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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Devolvam-me a realidade, por favor

Se há coisa que eu adoro nesta vida - além de papas de aveia - é a literalidade.
Há lá coisa mais bonita do que um mundo sem piadas e sem ofensa em cada esquina? Um mundo puro e casto, com floreiras de tulipas no inverno e rosas sempre em botão? Sem esta malta armada em engraçadinha e sempre a mandar bitaites sobre tudo e sobre nada. Isto não é humor. Humor eram os Malucos de Riso que gozavam com esterióripos, mas como tinham o Camacho Costa a malta não levava a peito.
Agora é só humoristas de trazer por casa e comediantes de caixas de comentários a notícias espalhafatosas.
E eu não gosto disso. Porque é que não podem dar opinião sem gozar? E depois nós é que não temos poder de encaixe! Como se fossemos nós o défice da equação, como se o problema fosse mesmo nosso, dos literais, a quem tudo ofende.
Chamam-nos virgens ofendidas. Não porquê: nem sequer há virgens nestes tempos. Isto enerva-me! Não podem ser concretos um bocado e falar a sério? Sem ironia, sem escárnio e sem sarcasmo? Custa assim tanto utilizar metáforas bonitas e que não aleijem muito o nosso ego? Já não chega envelhecer, as articulações a ceder, a confiança pessoal entrar em colapso e ainda temos que levar com piadas de algibeira? Todos os dias? A todas as horas? Não dá!
Quero a minha literalidade de volta, quero sentir outra vez o peso das dores onde insistem em alegar que o humor atenua, quero viver livre, feliz e contente na minha verdade. Agora, calem-me essa gente das piadas. Já ninguém as suporta.
E viva o 25 de abril! Apesar de eu achar qu'isto no tempo do Salazar é que era bom e que agora há liberdade a mais. Mas pronto, viva o 25 de abril porque aquilo ainda deu trabalho e com trabalho não se brinca. Nem com dinheiro, também não se brinca com dinheiro. Aliás brincar só com bonecas. De plástico, que as de porcelana quebram e depois alguém tem que limpar.

Querido Sr Pedro

 

Tentei ligar-te ontem, mas a linha aí para cima estava ocupada. Deduzo que o Osíris estivesse a tentar a sorte dele contigo antes de partir outro telemóvel, por isso vou tentar a via mais tradicional. Pode ser que o Wi-Fi aí já funcione e estejas ligado à rede.
Olha, tu sabes que eu te curto. Eu tenho esta mania de dizer que não acredito e que não faz sentido e que o inferno é que é bom, mas tu sabes, bem lá no fundo, que são só balelas. É só para ser fixe e sentir que mando alguma coisa, quando na realidade não mando nada. Enfim, humanos. Tu percebes, certo Sr. Pedro?
Mas hoje não é por mim que quero falar contigo. É o seguinte: dizem os senhores da meteorologia que amanhã chove a potes. Ora, até aí tudo bem não há grande problema, mas achas que, eventualmente, podes fazer aí uma pausa nisso a partir da madrugada de sábado? É só umas horitas, 8 a 10 no máximo. Passo a explicar: uns amigos vão fazer uma caminhada até uma amiga tua (a amizade deve valer alguma coisa aí em cima, não?) e já é duro o suficiente levantarem-se às 3 e tal da madrugada para percorrer 40 e tal quilómetros. Tu já viste o desmoralizante que é se ainda por cima lhes cair o céu em cima sob forma de água? É desumano. Dá para dares aí um jeito a isso? Podemos trocar, se quiseres: tenciono ir correr amanhã à noite, podes largar tudo em cima de mim que eu tenho bom lombo e posso com isso (mas só em cima de, ok? Arranja aí uma nuvem como a Elsa arranjou para o Olaf, pergunta-lhe como é que ela fez que ela é boa moça e de certeza que te ajuda). Desde que deixes ali umas horas de tréguas, por mim tudo bem. A propósito, das 18:30 às 20:00 o homem - e mais uns amigos - têm um trail. Vê lá isso também, por favor. Já é muito? Hmmm, e se eu deixar três estendais de roupa quase seca à tua mercê e não reclamar nadinha? Temos acordo?
Repensa lá isso, por favorzinho. Lembra-te que nem sequer reclamei da tua febre que quase nos cozeu vivos dia 24 de março, hã? Não custa nada agora dares aí este jeitinho. Pensa nisso, com todo o teu carinho.

