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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

E agora?

Foi impulsivo, assumo, deveria ter pensado melhor, delineado uma estratégia, mas... não há uma lei qualquer da vida que diz que devemos esquecer os planos de vez em quando? Que devemos ser espontâneos, em vez de certinhos? 
É, não é? Então pronto, fiz a coisa certa: limpei o carro. 
Até aqui nada de mal. O problema é que ele agora cheira a pinho. E eu faço alergia ao pinho. E não o sinto como meu. Já olhei três ou quatro vezes para o interior das portas e nem um lenço de papel usado à vista. Nem uma embalagem de bolachas vazia. NA-DA. 
E o chão? Sabiam que o chão do meu carro é preto? Também não me lembrava. Já há muito tempo que me habituara ao camel da areia. E pedras? Nem um calhauzinho debaixo do tapete. Nem uma pequena rocha no assento do passageiro. Nem... Nem um pedaço de granito ao pé da manete das mudanças. Está tudo limpo e imaculado e cheira a pinho. Já disse que cheirava a pinho? 
O problema, para além de ter sido estúpida o suficiente para aspirar areia e não a vender para as obras ilegais, é que estou com problemas de ligação ao bólide. Sinto que lhe fiz um bem maior, mas já não me sinto ligada a ele. Não o sinto como meu. E isso dói, bem lá no fundo, ao pé dos calcanhares. Ah, não, espera, isso é só o tapete que ficou dobrado debaixo do acelerador. Bom, mas dói e temo que a nossa relação não possa vir a ser a mesma de antes. Temo que agora me dê máximos, cada vez que não sacudo os pés do miúdo quando voltamos da praia (e os meus também...). E se me buzina aos ouvidos quando enfardar pipocas lá dentro? Ou batatas fritas. Pior: se lhe dá uma síncope quando sentir o caroço de uma ameixa, embrulhado às três pancadas num lenço de papel, abandonado sabe-se lá até quando no interior da porta. 
E se... E se... Se o meu carro, de repente, se transformar no meu homem? 
Pronto, está decido. Vou obrigar o miúdo a brincar com terra na mala. Só manter um certo nível de charme naquele carro. 

Ranking dos rabos de Game of Thrones

Game of Thrones acabou, estamos todos  muito tristes e inconsoláveis, por isso este ranking  faz todo o sentido, mais que não seja para lavar as vistas das lágrimas de saudade. 

Não foi uma escolha fácil, há muito e bom material para análise, mas tentei ser o mais rigorosa e idónea possível. 

Comecemos pelas menções de honra, porque há nádegas e nádegas e isto é como a corrida pelo trono de ferro: só um merecedor do ouro. 

 

12. Melisandre

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Melisandre’s bewitching bum

 

Nada mau para uma velhota de 310 anos. Obviamente, isto deve ter levado com um cadinho de bisturi aqui e ali, mas não é um mau nalguedo e tira fofinha da Ygritte deste ranking. (Só entre nós, Ygritte, mi amore do norte, agacha mais e faz menos braços, ok?)

11. Olyva

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Olyvar’s treacherous tush

Ora aqui um excelente exemplar de glúteos. Tão bem trabalhados que até fazem covinha na bochecha. Um bom trabalho muscular, sim senhora. Pena que o jovem jogue na equipa errada, mas enfim, não se pode ser perfeito.*

 

10. Ros

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Ros’s rear

A Ros era das minhas personagens favoritas e chorei a bandeiras despregadas com o fim que lhe destinaram. A par de  um excelente par de mamas, era também detentora de um rabinho perfeito e capaz de provocar torcicolos a torto e a direito. 

 

9. Jaimie Lannister

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Jaime Lannister’s king-slaying keister

Suponho que, além da cara muito parecida com o Encantado, do Shrek, a DreamWorks também lhe tenha desenhado as nádegas. Rabo Encantado, em nono lugar neste ranking espectacular.   

 

8 e 7. Robb e Talisa

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Robb Stark’s Kings in the “South”

Tive que ir buscar os lenços de papel para estes dois lugares. Não pela fraca qualidade da amostra, mas pelo Red Wedding. Uma pena que aquele embrião não tenha sobrevivido com genes deste gabarito, tinha tudo para nascer com o rabinho virado para a lua. 

