cérebros aguçados. ela continua, ela segue, passa o D, chega ao G e STOP! É STOP! É STOP no XISSS! Que clássico incrível! <br />Novamente à pista de dança. É a loucura! É o remate louco! É o tudo por tudo! É a bunda no chãooooooo!</p> <p>----------</p> <p>Fonixxxxx! Como é que aqueles gajos fazem isto parecer tão fácil? 🙄 Estou aqui há duas vidas e ainda só cheguei às 10 da noite! <br />Mas acho que já perceberam a ideia. 😜🤪 <br />Pequena nota editorial: tudo muito fraquinho a bater c'a 'bunda no chão'. Faço bem melhor só a tropeçar nos ácaros do chão. 🤣😂</p> <p>#RiP8deMarço <br />#TenteiFazerRelato</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:207145 A Caracol 2019-03-04T17:22:00 Disfarces de Carnaval DIY 2019-03-04T17:27:04Z 2019-03-04T17:27:04Z <p>Para quem, como eu, a-do-ra o Carnaval e tudo é motivo para lhe pôr uns patins mas até têm de levar com ele em alguns locais, lembrei-me que seria de extrema utilidade deixar-vos sugestões de como criarem a vossa própria máscara, sem venderem um rim para África e sem terem efectivamente de caprichar na fatiota. Só precisam vestir a pele de um bom actor, serem convincentes no discurso<em> et voilá</em>, disfarce concluído com sucesso.</p> <p><strong>1.</strong>Semblante fechado, nenhum sorriso e olhar a percorrer todos os cantos. Se vos perguntarem: “Onde é que está o teu disfarce?” respondam convictamente: “o meu nome Gertrudes, Fiscal Gertrudes. Venho por parte da AT para uma auditoria.” É garantido que vão espalhar o terror.</p> <p><strong><span style="font-size: 18.6667px;">2</span>.</strong>Encham com farinha uns poucos de saquinhos transparentes (ou façam pequenas trouxas com película aderente) e guardem nos bolsos. À pergunta da praxe neste dias, devem responder com ar comprometido: “Aqui não. Chega aqui a um canto, faxabore e dirfarça.” De seguida mostram subtilmente os sacos e perguntam: “Quantos queres?”. E p’lamor da santa, esqueçam os bonés com a pála ao contrário, as correntes da cadeia da Relação do Porto e os óculos de sol do cigano, toda a gente sabe que os traficantes mais poderosos parecem pessoas normais.</p> <p><strong>3.</strong>Usurpem o distintivo de polícia do fato dos vossos filhos e guardem-no no bolso. Quando vos questionarem a falta de fatiota, saquem o distintivo e afirmem: “Agente Albina em missão à paisana e infiltrada. Estou aqui no âmbito de uma investigação ultra secreta e estás a estragar-me o disfarce. Sai-me da frente antes que te prenda por obstrução à justiça.”</p> <p><strong>4.</strong>Ajam com normalidade e usem roupa comum. São um criminoso perigoso e que está a tentar esconder o maior desvio de capital alguma vez visto. Se vos abordarem, finjam que não sabem do que estão a falar e NUNCA mencionem o vosso verdadeiro nome.</p> <p><strong>5.</strong>Vistam uma indumentária solene e de cor escura – se tiverem fato tanto melhor. A primeira pessoa a perguntar-vos pelo disfarce, responde com voz suave: “O meu nome é Vitória e trabalho na ServiLusa. Recebemos uma ordem de serviço para as suas cerimónias funerárias.” Este resulta especialmente bem se o visado for do clube que perdeu no clássico de sábado. (<strong>#RunSnailRun</strong>)</p> <p>Aqui na foto, como podem verificar, eu optei pelo disfarce 3 para mim e a minha colega pelo 4, onde encarmos uma agente de autoridade infiltrada num processo "treinos dourados" e uma criminosa que desvia cartões com mais presenças que o dela.</p> <p>De todo o modo... É Carnaval e portanto ninguém vai levar a mal que não gostem muito dele.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="carnaval.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B7118ce5c/21372841_eNgCc.jpeg" alt="carnaval.jpg" width="375" height="500" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:207055 A Caracol 2019-03-03T11:49:00 Conan, o Osíris 2019-03-03T11:50:14Z 2019-03-04T18:47:00Z <p>Há umas semanas, quando ouvi Osíris pela primeira vez, enquanto arrumava a cozinha, escrevi: "Ouvi a música mais votada para o festival da canção. Digam-me: ainda não é nada definitivo, pois não? Ainda vamos a tempo de mudar, não vamos? <br />Vou só ali esperar com o ancinho no pé para esquecer. 🙄" <br />Eu sei, nem parece meu que até "gosto de música esquisita". <br />É o que dá escrever a opinião baseada em opiniões, depois de só ouvir uma vez e sem escutar efetivamente. <br />Sabendo que isto das músicas diferentes é como as couves de bruxelas, só ao fim de algum tempo é que nos acostumamos ao sabor, dediquei o meu tempo a escutar Osíris. <br />Não acho genial, não acho nada nunca antes visto - tirando o bailarino e o faqueiro como adereço, aí é originalissímo. Assim como assim, eu acho que se levasse uma tigela Bordalo Pinheiro no topo da cabeça sempre compunha o look de mesa posta. <br />Não me agrada particularmente aquele timbre meio aciganado, mas reconheço-lhe o mérito das letras e da ousadia. A letra de "Adoro Bolos" está francamente bem pensada, por exemplo. <br />Se vou passar a ouvir Osíris com o mesmo gosto com que ouço Sobral? Provavelmente não. Contudo, depois de ter ouvido outras composições dele, acho-o genuíno e audaz. Está-se a borrifar para os que, como eu, acham que parece uma mesa de domingo à espera que o assado saia do forno. Se ele gosta, está bem para ele. <br />Ah, mas ele fala assim bué mal. O que é falar mal? A mim, choca-me mais alguém dizer "Há muito tempo atrás" do que uns bués e tipos a ligar frases. Além disso, provavelmente, faz parte da personagem. <br />Ah, mas tu só estás a defendê-lo porque ganhou o festival da canção. Não sejam mauzinhos e dêem uma oportunidade à música do rapaz. Quem sabe não passam a gostar? <br />Não me partam é o telemóvel, ok? 