Tua eterna devota,

Caracol

Os verdadeiros benefícios da corrida

 

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Toda a gente nos tenta vender a ideia de que correr é fixe, que quem corre é muito mais feliz e que ganhamos anos de vida por cada quilómetro percorrido.

Uma treta se querem saber.


O que vale é que existem pessoas como eu, que vivem para contar a verdade sem medo de represálias – até porque ninguém leva a opinião do alcatrão a sério.

Apertem lá os atacadores (fictícios, obviamente) e venham comigo dar uma voltinha pelos verdadeiros benefícios da corrida.

 

  1. Promove a valorização das pequenas coisas da vida.

Como o oxigénio, por exemplo.

  1. Aumenta o vocabulário.

No que toca a impropérios, claro. Desde o “cê” ao “pê”, passando pelos “efes” todos. Vale tudo.

  1. Reconhece a importância do tempo.

Tanto que há alturas em que só nos apetece partir a porcaria do relógio porque o estuporzinho se recusa a acompanhar a nossa velocidade de passada imaginária.

  1. Adia o estado de falecimento.

Até porque para morrer é necessário estar vivo, portanto…

  1. Erradica medos irracionais.

Têm medo do escuro? Do apocalipse zombie? De bruxas? Isso é para meninos. Já viram alguém vivo a correr? Eu já. É assustador.

  1. Aumenta a consciência corporal.

 Sobretudo ao nível dos gémeos. E das coxas.

  1. Catalisa a criatividade para frases motivacionais.

 O que sobe também desce. O que alcatrão percorrido já passou. Só falta acabar. ESTÁ QUASE!

  1. Melhora o funcionamento cárdio-tóraxico

O meu está tão bem afinado que às vezes parece até funciona fora do corpo. Sobretudo nas subidas. Perdão, nas P*&@S das subidas.

  1. Aumenta o humor

O negro, sobretudo. Rir das desgraças também nunca matou ninguém, já correr…

  1. Promove a economia

Já viram o preço de umas boas sapatilhas? E sabem quanto tempo é que elas duram? E as leggins? Não falemos sequer em meias de compressão às bolinhas cor de rosa*.

 

Como vêem eu não minto. Morrer correr faz muitíssimo bem e acarreta imensos benefícios. Agora vou só ali preparar a mente para não panicar nos 10km do demo fáceis deste domingo, esquecer que o gráfico de altimetria parece um CTG de uma grávida em trabalho de parto é mesmo animador e beber um gin chá. Ou dois.

(Alguém orienta aí um Victan? Ou Xanax? Então e Valiuns, não? Rico público… )

*Ainda não existem meias de compressão Às bolinhas cor de rosa. Uma terrível lacuna de mercado, se querem saber. 

Relato de um jantar de gajas

⚠️ Ler como se fosse um relato de futebol ⚠️

21h do dia 8 de março e o mulherio de-li-ra faminto. Há um mês que apenas comem ervas aromáticas e o estômago vibra de antecipação.
O empregado indica as mesas que são imediatamente arrebatadas.
O buffet é declarado aberto.
É no vale tuddoooooooo!
Há um cheiro no ar. O que é aquilo, minha gente? O que é aquilo?! RISSÓIS! São RRRRIIISSÓÓISS! Acabadinhos de fritar! A fila ainda vai extensa, será que vão sobrar para a mulher de lantejoulas? Será? Oh meu Deus! Incumprimento na fila! Como é possível! E o árbitro não diz nada! E ela continua. Um rissol, dois rissóis. TRÊS RISSÓIS para o prato gigante! Aí que nervos! Será que vai ver o cartão vermelho? Vai ser expulsa com toda a certeza e ainda vai ter que deixar os rissóis para outra.
Que habilidade!
Que reviravolta fantástica!
Que chuto maravilhoso no âmago das invejosas pela gordura frita!
A mulher regressa à sua mesa com a maior descontração.
Que situação tão perigosa para o adversário!
Espera, espera, espera!
Mas o que é aquilo?! O que é aquilo?! É um remate do DJ! Ao lado! Caramba! Há homens aqui? Isso dá direito a expulsão direta! Mas ele continua, ele insiste, ele não desiste e finalmente...ah! Finalmente, muda a gravação apenas mulheres fazerem barulho.
Wowowowoowow! Nova reviravolta! Que grande twist! Que grande penalidade no pé de dança! É o Panda! O PANDA!
Ah, mas as mulheres não querem saber! Elas continuam. Elas põe a cabeça para trás. Os ombros para a frente. Os polegares para cima. É agora! É agora! É agora!
Tchu tchua tchu tchua tchu tchua ua
É a LOUCURA!
Há ali um burburinho ao fundo. Novo ataque de um grupo pouco silencioso. Alguém recita o alfabeto. As canetas estão prontas e os cérebros aguçados. ela continua, ela segue, passa o D, chega ao G e STOP! É STOP! É STOP no XISSS! Que clássico incrível!
Novamente à pista de dança. É a loucura! É o remate louco! É o tudo por tudo! É a bunda no chãooooooo!