 

6. Grey Worm

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Grey Worm’s unsullied cheeks

Lamento, mas não havia imagem menos promiscua. Na realidade, até nem lamento muito, assim sempre temos uma perspectiva do pacote completo. Podia ter ali um cadinho mais de curva, mas, no geral, não é um mau exemplar. Prova até que Deus quando nos tira uma coisa, acrescenta algo em dobro. 

5. Ramsey

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Ramsay Bolton’s bastard buns

O gajo é uma besta quadrada, mas tem rabo do caraças (e dorsal, já agora).  Um  óptimo espécimen de nalguedo para acompanhar a hastag #bumbumnanuca. Já o da fulana que o acompanha nesta imagem... Bem, miúda,  dá-lhe forte nos treinos que'isso 'tá quase no rés do chão.  

4.Khal Drogo 

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Khal Drogo’s moon

O homem até podia ser caladito, mas com um traseiro destes também não precisava de falar muito. 

 

Chegamos aos pódio. Não foi uma competição fácil, muitos ficaram pelo caminho e nem às menções honrosas chegaram, mas a vida às vezes até para os rabos é ingrata. 

 

Rabo de Cobre (3º lugar) - Daario Naharis

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Com direito a gif, para avaliarem melhor a qualidade superior desta bunda. Nada a apontar, nem uma febrinha fora do sítio, benzódeus. 

Rabo de Prata (2º lugar) - Brinne de Tarth 

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Brienne of Tarth’s knightly heinie

É de uma pessoa ficar verde d'inveja, que nem em posição de agachamento pró resto da vida, uma pessoa fica com um conjunto glúteo-montanhoso deste calibre. Não lhe chegava ser hábil com armas e dar muita coça a muito bom homem, ainda tinha que ter um rabo destes. Parvalhona. 

Rabo d'oiro (1º Lugar) - Jon Snow 

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Talvez tenha sido influenciada por aquela carinha em óleo sobre tela de Vermeer, mas Snow leva para casa o Rabo D'Oiro. E não é só por esta amostra, porque há todo uma panóplia de imagens deste bumbum ao longo da série. A oferta é tal, que o actor poderia muito criar um portfólio só do seu traseiro. Twelve points para este conjunto de nádegas, perfeitamente alinhadas com luas de Júpiter e em plena comunhão com as sinergias do universo. Para apreciarem melhor o pacote integral: 

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Quanto à Daenerys, que me desculpem os fãs mais afincados, mas daqui não leva nada. Teve os seus dragões, teve três bons rabos ao seu dispor ao longo da série, não precisa de destaque para o seu próprio conjunto de nádegas batidas em castelo firme. 

Está feito. Não foi um trabalho fácil, haviam muitos e bons candidatos ao pódio,  foram algumas horas do serão dispendidas em análise exaustiva de amostras, mas o que é que eu não faço por este blogue, não é verdade? 

Digam de vossa justiça, a minha apreciação final não é soberana e é apenas baseada nos mais altos padrões de avaliação ao glúteo. Concordam com o Rei dos Rabos? Ou preferiam outro Senhor das Nádegas para o lugar? Desclassifiquei alguém com bumbum imporante? Contem tudo, não escondam nada. 

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* Não me acusem de homofobia. É só mesmo uma piada. O mesmo se aplica ao Grey Worm. Já na Daenerys não posso dizer o mesmo. #Cabra 

 

 

Eurovisão - uma espécie de review. Ou então não...

Ia só ver Portugal, mas acabei por ver tudo e não podia guardar tanto sofrimento só para mim. A minha dor é a vossa dor e temos que ser unjepojoutros, por isso aguentem e não chorem... Que foi o que eu fiz durante uma hora e meia.

A coisa começa com uma #wannabeMadonna que também ficou vidrada na indumentária lustrosa da Trinity (a do Matrix), vinda diretamente do Chipre.

Seguem-se os Excesso, que agora, além da música a escorrer mel de qualidade duvidosa, têm uma gaja como elemento principal. Chipre na vanguarda do revivalismo.