😜</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:206733 A Caracol 2019-02-28T17:56:00 Sobre aquela coisa hedionda de rejeitar ser dador de medula óssea 2019-02-28T17:59:38Z 2019-02-28T17:59:38Z <p> </p> <p>Isto é tudo muito lindo. <br />Somos todos boas pessoas. <br />Todos queremos ajudar alguém e se a vida de alguém depender de nós não se hesita. <br />Somos todos muito altruístas e amamos todos muito o próximo. <br />Pessoas, vejam mais Walking Dead - ou os 100, os 100 é uma excelente opção. As coisas não são assim tão lineares. Não é uma só escolha que define um pessoa e uma pessoa não é uma besta só porque tomou uma decisão menos altruísta - que saberão os deuses e ela própria o quanto lhe terá custado. <br />E se quem era compatível não podia? <br />"Como assim não podia? Mas tu tás parva agora, mulher?" <br />Incendeia-se já o Facebook e mete-se carvão (do orgânico e não poluente) no CM TV. <br />Não podia por vários fatores: económicos (sabem que isto é processo que obriga a baixa médica? E quando a baixa médica é uma m€rda?), fatores psicológicos (e se a pessoa se sentir um farrapo tão grande que se sinta incapaz de ajudar alguém?), fatores logísticos (e se a pessoa tiver dependentes pequenos ao encargo e não tiver quem tome conta deles durante o processo?) e se... Pura e simplesmente a pessoa tiver desistido? Não é um direito seu? <br />É fácil sermos todos boas pessoas e dizer que não se faz, que é um crime e que são todos umas bestas. A empatia não é só colocarmo-nos no papel de quem não recebe - porque esse é fácil - mas também colocarmo-nos na pele de quem teve de usar todas as forças que tinha para dizer que não podia.<br /><br />Somos melhores que isto, não somos?</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:206393 A Caracol 2019-02-27T19:21:00 A ver se eu percebo... 2019-02-27T19:22:45Z 2019-02-27T22:54:05Z <p>F<a href="https://acaracol.blogs.sapo.pt/tag/caracoleta+fit">alo sobre desporto a brincar</a>. </p> <p>Classifico <a href="https://acaracol.blogs.sapo.pt/nao-sei-quantos-tipos-de-paleos-192011">tipos de Paleos</a> não uma, mas <a href="https://acaracol.blogs.sapo.pt/mais-nao-sei-quantos-tipos-de-paleos-192412">duas vezes. </a></p> <p>Escrevo <a href="https://acaracol.blogs.sapo.pt/tag/parvo%C3%ADce+no+geral">parvoíce no geral</a>, mesmo quando só me dão <a href="https://acaracol.blogs.sapo.pt/coisas-giras-que-ouvi-nesta-vida-205841">pérolas e só me apetece sortear chapadas. </a></p> <p>Ensino a malta a <a href="https://acaracol.blogs.sapo.pt/frases-de-engate-205302">tirar proveito da profissão para conseguir engatar</a> um par para o dia dos namorados e ainda explico <a href="https://acaracol.blogs.sapo.pt/o-amor-205498">como funciona o amor</a> antes e depois dos descendentes. </p> <p>Tive <a href="https://acaracol.blogs.sapo.pt/carta-de-um-tendao-zangado-204092">duas tendinites de Aquiles</a> a brincar, porque se há coisa que eu posso é gozar comigo. Antes isso que cordas militares com salto. </p> <p>Então e mulheres? Ele é nas aulas de <a href="https://acaracol.blogs.sapo.pt/198066.html">dança</a>, ele é em <a href="https://acaracol.blogs.sapo.pt/5-tipos-de-mulheres-numa-pink-party-186721">pink partys</a>, um regabofe de gajedo se querem saber. </p> <p>Pelo meio das palavras, idealizei, estruturei, escrevi, realizei e editei uma<a href="https://acaracol.blogs.sapo.pt/deixem-me-so-mostrar-vos-isto-195108"> pequena paródia</a>. </p> <p>Não sou espectacular. </p> <p>Não sou nada nunca antes visto. </p> <p>Não sou fenomenal. </p> <p>Ainda tenho muito que aprender no que à escrita diz respeito. </p> <p>Mas todo e qualquer conteúdo que publiquei até à data saiu do meu pequeno cérebro retorcido e de funcionamento estranho. </p> <p>E é sempre bom saber que uma plataforma como a SAPO ainda valoriza a originalidade e a imaginação, promovendo malta que tenta fazer rir, no seu novo separador de humor. </p> <p>Achava eu que que conseguia fazer rir alguma alminha, mas nem a um anfíbio consegui levantar os cantos da boca. O melhor é esquecer isto de tentar ser engraçada e dedicar-me à agricultura, pelo menos tomates para salada devo conseguir vingar.</p> <p>E devo acrescentar que o mínimo dos mínimos, além de tentarem conhecer os blogues que compõe a plataforma (sim, somos muitos. Não é o trabalho deles?), seria colocarem quem ganhou os Sapos do Ano. Aquele concurso caseiro, onde ninguém ganha nada a não ser um pacote de açúcar, mas que tantas dores de cabeça deu à Magda e ao David. Colocarem a <a href="https://pequenocasoserio.blogs.sapo.pt">Pequeno Caso Sério ,</a>além de merecido, seria valorizarem um pouco o trabalho de quem nada ganha, mas tanto cria. </p> <p>Agora vou ali emborcar um Kompensan para curar a azia.