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Fonixxxxx! Como é que aqueles gajos fazem isto parecer tão fácil? 🙄 Estou aqui há duas vidas e ainda só cheguei às 10 da noite!
Mas acho que já perceberam a ideia. 😜🤪
Pequena nota editorial: tudo muito fraquinho a bater c'a 'bunda no chão'. Faço bem melhor só a tropeçar nos ácaros do chão. 🤣😂

#RiP8deMarço
#TenteiFazerRelato

Disfarces de Carnaval DIY

Para quem, como eu, a-do-ra o Carnaval e tudo é motivo para lhe pôr uns patins mas até têm de levar com ele em alguns locais, lembrei-me que seria de extrema utilidade deixar-vos sugestões de como criarem a vossa própria máscara, sem venderem um rim para África e sem terem efectivamente de caprichar na fatiota. Só precisam vestir a pele de um bom actor, serem convincentes no discurso et voilá, disfarce concluído com sucesso.

1.Semblante fechado, nenhum sorriso e olhar a percorrer todos os cantos. Se vos perguntarem: “Onde é que está o teu disfarce?” respondam convictamente: “o meu nome Gertrudes, Fiscal Gertrudes. Venho por parte da AT para uma auditoria.” É garantido que vão espalhar o terror.

2.Encham com farinha uns poucos de saquinhos transparentes (ou façam pequenas trouxas com película aderente) e guardem nos bolsos. À pergunta da praxe neste dias, devem responder com ar comprometido: “Aqui não. Chega aqui a um canto, faxabore e dirfarça.” De seguida mostram subtilmente os sacos e perguntam: “Quantos queres?”. E p’lamor da santa, esqueçam os bonés com a pála ao contrário, as correntes da cadeia da Relação do Porto e os óculos de sol do cigano, toda a gente sabe que os traficantes mais poderosos parecem pessoas normais.

3.Usurpem o distintivo de polícia do fato dos vossos filhos e guardem-no no bolso. Quando vos questionarem a falta de fatiota, saquem o distintivo e afirmem: “Agente Albina em missão à paisana e infiltrada. Estou aqui no âmbito de uma investigação ultra secreta e estás a estragar-me o disfarce. Sai-me da frente antes que te prenda por obstrução à justiça.”

4.Ajam com normalidade e usem roupa comum. São um criminoso perigoso e que está a tentar esconder o maior desvio de capital alguma vez visto. Se vos abordarem, finjam que não sabem do que estão a falar e NUNCA mencionem o vosso verdadeiro nome.

5.Vistam uma indumentária solene e de cor escura – se tiverem fato tanto melhor. A primeira pessoa a perguntar-vos pelo disfarce, responde com voz suave: “O meu nome é Vitória e trabalho na ServiLusa. Recebemos uma ordem de serviço para as suas cerimónias funerárias.” Este resulta especialmente bem se o visado for do clube que perdeu no clássico de sábado. (#RunSnailRun)

Aqui na foto, como podem verificar, eu optei pelo disfarce 3 para mim e a minha colega pelo 4, onde encarmos uma agente de autoridade infiltrada num processo "treinos dourados" e uma criminosa que desvia cartões com mais presenças que o dela.

De todo o modo... É Carnaval e portanto ninguém vai levar a mal que não gostem muito dele.

carnaval.jpg

 

A ver se eu percebo...

Falo sobre desporto a brincar

Classifico tipos de Paleos não uma, mas duas vezes. 

Escrevo parvoíce no geral, mesmo quando só me dão pérolas e só me apetece sortear chapadas. 

Ensino a malta a tirar proveito da profissão para conseguir engatar um par para o dia dos namorados e ainda explico como funciona o amor antes e depois dos descendentes. 

Tive duas tendinites de Aquiles a brincar, porque se há coisa que eu posso é gozar comigo. Antes isso que cordas militares com salto. 

Então e mulheres? Ele é nas aulas de dança, ele é em pink partys, um regabofe de gajedo se querem saber. 