A Finlândia queria muito ter um Henrique Iglesias, mas não tinha capital.

Os polacos inovaram, vestiram-se de Cármen Miranda e cantaram em polaco. Não percebi um cacete, mas o que importa é atitude e eu também odeio estrangeirismos.  #tamojuntoPolónia 

Aos meninos queridos da Eslovénia (quer dizer eu só ouvi a moça, o rapaz fazia parte do cenário, com certeza) só tenho a dizer: filhos, se isto der errado, podem sempre dedicar-se a fazer vídeos promocionais a anti histamínicos. Aquele vídeo clip não engana: ali ninguém tem crises de rinite alérgica.

Os moços da República Checa copiaram-nos a ideia de inclusividade e utilizaram as cores da LGBT. Achei giro e pelo menos teve mais utilidade que a nossa ideia peregrina de pintar passadeiras. Ou alcatrão. Ou lá que raio queriam fazer.

A cachopa da Bielorrússia gostava muito de Britney Spears em adolescente e reencarnou a personagem com distinção.

Sérvia apresentou-nos uma Celine Dion constipada com dois ou três brufens no bucho e um nadita indecisa quanto à língua que assume. Ora a nativa, ora inglês, ora nativa, ora inglês.

Já Bélgica percebe-se que investiu bem nisto e traduziu a letra para código morse. Isso e na clonagem do Justin Bieber. (Igualzinho. Juro.)

Alto que chegou um religioso da Georgia. O país apostou na pregação e levou uma Testemunha de Jeová a palco. A sério, posso jurar que o moço disse 'Iavé' mais vezes do que aquelas que o nome divino aparece na bíblia. Até pode não ser, mas daqui parecia mesmo.

Finalmente uma apresentação que apresenta algum conteúdo atual e prespicaz: Austrália acabou de vez com a teoria dos terraplanistas e provou que a terra é redonda. Podiam era ter evitado os cogumelos, mas enfim, não se pode ter tudo.

A Estónia achou giro levar o Bradley Cooper. Esqueceu-se foi da Gaga (e do próprio...).

Ah, o nosso Portugal! Osíris subiu a fasquia e partiu os ecrãs todos. Claro que os reposteiros que envergavam são capazes de não ter ajudado, mas o que é isso comparado com as  penas de ganso usadas no primeiro espetáculo?

Na Grécia, percebemos que alguém assaltou o museu do traje e pelo caminhou levou um carro alegórico do carnaval de Torres Vedras.

Para a acabar em beleza: San Marino ou o Toy versão estrangeira. Nunca julguei ser possível. #Respect

Modos que foi isto. Só frisar que este texto não reflete a opinião sobre cada artista e é somente... Uma espécie de piada. Pode não ter é muita, mas isso já são outros quinhentos. 😜

 

20 factos sobre tupperwares

Peguei naquele desafio de escrever 20 coisas sobre nós e adaptei-o a… Tupperwares.  Já vos devia o post há um bom tempo, tanto que já nem sei quando coloquei a sondagem no facebook, e apesar de o ter rascunhado no bloco de notas acabou por lá ficar a marinar.

Porém, tal como um Lanister paga sempre as suas dívidas, também eu cumpro o que prometo. Pode é vir com uns meses de atraso, mas isso…

Bom, vamos lá abrir o pior armário de qualquer cozinha:

 

  1. Devia ser considerado lei universal: os tupperwares não cabem uns dentro dos outros. É o maior mito da História.
  2. A Tupperweralândia é a cidade criada pelos vendedores destes recipientes com o único intuito de nos fazer parecer incapazes de domesticar um objecto de plástico dentro de uma gaiola de madeira.

  3. A Humanidade só tem dois grandes mistérios: as meias perdidas na máquina de lavar roupa e o paradeiro da tampa do tupperware que compramos anteontem. O buraco negro foi inventado pela NASA apenas para se esquivar a estudar questões verdadeiramente pertinentes.