</p> <p>Mais logo esgoto duas garrafas de gin, amanhã faço o meu plano de treino novo duas vezes, afogo o resto das lágrimas em chocolate e lá para domingo estou restabelecida. </p> <p> </p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:206218 A Caracol 2019-02-26T19:07:00 Plano de treino novo - versão 2.0 2019-02-26T19:09:04Z 2019-02-26T19:09:04Z <p> </p> <p>Acho estranho no aquecimento estar escrito "Só passadeira", mas cumpro e utilizo apenas aquele equipamento durante 7 minutos de corrida moderada. <br />Quando chego ao exercício seguinte percebo que afinal aquilo são 20' passadeira, só que li o apóstrofo como acento. <br />Só Deus Nosso Senhor e o Senhor professor saberão porque raio tenho tanto cardio e treino funcional misturado com exercícios de força e resistência. Por isso estranhei a "Treadmill" 8-8, que li como passadeira 8minutos velocidade 8. Um nadita lento, mas podia ser uma espécie de bónus ao calhas. Ah-ah! Provavelmente, é na elevação 8 velocidade 8. Faz mais sentido. <br />Porque é que eu fui confirmar e não me limitei a seguir a segunda opção? <br />Porque sou um calhau com pernas. Só pode. Ou isso ou sou tona. Ou os dois. É provável que seja os dois. <br />Eis que me é explicado que a "Treadmill" - doravante chamado de EnganaDor - é aquele aparelhometro caído de um outro planeta que parece uma passadeira, é uma passadeira, mas não funciona como uma passadeira. É preciso uma pessoa empurrar o tapete, que tem a resistência de um hipopótamo obeso, lutar contra uns elásticos que nos sugam toda e qualquer réstia de fôlego que tinhamos e aquilo começa, finalmente!, a contar os segundos. Era suposto correr no EnganaDor, mas limitei-me a subir a Rua dos Clérigos de joelhos enquanto puxava uma bigorna de tonelada e meia. Ou pelo menos foi isso que eu senti durante aquele lonnnnnnnngossssss dois minutos. <br />Ui, já chega de resistência, não Caracol? <br />Pois, eu também achava que sim, mas depois de mais umas séries de força, espetam-me com isto: <br />Cordas militares. 3*20. Carga: salto. <br />Mas. Que. Raio. De. Coisa. É. Esta. <br />Ok, cordas militares é muito giro (#SóQueNão) mas... Desde quando é que um salto é carga, hã? Para que é que uma pessoa quer 3 kg a mais se não lhe podem servir de carga extra?! Uma barbaridade, é o que vos digo. <br />Obviamente, tentei escapar. Não que não quisesse experimentar - que até queria - mas porque já me tinha chegado o EnganaDor para experiência do dia. <br />Claro que, como boa mentirosa que sou, meti os pés pelas mãos quando me perguntaram "então? O que é agora?". <br />O que eu queria ter perguntado era "o que é remada invertida?", numa tentativa de fazer ali gingajoga de aldrabice e trocar um exercício por outro, mas o que realmente verbalizei foi "o que são remadas militares?". <br />Obviamente, nem o professor sabia que raio era aquilo, leu o plano, percebeu que lhe estava a tentar passar a perna, eu admiti logo mal ouvi o click mental dele numa tentativa vã de me ilibar confessando o crime, mas não me adiantou nada. 🤦 <br />A acrescentar a isto, desenvolvi uma sacana de umas consciência fit manhosa que me obrigou a fazer 25 repetições na última série para compensar as 15 que fiz na segunda.</p> <p>Agora perguntam vocês:</p> <p>Não te arrependeste de ter escolhido essa opção quando tinhas tantas de dolce fare niente disponíveis e sem grandes desculpas esfarrapadas?</p> <p>Não. <br />Nem por um segundo. 😜</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:205841 A Caracol 2019-02-19T15:10:00 Coisas giras que ouvi nesta vida 2019-02-19T15:14:47Z 2019-02-19T15:14:47Z <p>Estou sem tema para escrever (mentira, é só uma desculpa foleira para vos presentear com isto), portanto fiz um esforço de memória, abri o caderno "Ler em dias maus para rir um pouquinho" e recortei algumas das coisas mais giras e engraçadas ouvi ao longo destes meus trinta anos de existência. Grande parte foi pronunciada nesta última década o que prova a velha teoria de que de facto os vinte podem efectivamente ser gloriosos. </p> <p>Preparados? </p> <blockquote> <p><strong>Casaste muito nova e decidiste logo à primeira... Devias ter experimentado mais... Digo eu, atenção. Tu é que sabes. "</strong></p> </blockquote> <p>Ora aí está uma conclusão brilhante: eu é que sei. E ele também, neste caso, uma vez que não casei sozinha. E já agora... Devia ter experimentado mais o quê? Sabores de gelado? Marcas de automóveis? Experiências radicais? Maratonas e iron's mens? Comida vegetariana? Enigmas é o que vos digo, só enigmas. </p> <p>Não me lembro do que respondi na altura, mas deve ter sido o costume: sorrir e acenar. </p> <blockquote> <p><strong>Foda-se, a sua vida é uma merda! Nunca lhe apeteceu dizer isto?</strong></p> </blockquote> <p>Esta é hi-la-ri-an-te! Sobretudo se tivermos em conta o contexto: foi proferida por um psicólogo, logo no começo de uma consulta. A isto é que eu chamo uma entrada em grande! Cá agora anamneses e historial do paciente, temos de ser práticos e assertivos: o que é que a traz por cá? Assim mesmo à merceeiro de aldeia que lança o pregão habitual "<em>Então D. Gertrudes, que vai ser hoje? Olhe, tenho ali uns espinafres que são um mimo e uns biscoitos Paupério que vão fazer as delicias dos gaiatos."  </em>Quanto aos palavrões... Bom, nunca fizeram mal a ninguém e uma bom foda-se no momento certo consegue ser bastante libertador. Por exemplo, naquele momento, libertou toda uma torrente de lágrimas que enxuguei em dois maços de lenços de papel. Quando o pranto terminou, sorri e abandonei o gabinete para não mais voltar. Aquele <em>sôtor</em> tinha uma fila muito grande à espera e não queria ser inoportuna estragando-lhe o dia com infortúnios da minha vidinha absolutamente comum e banal. </p> <blockquote> <p><strong>Só gostas de Saramago porque queres parecer inteligente.</strong></p> </blockquote> <p>Ah, a inveja de não gostar do que não se percebe. Adoro! É mais uma das tiradas que provavelmente me fez elevar os cantos da boca num sorriso, sem uma resposta à altura de um tão poderoso argumento. O irónico é que a pessoa deve ter achado que lhe dei razão quando na verdade a estava mandar abaixo de Braga, ali em baixo mesmo ao pé do sítio onde Judas perdeu as botas, estão a ver? Lá está: a inteligência não se mede com palavras. Uma pena que a maioria das pessoas ainda não percebido isso. </p> <p>O texto já vai longo e rico em parvoeira, mas deixem-me só deixar-vos a minha favorita de todos os tempos: </p> <blockquote> <p><strong>Ficaste bem na vida depois dos teus pais falecerem. </strong></p> </blockquote> <p>TAU! Caramba, qu'isto é que é sabedoria, hã? Admiro este pessoal que sabe falar e acerta mesmo no alvo. E estão carregados de razão. É verdade sim senhora, fiquei bem melhor com duas perdas tão grandes aos vinte e poucos anos e no espaço de pouco mais de vinte e quatro meses. É, aliás, uma experiência que recomendo vivamente. Só acho que efeito de nirvana e paraíso é potenciado e aumentado se forem os dois ao mesmo tempo. Aí meus caros é praticamente o EuroMilhões. Vão passar os dias a beber água de côco e banhar-se em água cristalina enquanto decidem se vão nadar com tubarões tigre ou ver os recifes de coral. Fazer-se à vida e trabalhar é só para quem os perde à vez. É chato mas é a vida. </p> <p>Como respondi na altura? Como sempre respondo quando os argumentos me deixam muda de estupefacção: com um sorriso e com um aceno. </p> <p>Não escrevi isto para me lamuriar - acho que perceberam isso - foi mesmo só para não me esquecer que o melhor remédio ainda é rir. E vá, pronto, porque não gosto de guardar diversão só para mim. </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:205760 A Caracol 2019-02-16T11:55:00 Caracoladas 2019-02-16T11:56:10Z 2019-02-16T11:56:10Z <p>No dia dos namorados fiz um bolinho de manhã, antes de vir para o trabalho (sim eu faço coisas antes de vir trabalhar, não perguntem muito, ok? <span class="_5mfr"><span class="_6qdm">🙄</span></span>), nada muito elaborado apenas um bolo de chocolate de dois ingredientes e como de costume o rapaz pediu-me para rapar a taça. Disse-lhe que sim e quando dou conta tem a cabeça enfiada lá dentro com o chocolate a deixar um rasto quase até às orelhas. <br />Mudei de estratégia e disse-lhe:</p> <p>- Olha filho, vamos fazer antes o seguinte: rapamos parte desse chocolate para a tua caneca do leite e hoje tens leitinho de aveia com chocolate. Que me dizes?</p> <p>Ficou todo contente e lá metemos o salazar ao barulho. <br />Ele ficou a beber o seu leite com chocolate especial, feliz da vida, enquanto eu fui buscar a roupa lavada à lavandaria. Quando chego deparo-me com o este cenário:</p> <p>Miúdo em pé numa cadeira em frente ao balcão a despejar o leite da caneca para a taça.</p> <p>Quando lhe pergunto que raio está a fazer responde com a sapiciência dos seus quatro anos:</p> <p>- Ainda tinha aqui muito chocolate, mamã. Assim não há tanto desperdício porque há meninos que não têm.</p> <p>Pumbas! 1-0 à cara podre sem dó nem piedade. Recompus-me rapidamente e continuei:</p> <p>- E depois como tencionas beber isso? Ainda vais fazer asneiras...</p> <p>... E levar por cima, tive vontade de acrescentar. Levei como resposta:</p> <p>- Com uma palhinha.</p> <p>Posso jurar que ouvi o "Dahhhhh" nas entrelinhas.</p> <p>Caracolinho 2 <br />Mamã 0</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:205498 A Caracol 2019-02-15T14:48:00 O Amor 2019-02-15T14:49:03Z 2019-02-15T14:49:03Z <p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Antes dos filhos:</strong></span></p> <p>- Banho em sais minerais do oriente e óleo de argão vindo diretamente de Marrocos. Nem um pêlo à vista e a água desliza pela pele como se tivéssemos uma capa hidrofoba patenteada pela Zeiss.</p> <div class="text_exposed_show"> <p>- Música romântica de fundo, média luz, pétalas de rosa nos lençóis, duas flutes de espumante e um prato de morangos em cima da mesa de cabeceira.</p> <p>- Sabe Deus quando acaba. A madrugada é o limite.</p> <p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Depois dos filhos:</strong></span></p> <p>- Duche à pressa com gel de banho do Catraio porque o nosso acabou e não lembramos de comprar outro. O único óleo lá por casa agora é o de bebé e a lâmina percorre as pernas às cegas criando auto-estradas no meio da selva de pelugem Pernal.</p> <p>- Como é que se chamava aquela música? Oh, deixa lá fica mesmo na RoseBonbon que até tem nome romântico e o que conta é a intenção. Migalhas, brinquedos pequenos (ou pior: peças de Lego) no meio dos lençóis, mas amor precisa de emoção, não é verdade? "Que barulho é este? Levantou-se! Tapa-te!" Na mesa de cabeceira habitam duas coisas: fraldas e toalhitas no caso dos bebés pequenos ou toalhitas e brinquedos no caso de mais graúdos.</p> <p>- O próximo choro ou chamamento é o limite.