Pelo meio das palavras, idealizei, estruturei, escrevi, realizei e editei uma pequena paródia

Não sou espectacular. 

Não sou nada nunca antes visto. 

Não sou fenomenal. 

Ainda tenho muito que aprender no que à escrita diz respeito. 

Mas todo e qualquer conteúdo que publiquei até à data saiu do meu pequeno cérebro retorcido e de funcionamento estranho. 

E é sempre bom saber que uma plataforma como a SAPO ainda valoriza a originalidade e a imaginação, promovendo malta que tenta fazer rir, no seu novo separador de humor. 

Achava eu que que conseguia fazer rir alguma alminha, mas nem a um anfíbio consegui levantar os cantos da boca. O melhor é esquecer isto de tentar ser engraçada e dedicar-me à agricultura, pelo menos tomates para salada devo conseguir vingar.

E devo acrescentar que o mínimo dos mínimos, além de tentarem conhecer os blogues que compõe a plataforma (sim, somos muitos. Não é o trabalho deles?), seria colocarem quem ganhou os Sapos do Ano. Aquele concurso caseiro, onde ninguém ganha nada a não ser um pacote de açúcar, mas que tantas dores de cabeça deu à Magda e ao David. Colocarem a Pequeno Caso Sério ,além de merecido, seria valorizarem um pouco o trabalho de quem nada ganha, mas tanto cria. 

Agora vou ali emborcar um Kompensan para curar a azia.

Mais logo esgoto duas garrafas de gin, amanhã faço o meu plano de treino novo duas vezes, afogo o resto das lágrimas em chocolate e lá para domingo estou restabelecida. 

 

 

Plano de treino novo - versão 2.0

 

Acho estranho no aquecimento estar escrito "Só passadeira", mas cumpro e utilizo apenas aquele equipamento durante 7 minutos de corrida moderada.
Quando chego ao exercício seguinte percebo que afinal aquilo são 20' passadeira, só que li o apóstrofo como acento.
Só Deus Nosso Senhor e o Senhor professor saberão porque raio tenho tanto cardio e treino funcional misturado com exercícios de força e resistência. Por isso estranhei a "Treadmill" 8-8, que li como passadeira 8minutos velocidade 8. Um nadita lento, mas podia ser uma espécie de bónus ao calhas. Ah-ah! Provavelmente, é na elevação 8 velocidade 8. Faz mais sentido.
Porque é que eu fui confirmar e não me limitei a seguir a segunda opção?
Porque sou um calhau com pernas. Só pode. Ou isso ou sou tona. Ou os dois. É provável que seja os dois.
Eis que me é explicado que a "Treadmill" - doravante chamado de EnganaDor - é aquele aparelhometro caído de um outro planeta que parece uma passadeira, é uma passadeira, mas não funciona como uma passadeira. É preciso uma pessoa empurrar o tapete, que tem a resistência de um hipopótamo obeso, lutar contra uns elásticos que nos sugam toda e qualquer réstia de fôlego que tinhamos e aquilo começa, finalmente!, a contar os segundos. Era suposto correr no EnganaDor, mas limitei-me a subir a Rua dos Clérigos de joelhos enquanto puxava uma bigorna de tonelada e meia. Ou pelo menos foi isso que eu senti durante aquele lonnnnnnnngossssss dois minutos.
Ui, já chega de resistência, não Caracol?
Pois, eu também achava que sim, mas depois de mais umas séries de força, espetam-me com isto:
Cordas militares. 3*20. Carga: salto.
Mas. Que. Raio. De. Coisa. É. Esta.
Ok, cordas militares é muito giro (#SóQueNão) mas... Desde quando é que um salto é carga, hã? Para que é que uma pessoa quer 3 kg a mais se não lhe podem servir de carga extra?! Uma barbaridade, é o que vos digo.
Obviamente, tentei escapar. Não que não quisesse experimentar - que até queria - mas porque já me tinha chegado o EnganaDor para experiência do dia.
Claro que, como boa mentirosa que sou, meti os pés pelas mãos quando me perguntaram "então? O que é agora?".
O que eu queria ter perguntado era "o que é remada invertida?", numa tentativa de fazer ali gingajoga de aldrabice e trocar um exercício por outro, mas o que realmente verbalizei foi "o que são remadas militares?".
Obviamente, nem o professor sabia que raio era aquilo, leu o plano, percebeu que lhe estava a tentar passar a perna, eu admiti logo mal ouvi o click mental dele numa tentativa vã de me ilibar confessando o crime, mas não me adiantou nada. 🤦
A acrescentar a isto, desenvolvi uma sacana de umas consciência fit manhosa que me obrigou a fazer 25 repetições na última série para compensar as 15 que fiz na segunda.