  4. As caixas de gelado não são tupperwares – apesar das sogras acharem que sim.

  5. Armários de tupperwares arrumados como num catálogo, só para psicopatas. Ou ET’s. Ou os dois.

  6. Pior que a nódoa de batom no colarinho da camisa do marido, só mesmo nódoas de cenouras num tupperware branco. É que nem lavado com lixivia pura.
  7. Há tupperwares que não podem ir ao microondas: são aqueles que já estão derretidos quando vais buscar a sopa aquecida.

  8. As válvulas nas tampas de alguns modelos servem apenas para esperar pelo nosso pé no chão da cozinha, mesmo debaixo do tapete e quando estamos descalços. Pior só mesmo as peças de lego.

  9. Os tupperwares de vidro partem. Mesmo.

  10. As borrachas das tampas dos herméticos têm vida própria e nunca sabem se vão de vez ou se ficam mais um bocado.

  11. Nunca se devem guardar tupperwares nos armários superiores. A não ser que se queira levar com um avalanche de plástico sempre que se abre a porta.

  12. A porta desse armário nunca fecha na totalidade. Ora são as bordas de um estuporzinho, ora é um que se atravessa la atrás, não se vê e empurra todos em direcção ao abismo. Ou então é só aquele que impede a avalanche e nesse caso… Ninguém precisa das portas todas fechadas, certo?

  13. Há 359 tamanhos de tupperwares no armário da cozinha. Mesmo assim, precisamos MESMO daquele onde só cabe o caroço da azeitona.

  14. O melhor e mais ajeitadinho dos teus tupperwares é aquele que está sempre emprestado.

  15. A venda de tupperwares redondos devia ser completamente proibida. Ou então trazer um escravo para os arrumar.

  16. Ao fim de alguns anos, há tupperwares que viram autênticos chefs Michelin: guardas massa à bolonhesa e enfardas massa com carne e um travo de Fairy com notas de limão.

  17. É inútil guardar comida no frigorífico dentro de tupperwares opacos. Apenas vai aumentar o número de defuntos no cemitério da Tupperwarelândia.

  18. Tupperware começa com “T” e não com “V”. É por isso que nunca voltam.

  19. São o melhor e mais barato brinquedo de crianças até descobrirem os tachos e os testos.

  20. Tupperware é uma marca e é a elite dos tupperwares. A plebe destas vasilhas são os recipientes. A ralé são as caixinhas. Como toda a gente quer ser chique, todos temos tupperwares. E não, a tupperware não patrocinou este post. (mas podia…. Preciso mesmo de um tamanho que não tenho.)

Caracol Sombra

Conhecem o Repórter Sombra

Há já algum tempo que faço parte da equipa de cronistas, com artigos de opinião maizómenos engraçados. 

Até agora já lá vão quatro, sobre os mais variados temas: desde Maria Leal, à educação sem género, passando por Notre Dame, a greve de combustíveis e o dia da mulher. Às vezes tudo junto, numa espécie de ovos mexidos com espinafres, queijo e gambas. 

Deixo-vos os links para que possam espreitar, se não tiveremmais nada que fazer, claro. 

Dia da mulher no divã 

Primeiro, morrem por mim. Umas quantas centenas, sôtor, não foram só uma ou duas! Depois
vêm outras tantas, dizer que deveriam era todas voltar para a cozinha, que lá é que fazem falta
e é na família que a mulher deve manter o seu foco. Só neste curto ano, mais de uma dezena,
quatorze para ser preciso, viram cair a guilhotina pelas mãos dos carrascos a que um dia
chamaram maridos. Milhares continuam subjugadas, maltratadas, reprimidas e dominadas
apenas por serem mulheres.

Género: Parvo 

Chiça! Isto assim é mesmo difícil. A cultura do género e do sexismo está mesmo enraizada em
mim. Vou recomeçar. Com calma. Eu consigo. Sou mais forte que todas estas formatações de
géneros.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amén. 

A Maria Leal lançou uma nova música. Para crianças. Um autêntico massacre sonoro e genocídio visual. Ao pé disto, tudo o resto parecem nuvens de algodão doce. O lado positivo é que Tarantino já pensou nela para o próximo filme sangrento e até já tem possível argumento: meia dúzia de inocentes numa sala fechada com isolamento acústico, enquanto ouvem Maria Leal em loop. Só está a ter algumas dificuldades com a duração do filme, uma vez que até agora ninguém aguentou mais do que três minutos, bem como com a contratação de actores capazes de aguentar semelhante sacrifício em prol da sétima arte.