</p> <p>Há quem lhes chame o melhor do mundo, eu acho que empata-loves também era bonito.</p> </div> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:205302 A Caracol 2019-02-14T18:00:00 Frases de Engate 2019-02-14T18:15:11Z 2019-02-15T14:49:12Z <p>São 18h do dia de S. Valentim e já muitos homens deste mundo marcaram como seu território as melhores mesas dos restaurante, outros tantos desesperam oferecem a esta hora partes do fígado no mercado negro para conseguir uma mesa ao pé da janela panorâmica sobre a A42 e uma décima parte está já a pensar no que vai despir, perdão, vestir. <br />Depois há ainda aqueles que ainda tentam não passar a noite sozinhos e andar por aí às voltas no Tinder, quando na verdade deviam usar armas antigas e que nunca passam de moda: as frases de engate. Para vos ajudar - e porque não é fácil avançar logo assim ró qu'interessa - venho dar uma mãozinha e ensinar-vos a tirar partido da vossa profissão em proveito de uma noite a dois. Estão sujeitos a umas estaladas, mas ei!, viver é um risco e mais vale duas palavras na mão que um livro a voar. <br />Na temam, A Caracol chegou e vem em vosso auxílio. Segurem-se, o nível é capaz de descer.</p> <p style="text-align: center;"><strong>Cozinheiro</strong></p> <p>Esqueçam o testo da panela. O que vai evitar que a vossa noite seja um esparguete de courgette - que é como quem diz "um engano d'alma" - é o seguinte argumento:</p> <blockquote> <p>"Posso ser azeite ev se fores a cebola do meu estrugido".</p> </blockquote> <p>Não é garantido que resulte, mas não se podem queixar de falta de bons ingredientes para uma chapada emocionante.</p> <p style="text-align: center;"><strong>Nutricionista</strong></p> <p>Vá, deixem lá as calorias sossegadas uma vez na vida, o que vos vai garantir o aumento da glicémia é o seguinte chavão:</p> <blockquote> <p>"Se fores o meu topping, eu aceito ser a tua panqueca."</p> </blockquote> <p>É garantido que não vão passar a noite a ver as promoções da Prozis e até a aveia vai ter um sabor especial.</p> <p style="text-align: center;"><strong>Técnico de Óptica Ocular</strong></p> <p>Nem pensem em utilizar as ametropias dos clientes a vosso favor. Usem a cabeça e mostrem eficácia e profissionalismo. Por exemplo:</p> <blockquote> <p>"És a mola que faz saltar o meu parafuso."</p> </blockquote> <p>Ou ainda o clássico</p> <blockquote> <p>"O teu bisel encaixa perfeitamente na minha armação."</p> </blockquote> <p>Não convém é dizer isto a um colega de profissão... Já se sabe que o humor só tem cilindros negativos.</p> <p style="text-align: center;"><strong>Bancário</strong></p> <p>Há lá classe como mais potencial do que os trabalhadores na banca? Esqueçam as notas, o truque está na conversa fiada:</p> <blockquote> <p>"Quero ser o teu PIN secreto e acabar de vez com o ano do teu nascimento."</p> </blockquote> <p>Bo-ni-to.</p> <p style="text-align: center;"><strong>Compincha de ginásio</strong></p> <p>Nope, não são os agachamentos (mas podiam ser).</p> <blockquote> <p>"Posso ser o colchão para a tua prancha?"</p> </blockquote> <p>ou elevando o nível para um fitónerd</p> <blockquote> <p>"Conheces a teoria da terra plana? O teu glúteo tem tudo para a deitar por terra.."</p> </blockquote> <p>Obviamente em qualquer das duas arriscam-se a levar com um halter de 15kg no mindinho do pé, ou pior, passar a noite a ver vídeos de desastres fit, mas já que arriscam a vida a pôr lá os pezinhos...</p> <p style="text-align: center;"><strong>Contabilista</strong></p> <p>Não é fácil esta. Até porque números só atraem algumas mulheres se forem compostos por vários zeros e algumas vírgulas, mas vamos tentar:</p> <blockquote> <p>"Se a AT te descobre ainda te inventam uma sobretaxa para a beleza"</p> </blockquote> <p>Hã? Quem é miga? Ospois contem aqui à Caracol quantas cicatrizes de guerra vos valeu este dia. Ou então se arranjaram mesmo um amor para a vida toda. <br /><br /></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:204804 A Caracol 2019-02-08T11:29:00 Esperança 2019-02-08T11:32:48Z 2019-02-08T11:32:48Z <p>O sol desponta no horizonte iluminando a cozinha. Entorpecida por uma noite mal dormida, Esperança prepara um café forte na expectativa de a libertar da rigidez muscular e lhe trazer alguma energia para enfrentar mais um dia. <br />Só mais um dia, pensa para si, amanhã tudo será diferente. <br />A caneca de café aquece-lhe as mãos geladas e inchadas de frieiras. O inverno é duro para as mãos de quem faz da lida de casa o emprego de uma vida. <br />Não fora assim que idealizara a sua vida, não planejada nada disto e todos os tiros lhe saíram ao lado. <br />Abanou a cabeça e sorriu ao pensar nos filhos que ainda dormiam nas suas camas. Eram o melhor de si e por eles valera a sua pontaria pouco certeira nos alvos da vida. <br />Quanto teriam ouvido da noite passada? Teriam conseguido abstrair-se do ruído quase mudo do seu choro? Ou teriam embrulhado o medo mais fundo nos cobertores, abrançando-se em silêncio e desejando que o sono lhes dominasse a consciência? <br />Rezava para que a madrugada alta estivesse do seu lado e permitisse que o eco de um corpo espancado ficasse somente naquelas quatro paredes. <br />O sol continuou a sua subida lenta no céu, como se até a ele custasse recomeçar mais uma vez.