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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Sou fit! E agora?

Então e o vosso dia da mãe? Tudo já curtiu as crias, já desesperou com birras e já mandou calar baixinho o Panda, a Elsa ou qualquer outro boneco animado, enquanto se imaginava a arrancar cabelos? Fixe, é o que se quer. Desde que haja saúde e um ou outro palavrão mudo, a maternidade faz-se bem. Estou assim um bocado positiva, hoje. Sabem como é: falecer tem este efeito. Vá, pronto, o quase falecimento, para não cair em exagero.
E onde quase faleci? Não, claro que não fui correr. Francamente, mas vocês acham que não faço outra vida?
Só passei parte da manhã a tentar sobreviver ao Challenge Arena Medieval ocr​.
É a vida: há quem aos 30 já tenha juízo, eu ainda estou por descobrir o meu.
É a segunda vez que faço uma prova do género (participei na Bio Race, em setembro passado), mas desta vez em 10km.
Só podia estar louca. É que só podia estar louca.
A ideia até é gira: uma corrida com obstáculos inspirados na época medieval. Muito giro, muito original, mas com obstáculos do demo. Por exemplo, atravessar um regato. A nado. Ou fazer como eu: seguir pela berma e esfolar logo as pernas todas nas pedras com musgo.

(Pequeno aparte: Gente, vacinem a canalhada. Muita vez agradeci à minha mãezinha me ter dado sempre as vacinas todas e ter a do tétano em dia. Vejam lá isso, que é uma chatice uma pessoa achar que até vai divertir e arranhar um bocado, mas acaba a sair de lá com tétano no lombo. É chunga. Avançando...)

Tambem não sabia que teria de escolher entre o nariz ou rabo - leia-se arriscar todo o nariz e descer um declive com fé em Deus, ou jogar pelo seguro, alapar o rabo na terra, rezar para que não existissem pedras muito agrestes, porque os calções foram caros e acabar com pelo menos um nódoa negra. Em cada nádega, que o equilíbrio é coisa que o corpo aprecia.
O facto de ir em equipa - e com uma equipa muito espetacular - ajuda um bocadinho a eliminar algum medo, mas quando se vê uma mini escarpa para descer com a ajuda de cordas, não há nada que nos valha e vemos a vidinha toda ir pelo precipício abaixo. Isso e a pouca coragem que nos resta. Se é que alguma vez veio no bolso de dentro dos calções. A minha deve ter ficado no carro, com certeza.
Mesmo assim consegui reclamar uma ou duas vezes, quando o fôlego e o medo permitiam verbalizar alguma coisa minimamente coerente.
A parte que mais me custou, que doeu mesmo cá dentro, foi mesmo ter de usar um colega como 'escada'. Ainda tentei tornar-me mais leve, mas acho que não consegui e o desgraçado levou com três temporadas de GoT e respetivas bolachas em cima do costedo. Vivendo e aprendendo: a partir de agora só vejo séries a enfardar algodão doce.
No final - e apesar de algumas falhas de organização que, acredito, serão melhoradas nas próximas edições - o divertimento superou os joelhos esfolados, a amizade e superação batem bem o cansaço e as nódoas negras sempre dão um colorido engraçado à derme. Assim uma espécie de obra de arte abstracta, digna de um qualquer Kandinsky.
Pronto. Vou dormir que o meu mal é sono.

(Só por acaso, acho que as minhas pernas parecem mais Pollock, mas tudo bem. Não vamos estar agora aqui a debater arte em forma de nódoas negras.)

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