"Pai, perdoa-lhes pois não sabem o que fazem" 

Entretanto, os motoristas de matérias perigosas pararam e o caos instalou-se. Esqueceram-se as reformas aos 69 anos, o cancro aos 50, o AVC aos 45, as doenças autoimunes e degenerativas aos 30, os acidentes de viação e comas alcoólicos dos 20, o incêndio de Notre Dame e os 600 milhões doados para a sua reconstrução, bem como a fome, a pobreza e a miséria que corre o mundo e os meninos que podiam não morrer de fome, se não fossemos todos tão egoístas. O apocalipse foi declarado e, em vez de corrermos a armazenar enlatados, rumamos em êxodo às gasolineiras e, tal como numa herança, correram todos a buscar o seu quinhão de combustível.

 

Modos que é isto. Espero que gostem. ;) 

Devolvam-me a realidade, por favor

Se há coisa que eu adoro nesta vida - além de papas de aveia - é a literalidade.
Há lá coisa mais bonita do que um mundo sem piadas e sem ofensa em cada esquina? Um mundo puro e casto, com floreiras de tulipas no inverno e rosas sempre em botão? Sem esta malta armada em engraçadinha e sempre a mandar bitaites sobre tudo e sobre nada. Isto não é humor. Humor eram os Malucos de Riso que gozavam com esterióripos, mas como tinham o Camacho Costa a malta não levava a peito.
Agora é só humoristas de trazer por casa e comediantes de caixas de comentários a notícias espalhafatosas.
E eu não gosto disso. Porque é que não podem dar opinião sem gozar? E depois nós é que não temos poder de encaixe! Como se fossemos nós o défice da equação, como se o problema fosse mesmo nosso, dos literais, a quem tudo ofende.
Chamam-nos virgens ofendidas. Não porquê: nem sequer há virgens nestes tempos. Isto enerva-me! Não podem ser concretos um bocado e falar a sério? Sem ironia, sem escárnio e sem sarcasmo? Custa assim tanto utilizar metáforas bonitas e que não aleijem muito o nosso ego? Já não chega envelhecer, as articulações a ceder, a confiança pessoal entrar em colapso e ainda temos que levar com piadas de algibeira? Todos os dias? A todas as horas? Não dá!
Quero a minha literalidade de volta, quero sentir outra vez o peso das dores onde insistem em alegar que o humor atenua, quero viver livre, feliz e contente na minha verdade. Agora, calem-me essa gente das piadas. Já ninguém as suporta.
E viva o 25 de abril! Apesar de eu achar qu'isto no tempo do Salazar é que era bom e que agora há liberdade a mais. Mas pronto, viva o 25 de abril porque aquilo ainda deu trabalho e com trabalho não se brinca. Nem com dinheiro, também não se brinca com dinheiro. Aliás brincar só com bonecas. De plástico, que as de porcelana quebram e depois alguém tem que limpar.

Querido Sr Pedro

 