<br />Resignada, Esperança respirou fundo e sentiu as equimoses do tórax. Não precisava de as ver, os anos tinham-se encarregado de lhe ensinar as várias fases da dor e aquela era apenas a segunda, a pior já tinha passado por alturas da madrugada. <br />Com um suspiro, terminou o café de um trago e dirigiu-se lentamente à casa de banho para se compor. <br />A noite difícil estava gravada a ferros na sua passada. Nada que um analgésico não resolvesse mais tarde. Naquele momento, não tinha tempo para tratar do corpo, era hora de manter a esperança no nascer do sol e no recomeço de um novo dia. <br />No seu íntimo, bem lá no interior da alma onde se escondem os segredos e pensamentos mais sombrios, Esperança questionou-se sobre quantos mais amanheceres lhe restariam, longe de imaginar que aquele seria o último.</p> <p>---------------</p> <p>10 Esperanças viram em 2019 - que ainda vai curto - o seu último amanhecer. Quantas mais serão precisas para que se perca de vez esperança no mundo?</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:204318 A Caracol 2019-01-18T12:53:00 Dia Internacional do Riso 2019-01-18T13:12:04Z 2019-01-18T13:12:04Z <p>Hoje, ao invés de (tentar) fazer rir, quero saber: o que vos faz rir? </p> <p>Sou pessoa de riso fácil e faço-o (quase) por tudo e por nada. No entanto, para mim, torna-se mais fácil rir da desgraça, do negro, do dia mau, da dor que incomoda, do exame que cria ansiedade ou até da morte. Vejo no riso o ansiolítico fácil de engolir<span style="font-size: 14pt;"> e a gargalhada ainda é o meu melhor </span>ibuprofeno<span style="font-size: 14pt;">. </span></p> <p><span style="font-size: 14pt;">Aquela corrida é muito dura? Duas ou três graçolas atenuam mais as dores nas pernas do que o voltaren e tornam mais plana a mais íngreme das subidas (só é válido depois. Durante só queremos mesmo falecer)</span></p> <p><span style="font-size: 14pt;">Acordaste de mal com a vida, com os dois pés de fora e está um frio que te gela o tutano? Ainda não viste o teu cabelo... Quando te vires ao espelho vais perceber e soltar uma gargalhada pelo terrível aspecto de quem alberga um ninho de toupeiras endiabradas no couro cabeludo. </span></p> <p><span style="font-size: 14pt;">O tendão de Aquiles inflama, fazes asneira na tentativa de tratamento e acabas com dois pés inutilizados? Ri-te e escreve-lhe meia dúzia de cartas, lembrando-te que podia sempre pior e teres que amputar os dois pés. Ou na volta isso até era a solução ideal. </span></p> <p><span style="font-size: 14pt;">A morte bateu à porta e levou alguém querido? Sorri ao relembrares o quão felizes foram juntos - não vai eliminar a dor, mas vai torná-la mais suportável. </span></p> <p><span style="font-size: 14pt;">Ri daquela borbulha no nariz que o disforma ou das calças que rasgaram quando te baixaste para apanhar o último euro que fugiu da carteira. </span></p> <p><span style="font-size: 14pt;">O riso desvaloriza a dor sem a ignorar nem menosprezar. </span></p> <p><span style="font-size: 14pt;">Se me aliciarem com propostas milionárias de sucesso onde apenas tenha que deixar de ser parva... Não quero, obrigada. Quero poder continuar a rir da minha azelhice diária, das pouca habilidade com que fui abençoada e do negro dos meus dias. </span></p> <p><span style="font-size: 14pt;">Porque enquanto eu souber e conseguir rir do que me enfraquece, vou ter força para me tornar mais forte. </span></p> <p><span style="font-size: 14pt;">Esta viagem é só de ida, se tornarmos caminho divertido o fim será menos agoniante. </span></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:204092 A Caracol 2019-01-16T09:59:00 Carta de um tendão zangado 2019-01-16T10:00:13Z 2019-01-16T10:00:13Z <p>Não tens noção do quanto me magoas quando me ignoras. <br />Sou forte - o mais forte, dizem - aguento com toda a carga que me queiras aplicar, mas não me ignores. <br />Não finjas que não sentes, não me tornes invisível e insensível. Isso magoa e mói muito mais do que uma má postura ou do que um sapato mais apertado. <br />Vou ser sempre o mau da fita para ti, o que te impediu de fazer o que gostavas, o que te limitou a liberdade de seguir em frente num curto espaço de tempo. Vou ser sempre o lobo mau da nossa história, mas não me importo, desde que aprendas a não ignorar quando chamo por ti. <br />Sentiste-me ontem? Chamei por ti. Não gritei como das outras vezes que te esqueceste de mim com negligência. Sussurrei baixinho:" Ei! Estou aqui. Faz qualquer coisa." Não te faças de desentendida, sei bem que me ouviste. Senti a tua mão a meio da noite, num gesto tímido para verificar se ainda estava contigo. Senti no teu íntimo que ainda não me esqueceste de vez e que ainda te preocupas comigo. <br />Dizem que tudo fica diferente quando acordamos e que uma boa noite cura quase tudo. <br />Acordamos juntos para mais um dia, mas por favor, peço-te com cada fibra que me compõe: não me ignores e trata-me com o respeito que mereço. <br />Sempre teu,</p> <p>Aquiles</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:203824 A Caracol 2019-01-11T17:48:00 Conversas com o meu Cérebro 2019-01-11T17:49:02Z 2019-01-11T17:49:02Z <p>Acho que já vou poder correr logo à noite!</p> <p>Vais, então não vais coração...</p> <p>Oh, não sejas assim. Já não dói, já movimento bem o pé em todas as direções, já camin<span class="text_exposed_show">ho sem mancar há mais de uma semana...