Agora perguntam vocês:

Não te arrependeste de ter escolhido essa opção quando tinhas tantas de dolce fare niente disponíveis e sem grandes desculpas esfarrapadas?

Não.
Nem por um segundo. 😜

Coisas giras que ouvi nesta vida

Estou sem tema para escrever (mentira, é só uma desculpa foleira para vos presentear com isto), portanto fiz um esforço de memória, abri o caderno "Ler em dias maus para rir um pouquinho" e recortei algumas das coisas mais giras e engraçadas ouvi ao longo destes meus trinta anos de existência. Grande parte foi pronunciada nesta última década o que prova a velha teoria de que de facto os vinte podem efectivamente ser gloriosos. 

Preparados? 

Casaste muito nova e decidiste logo à primeira... Devias ter experimentado mais... Digo eu, atenção. Tu é que sabes. "

Ora aí está uma conclusão brilhante: eu é que sei. E ele também, neste caso, uma vez que não casei sozinha. E já agora... Devia ter experimentado mais o quê? Sabores de gelado? Marcas de automóveis? Experiências radicais? Maratonas e iron's mens? Comida vegetariana? Enigmas é o que vos digo, só enigmas. 

Não me lembro do que respondi na altura, mas deve ter sido o costume: sorrir e acenar. 

Foda-se, a sua vida é uma merda! Nunca lhe apeteceu dizer isto?

Esta é hi-la-ri-an-te! Sobretudo se tivermos em conta o contexto: foi proferida por um psicólogo, logo no começo de uma consulta. A isto é que eu chamo uma entrada em grande! Cá agora anamneses e historial do paciente, temos de ser práticos e assertivos: o que é que a traz por cá? Assim mesmo à merceeiro de aldeia que lança o pregão habitual "Então D. Gertrudes, que vai ser hoje? Olhe, tenho ali uns espinafres que são um mimo e uns biscoitos Paupério que vão fazer as delicias dos gaiatos."  Quanto aos palavrões... Bom, nunca fizeram mal a ninguém e uma bom foda-se no momento certo consegue ser bastante libertador. Por exemplo, naquele momento, libertou toda uma torrente de lágrimas que enxuguei em dois maços de lenços de papel. Quando o pranto terminou, sorri e abandonei o gabinete para não mais voltar. Aquele sôtor tinha uma fila muito grande à espera e não queria ser inoportuna estragando-lhe o dia com infortúnios da minha vidinha absolutamente comum e banal. 

Só gostas de Saramago porque queres parecer inteligente.

Ah, a inveja de não gostar do que não se percebe. Adoro! É mais uma das tiradas que provavelmente me fez elevar os cantos da boca num sorriso, sem uma resposta à altura de um tão poderoso argumento. O irónico é que a pessoa deve ter achado que lhe dei razão quando na verdade a estava mandar abaixo de Braga, ali em baixo mesmo ao pé do sítio onde Judas perdeu as botas, estão a ver? Lá está: a inteligência não se mede com palavras. Uma pena que a maioria das pessoas ainda não percebido isso. 

O texto já vai longo e rico em parvoeira, mas deixem-me só deixar-vos a minha favorita de todos os tempos: 

Ficaste bem na vida depois dos teus pais falecerem. 

TAU! Caramba, qu'isto é que é sabedoria, hã? Admiro este pessoal que sabe falar e acerta mesmo no alvo. E estão carregados de razão. É verdade sim senhora, fiquei bem melhor com duas perdas tão grandes aos vinte e poucos anos e no espaço de pouco mais de vinte e quatro meses. É, aliás, uma experiência que recomendo vivamente. Só acho que efeito de nirvana e paraíso é potenciado e aumentado se forem os dois ao mesmo tempo. Aí meus caros é praticamente o EuroMilhões. Vão passar os dias a beber água de côco e banhar-se em água cristalina enquanto decidem se vão nadar com tubarões tigre ou ver os recifes de coral. Fazer-se à vida e trabalhar é só para quem os perde à vez. É chato mas é a vida. 

Como respondi na altura? Como sempre respondo quando os argumentos me deixam muda de estupefacção: com um sorriso e com um aceno. 

Não escrevi isto para me lamuriar - acho que perceberam isso - foi mesmo só para não me esquecer que o melhor remédio ainda é rir. E vá, pronto, porque não gosto de guardar diversão só para mim.