Tentei ligar-te ontem, mas a linha aí para cima estava ocupada. Deduzo que o Osíris estivesse a tentar a sorte dele contigo antes de partir outro telemóvel, por isso vou tentar a via mais tradicional. Pode ser que o Wi-Fi aí já funcione e estejas ligado à rede.
Olha, tu sabes que eu te curto. Eu tenho esta mania de dizer que não acredito e que não faz sentido e que o inferno é que é bom, mas tu sabes, bem lá no fundo, que são só balelas. É só para ser fixe e sentir que mando alguma coisa, quando na realidade não mando nada. Enfim, humanos. Tu percebes, certo Sr. Pedro?
Mas hoje não é por mim que quero falar contigo. É o seguinte: dizem os senhores da meteorologia que amanhã chove a potes. Ora, até aí tudo bem não há grande problema, mas achas que, eventualmente, podes fazer aí uma pausa nisso a partir da madrugada de sábado? É só umas horitas, 8 a 10 no máximo. Passo a explicar: uns amigos vão fazer uma caminhada até uma amiga tua (a amizade deve valer alguma coisa aí em cima, não?) e já é duro o suficiente levantarem-se às 3 e tal da madrugada para percorrer 40 e tal quilómetros. Tu já viste o desmoralizante que é se ainda por cima lhes cair o céu em cima sob forma de água? É desumano. Dá para dares aí um jeito a isso? Podemos trocar, se quiseres: tenciono ir correr amanhã à noite, podes largar tudo em cima de mim que eu tenho bom lombo e posso com isso (mas só em cima de, ok? Arranja aí uma nuvem como a Elsa arranjou para o Olaf, pergunta-lhe como é que ela fez que ela é boa moça e de certeza que te ajuda). Desde que deixes ali umas horas de tréguas, por mim tudo bem. A propósito, das 18:30 às 20:00 o homem - e mais uns amigos - têm um trail. Vê lá isso também, por favor. Já é muito? Hmmm, e se eu deixar três estendais de roupa quase seca à tua mercê e não reclamar nadinha? Temos acordo?
Repensa lá isso, por favorzinho. Lembra-te que nem sequer reclamei da tua febre que quase nos cozeu vivos dia 24 de março, hã? Não custa nada agora dares aí este jeitinho. Pensa nisso, com todo o teu carinho.

Tua eterna devota,

Caracol

Os verdadeiros benefícios da corrida

 

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Toda a gente nos tenta vender a ideia de que correr é fixe, que quem corre é muito mais feliz e que ganhamos anos de vida por cada quilómetro percorrido.

Uma treta se querem saber.


O que vale é que existem pessoas como eu, que vivem para contar a verdade sem medo de represálias – até porque ninguém leva a opinião do alcatrão a sério.

Apertem lá os atacadores (fictícios, obviamente) e venham comigo dar uma voltinha pelos verdadeiros benefícios da corrida.

 

  1. Promove a valorização das pequenas coisas da vida.

Como o oxigénio, por exemplo.

  1. Aumenta o vocabulário.

No que toca a impropérios, claro. Desde o “cê” ao “pê”, passando pelos “efes” todos. Vale tudo.

  1. Reconhece a importância do tempo.

Tanto que há alturas em que só nos apetece partir a porcaria do relógio porque o estuporzinho se recusa a acompanhar a nossa velocidade de passada imaginária.

  1. Adia o estado de falecimento.

Até porque para morrer é necessário estar vivo, portanto…

  1. Erradica medos irracionais.

Têm medo do escuro? Do apocalipse zombie? De bruxas? Isso é para meninos. Já viram alguém vivo a correr? Eu já. É assustador.

  1. Aumenta a consciência corporal.

 Sobretudo ao nível dos gémeos. E das coxas.

  1. Catalisa a criatividade para frases motivacionais.

 O que sobe também desce. O que alcatrão percorrido já passou. Só falta acabar. ESTÁ QUASE!

  1. Melhora o funcionamento cárdio-tóraxico

O meu está tão bem afinado que às vezes parece até funciona fora do corpo. Sobretudo nas subidas. Perdão, nas P*&@S das subidas.

  1. Aumenta o humor

O negro, sobretudo. Rir das desgraças também nunca matou ninguém, já correr…

  1. Promove a economia

Já viram o preço de umas boas sapatilhas? E sabem quanto tempo é que elas duram? E as leggins? Não falemos sequer em meias de compressão às bolinhas cor de rosa*.

 

Como vêem eu não minto. Morrer correr faz muitíssimo bem e acarreta imensos benefícios. Agora vou só ali preparar a mente para não panicar nos 10km do demo fáceis deste domingo, esquecer que o gráfico de altimetria parece um CTG de uma grávida em trabalho de parto é mesmo animador e beber um gin chá. Ou dois.

(Alguém orienta aí um Victan? Ou Xanax? Então e Valiuns, não? Rico público… )

*Ainda não existem meias de compressão Às bolinhas cor de rosa. Uma terrível lacuna de mercado, se querem saber.