</span></p> <div class="text_exposed_show"> <p>Já estás nova, não é?</p> <p>Exato.</p> <p><a class="_58cn" href="https://www.facebook.com/hashtag/s%C3%B3quen%C3%A3o?source=feed_text&amp;epa=HASHTAG&amp;__xts__%5B0%5D=68.ARAl-9vgHETUsghvSEc--D8lC6Xt-xuP5JPzeI4YE5qYd0IYb6HtTTITIh0YPTcd359zbukMR3GMxNG992pkhziK74a1jsJ966RMbtVbfX2ZPMrunG8r8J9tTpaItqKZv9_oYVYGcXtPfGpdOqXta5fZ_-FNHPg52uDp4hgwvQrG8-IHBtTZGM7SXIvfsnm9lxlvBYzhOKZzR2VkvkS75XyODb41BfGXxHYq08N5wsLHblR1pJnez5IP8Bbf3q2Mx6YOPwUi3_GlY6iVJ6FgzTzgTZYfXyPIOO6yGneG_F6Thwo6emIFDL25PM8UirU1eVJCln-B5AbR7kpFGY4SHUQreohzlUQaIwYBJBC0ViZ-&amp;__tn__=%2ANKH-R"><span class="_5afx"><span class="_58cl _5afz" aria-label="hashtag">#</span><span class="_58cm">SóQueNão</span></span></a> filha. P´lamor de deus, tu quase não caminhaste um par de semanas, andaste aí a ganir como se te estivessem permanentemente a pontapear os calcanhares com biqueiras d’aço…</p> <p>Ah, não foi bem assim...</p> <p>...E queres ires já correr? Estás a tentar aniquilar os tendões de vez?</p> <p>Tens razão. É melhor não.</p> <p>Linda menina.</p> <p>Mas se calhar devagarinho até já nem faz assiiiiiiimmmmm tanto estrago. E levo as palmilhas, óbvio. E vou no ritmo extra lento.</p> <p>Vai. Manda-te. Não te esqueças e guardar mais uns trocos para tratamentos extra de fisioterapia.</p> <p>Tens razão. É melhor não. Para a semana já devo poder voltar com tudo….</p> <p>Sim, sim…</p> <p>Até lá se calhar já posso regressar ao cycle! É de baixo impacto e prometo fazer o movimento direitinho. Se calhar….</p> <p>Se calhar já ganhavas era juízo!</p> <p>Caramba. Sempre do contra.</p> <p>Não sei como não te lembraste do JUMP, já que estás numa de loucura….</p> <p>Achas?! JUMP?! Tão cedo não me meto noutra… Mas o HIIT na segunda-feira… Até nem era mal pensado. Já não dói nada e ainda ontem desci as escadas a correr, sem querer.</p> <p>Queres que te traduza HIIT ou chegas lá sozinha?</p> <p>Pode ser que não se salte...</p> <p>É. E pode ser que não morras a cada intervalo de 30 segundos. Francamente, tu és mesmo bicho de memória curta, não és?</p> <p>Oh, fogo! Não posso fazer nada! Caramba, inválida aos 30 onde é que já se viu?!</p> <p>Deixa-te de ser assim. Podes fazer imensa coisa: braços, tronco….</p> <p>…Costas e abdominal. Já sei. E nem sequer isso tenho conseguido fazer. Bah!</p> <p>Vais logo à noite e fazes.</p> <p>Hmmm. Bem pensado. Mas primeiro vou perguntar da corrida. E do cycle. E do HIIT.</p> <p>DEMITO-ME! Com efeito imediato! Arranja outro cérebro qu’eu vou-m’embora! Estou farto disto! Nunca me ouves.</p> <p>Chiça! Que mau feitio. Pronto, está bem. Eu vou e faço só o que me deixam. Secaaaaaaaaaaaaaaa.</p> <p>Leva água.</p> <p>Engraçadinho.</p> <p> </p> </div> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:203648 A Caracol 2019-01-07T18:07:00 FitFinição 2019-01-07T18:15:00Z 2019-01-07T18:15:00Z <p>Um dia, a meio de uma campanha fitóeleitoral, pediram-me ajuda para um projeto.</p> <p>E foi tão bom, tão desafiante! O efeito final ficou tão bonito, tão inspirador, tão humano, que eu achei que não devia ficar só por ali... Gamei a ideia e usei-a em meu proveito.<br />E porque não? <br />Porque não podem aquelas pessoas que nos inspiram todos os dias a ser melhores ter uns minutos de audiência para falar de si? <br />Porque não? <br />Tenho para mim que toda a gente tem histórias para contar e aventuras para partilhar. Uns poderão ter mais jeito do que outros para o fazer, mas no geral todos nós somos, em certa medida, inspiradores para outros. <br />No meu caso particular, a inspiração vem muitas vezes do fitness. Ou retificando: das pessoas com quem partilho exercício físico. <br />E tantas, mas tantas!, vezes nos esquecemos que são como nós, que têm uma vida lá fora e apesar de viverem do exercício não é ele que os define. <br />Por outro lado, também há quem nos motive a melhorar pela resiliência e persistência com que encaram cada desafio proposto, por muito que doa, por muito ar que falte, por muita ressaca que tenham no dia seguinte. <br />É assim que nasce o FitFinição*. <br />Um espaço de desconstrução de personagens onde os professores deixam de o ser para serem apenas o Nuno, o Pedro, o Joaquim ou o Manuel. Onde os alunos deixam as sapatilhas no saco e deixam-se desafiar pelo que já foram, o que são e o que querem ser. <br />O FitFinição é sobre pessoas que têm em comum o gosto pelo desporto. E não pelo desporto que tem em comum pessoas.</p> <p>Começou hoje, com o Nuno a fazer as honras e abrir o espaço. </p> <p>Ensina fitness há 4 anos e é um apaixonado pelo que faz, pelas pessoas e pelo mundo. </p> <p>Podem ver aqui e já agora, fazendo o obséquio, podem passar a subscrever o canal acabadinho de abrir no youtube. Nada pedinchona. Absolutamente nada. </p> <p class="sapomedia videos" style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/5GhnEulLA_A?feature=oembed" width="640" height="360" frameborder="0" style="padding: 10px 10px;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> <p class="sapomedia videos" style="text-align: left;">Ah! E não se esqueçam de dar a vossa opinião! Mui grata. :D</p> <p style="text-align: center;"> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:203387 A Caracol 2018-12-31T15:10:00 Querido 2019, 2018-12-31T15:14:01Z 2018-12-31T15:14:01Z <p>Anda devagarinho, não sejas apressado, a malta tem tempo e passa a vida a fazê-lo correr mais depressa numa vida vivida entre rotinas e esticares de ponteiros. Não me tragas o Carnaval tão cedo e livra-te de me dizeres que tarda nada estamos todos no Natal outra vez. Levas logo com meia rabanada recessa na ventas só para aprenderes que não se brinca com o tempo. </p> <p>Por falar em brincar, relembra-me que o humor não tem limites e dá um cachaço ou meia engasgadela com uma passa a quem ainda acha que sim apenas porque não se identifica com alguma espécie de humor. A quem ainda confunde humor com opinião, ignora e dá-me paciência para ignorar <span style="font-size: 18.6667px;">também</span><span style="font-size: 18.6667px;"> </span><span style="font-size: 14pt;"> - sobretudo quando me apetecer comentar  com os dedos a ferver de mau humor. </span></p> <p><span style="font-size: 14pt;">Ajuda-me a ver sempre o lado positivo e a ser mais optimista. A vida já é dramática o suficiente e uma queda é só uma queda não é propriamente a extinção de uma espécie. </span></p> <p><span style="font-size: 14pt;">Vai-me relembrando dos aniversários ao longo do ano, mas por favor não te esqueças de me lembrar também fora deles - os amigos não são só importantes em datas especiais. </span></p> <p><span style="font-size: 14pt;">Traz-me aqueles fins de semana pacatos, com boa companhia, melhor conversa e muitas gargalhadas - lembra-me para não me esquecer de os programar. </span></p> <p><span style="font-size: 14pt;">Ajuda-me a ser melhor pessoa e a utilizar melhor o meu tempo entre tantos afazeres diários. </span></p> <p><span style="font-size: 14pt;">Sê tão inspirador para parvoíce como o 2018 e continua a ajudar-me nesta coisa quase nobre de fazer rir meia dúzia de boas almas, onde egoistamente me incluo. </span></p> <p><span style="font-size: 14pt;">Acima de tudo, mantem-me presente no espírito que tudo aquilo que pedi depende apenas de mim e não de ti.  </span></p> <p><span style="font-size: 14pt;">Que sejas um excelente ano e que consiga acompanhar-te nos próximos 12 meses (de preferência sem mancar e sem outras lesões de maior).</span></p> <p><span style="font-size: 14pt;">Um bom ano para todos os que por cá passam diariamente, só de vez em quando ou quase nunca. É melhorar isso também. ;P</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:acaracol:202953 A Caracol 2018-12-30T16:00:00 Pai Natal e os 8 Pássaos - Parte V 2018-12-24T12:34:13Z 2018-12-29T09:55:11Z <p>      Nicolau nem se conseguiu pronunciar. Idalete tomou conta de toda a situação, sabia que ela seria a salvação dela, mas nunca pensou que ela é que fosse entregar os presentes, afinal o Pai Natal era ele! A Passarada foi-se levantando e dirigindo-se para as suas funções, ficando para trás apenas o Pai Natal e a Idalete...</p> <p>- Idalete, amorzinho - dizia o Pai Natal, corado - isso é trabalho para... Huummm... Ahhhh...</p> <p> </p> <p>- Para um homem? É isso que queres dizer?</p> <p>Nicolau sentia a fúria da mulher e não era isso que ele queria insinuar...</p> <p>- Não, querida. É trabalho para mim. Eu sei que ando um pouco estranho, ultimamente. Mas a verdade é que não é o Natal que me está a preocupar. És tu, amorzinho.</p> <p>É então, finalmente, o Pai Natal desabafou...</p> <p>Ao longo de todos aqueles anos como Pai Natal, Nicolau nunca tinha conseguido oferecer a Idalete o presente que ela mais queria. Um filho. E todos os anos criava-se uma angústia enorme no seu coração, porque ele levava a todos os meninos e adultos que acreditavam nele, as prendas que todos desejavam.</p> <p>Já com esse desabafo exteriorizado, Idalete chorava agarrada ao Pai Natal.</p> <p>- Querido, tu não vês que eu nunca quis mais nada que não fosses tu?</p> <p>Nesse exacto momento entra Aretha, com um coro para começarem a entoar os hinos natalícios.</p> <p>O Pai Natal informou os 8 Pássaros que nada estava perdido. Ele iria utilizar toda a sua magia para pôr este re Natal a andar. Ligou para Deus e disse-lhe que ele tinha que pôr o menino na ordem em vez de mandar os outros entretê-lO, ao que Ele aquiesceu. Como por magia, em casa do Pai Natal a balbúrdia resolvia-se para espanto de todos.</p> <p>Nicolau estava a transformar-se na figura natalícia que viaja pelo mundo.</p> <p>Num instante, também se puseram todos lá. Os elfos trabalhava a todo o vapor, Idalete acabou de fazer o repasto para a viagem, o livro das entregas estava pronto e até Jesus tinha até deixado um postal de natal com a Sagrada Família, a agradecer pelo presente (Maria fica sempre bem nas fotos, pensou Idalete, enquanto admirava o postal).</p> <p> </p> <p>Sempre ficara com o overboard, com a promessa de não andar por aí a fazer milagres em cima daquilo. E lá percebera que, o Seu papel era de trazer esperança ao mundo, completando o Pai Natal.</p> <p> </p> <p>E pouco antes da meia-noite, Nicolau saiu no seu trenó, com a certeza que o espírito Natalício estava vivo.</p> <p>Idalete tinha-lhe dito, momentos antes de sair, que o único filho que ela queria era apenas saber que todas as crianças do mundo sorriam ao ver os presentes que o Pai Natal, São Nicolau, lhes levava naquela noite. Feliz, o Pai Natal saiu para cumprir o seu destino, deixando para trás todos os pássaros felizes.</p> <p>E assim se salvou mais um natal.</p>